Um belo trio, razoavelmente bem tocado, numa encenação de pacotilha!
Zeffirelli, numa proposta datadíssima, pirosa – um guarda-roupa de fugir, de um realismo à feira do relógio, em cenários bafientos –, como sublinha Bondy, pretensamente, evoca o génio de Visconti. Porém, enquanto L. Visconti constitui a obra – prima, Zeffirelli recorda a prima do mestre – de – obras.
Vickers – o melhor Otello do mundo -, clama por Shakespeare, recriando-o. Revitaliza-o, verdianamente. A síntese é um assombro: teatro, poesia, declamação, interpretação, servidas por um instrumento vocal amplo e gloriosa, em pujança, riqueza expressiva e nobreza. O acto III deveria figurar nos manuais de interpretação operática: Jon Vickers canta com as vísceras, impregnando o seu protagonista de delírio, ciúme, ódio e desespero. No teatro, nem Del Monaco lhe chega aos calcanhares.
Ladeia-o a subtil Scotto, de voz colorida e técnica impecável, compondo uma Desdemona frágil e delicada, dilacerada pela corrosão psíquica do amante. Por fim, Macneil interpreta um Iago magnânimo na voz, mas titubeante na recriação teatral: a mímica é trôpega e a maquilhagem ridícula não ajudam muito...
Levine dirige uma orquestra pouco oleada, com tempi muito irregulares.
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(4/5)
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
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