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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Guillaume Tell




Disse-me um passarinho, atento e sábio, que o Guilherme Tell (Rossini), d'áprès Pappano, é um portento. A crítica, em uníssono, aclama-o, como segue:


















Em breve, ver-se-á se assim é!

sábado, 25 de junho de 2011

Ross... Sininho...

(NAïVE V5221)


(Júlia Lezhneva)

Minkowski – maestro e respeitável musicólogo – deve ter-se tomado de amores pela jovem russa Júlia Lezhneva, propondo-lhe debutar discograficamente no mais exigente Rossini, o serio (La Donna Del Lago, Guillaume Telle e Semiramide). Outra razão não encontro pois – de per si - a falta de maturidade da intérprete explica, em pleno, a grande fragilidade e inconsistência deste registo.

A voz é excessivamente magra e fina, faltando-lhe corpo, alma e sentido teatral. Um toque histriónico – Horne, Bartoli, Baltsa, Valentini-Terrani, Didonato – é imprescindível, quando se aborda o Rossini Buffo e serio! Dito isto, a técnica é, apenas, o começo da aventura belcantista rossiniana.

Lezhneva apresenta-se com uma interessante técnica – com fragilidades (as mudanças de registo...) -, que deverá enriquecer-se, com a maturidade. Presentemente, parece um soprano ligeiro, com afinidades líricas. Ora, aventurar-se neste assassino território exige envergadura dramática – e cénica -, além de uma afinidade primária com as vísceras! As grandes – acima elencadas – também cantam com elas, e não apenas com a cabeça.

Imagina o avisado leitor uma primeira incursão teatral via Shakespear, como protagonista de Macbeth? É desastre garantido...

Nem só de agilidade vive... Rossini!

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(3/5)

domingo, 17 de janeiro de 2010

La Cenerentola do Met



A concorrência é implacável!

Em reacção à fabulosa Angelina de Didonato, eis que o Met desafiou a esbelta Garanca para interpretar a protagonista de La Cenerentola (aqui).

O resultado é avassalador... a lituana triunfa, tecnicamente. Em termos cénicos - e no computo geral -, a meu ver, Didonato leva a melhor, pela graciosidade do jogo cénico. Mais à l'aise, em palco, Joyce Didonato irradia felicidade e teatralismo. Garanca centra-se na disciplina, estando mais fria e menos engagée.

Conselhos? Se fossem coisa recomendável, PAGAVAM-SE! Faça como eu: compre as duas!!!

La Cenerentola do Liceu




Antecipando a edição de La Cenerentola (2008) captada ao vivo no Liceu, eis um fragmento arrebatador (aqui).

Depois de um momento histórico, apoteótico, desta envergadura e calibre, a Senhora deveria ver erguida uma estátua em sua memória. Deveria ser agraciada com uma tiara, um trono eterno...

Com a felicidade estampada no rosto, Didonato conquista-nos, neste que é – seguramente – um momento de antologia belcantista.

Uma agilidade impressionante, uma graciosidade desconcertante.

Que mais quer uma Cenerentola perfeita?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Isabel Colbran - II, ossia Joyce Colbran, for sure!

(Virgin 50999 6945790 6)

Isabella Colbran (1785-1845) foi uma ilustre cantora lírica de inícios do século XIX. À época, a fogosa espanhola era A prima Donna do San Carlo, em Nápoles. Rossini não resistiu aos múltiplos encantos, artísticos e carnais, da espanhola, célebre pelas três oitavas de extensão vocal e magistral talento dramático.

(retrato de Isabella Colbran)

Rossini escreveu algumas das mais célebres óperas sérias para, justamente, La Colbran - Elisabetta, regina d’Inghilterra (1815), Otello ( 1816 ), Armida (1817), Mosè in Egitto, Ricciardo e Zoraide (1818), Ermione, La donna del lago (1819), Maometto II (1820), Zelmira (1822) e Semiramide (1823).

O presente registo constitui uma homenagem à grande Isabella Colbran. Refira-se que, em inícios dos anos 1990, a também imensa Cecilia Bartoli decidiu homenagear a diva espanhola - como aqui referi. À época, o registo de Bartoli fez história, constituindo a mais extraordinária colectânea de árias rossinianas sérias de que há memória.

Perto de vinte anos volvidos sobre o superlativo Rossini Heroines, eis o contributo de Joyce Didonato para a revitalização do repertório rossiniano sério.

Didonato é o maior mezzo ligeiro vivo, em plena ascendência. O seu trabalho consagrado a Handel é triunfal, pela disciplina, bravura e graciosidade. Joyce Didonato é, de igual modo, a mais destacada rossiniana da actualidade, particularmente requisitada pela cena lírica internacional. As suas Rosina e Angelina são absolutamente modelares. Deus a conserve, fresca e hábil, por muitos e bons anos, para que (entre outras) revisite a A Italiana e Fiorilla, de O Turco em Itália!

A grande intérprete americana brinda-nos, por via deste registo, com uma bravura heróica e despudorada, assente numa técnica infalível, sem mácula alguma. Respira com uma mestria impressionante e afronta o desafio sem temor nem subterfúgio. O timbre é amplamente colorido e a agilidade pirotécnica.

Como pérolas sumas deste trabalho destaco Armida (de sonho) – dilacerada e inflamada -, a majestosa Elisabetta e, sobretudo, a Elena rejubilante, porventura a mais incandescente que alguma vez conheci.

Para a história, indubitavelmente.

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(6/5)

sábado, 28 de novembro de 2009

Isabel Colbran - I

Antes de uma leitura crítica do (magnífico) trabalho de Joyce Didonato, proponho que o leitor se debruce atentamente sobre uma já longínqua homenagem a Isabel Colbran, Heroines: