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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

(ainda) Mehta's Handel

Parece que o The New York Times concorda comigo, no tocante à mestria do trabalho de Mehta, Ombra Cara!

«MORE than 25 years have passed since the release of Bejun Mehta’s celebrated debut album, made when Mr. Mehta was a boy soprano of nearly supernatural refinement and insight. Mr. Mehta, now 42, has turned up occasionally on record since his emergence as one of the most commanding, exhilarating countertenors of the modern era, in complete accounts of oratorios and operas by Handel, Mozart and Peter Eotvos. But with “Ombra Cara,” Harmonia Mundi finally showcases Mr. Mehta as the dynamic star that he is.

A stage animal whose New York City Opera “Orlando” and Met “Rodelinda” still inspire awe, Mr. Mehta here takes on a range of pyrotechnic showpieces and slow-burning ballads that demonstrate his fierce presence and broad expressive range. Familiar arias from those operas are included, along with worthy numbers from lesser-known works: the exultant “Sento la gioia” (from “Amadigi di Gaula”) and the intricate, flamboyant “Agitato da fiere tempeste” (from “Riccardo Primo”).

Mr. Mehta has exactly the right collaborators in the conductor René Jacobs and the Freiburg Baroque Orchestra. Listen to the agonized dissonances in the recitative preceding “Voi, che udite il mio lamento” (from “Agrippina”) or the biting strings and grotesquely snarling organ in an extended sequence from “Orlando,” and you comprehend precisely the emotional temperament of each scene before a word is sung. In “Per le porte del tormento,” the duet from “Sosarme” that closes the disc, Mr. Mehta is beautifully partnered by the soprano Rosemary Joshua.

On a bonus DVD included with the album Mr. Jacobs describes the qualities desirable in any would-be Handel sensation: “The singer has to be able to sing heroic and loud high notes from time to time, but he should above all be able to sing soft high notes.” Mr. Mehta achieves that distinction, and considerably more, throughout this absorbing, illuminating recital.»

Mehta's Handel


(HMC 902077)

Há uns bons dez anos, no Châtelet, assisti a uma produção memorável de Mitridate, Ré di Ponte (Mozart), dirigida por Christophe Rousset. Pouco depois, a DECCA comercializou esta ópera, dirigida pelo mesmo maestro, contando com um elenco substancialmente diferente, mais
estrelar, porventura. Verdadeiramente, fora o Farnace, interpretado por Bejun Mehta, quem mais me entusiasmara na récita. Demasiado jovem, à época (???), na gravação comercial cedeu o lugar a Brian Asawa. Muito me decepcionou tamanha manobra…

Desde então, Mehta entrou para o meu top 5 de contra-tenores contemporâneos – onde figuram os incontornáveis Daniels, Lesne, Jaroussky e Scholl.



Mehta (sobrinho do maestro Zubin Mehta, por sinal) tem uma técnica muito segura e sólida, interpretando as passagens de bravura com assinalável mestria. A voz goza ainda de certa extensão e flexibilidade.



Apesar de contar com uma carreira lírica de primeira água - Aix, Met, Salzburgo, Innsbruck -, em termos de edição discográfica, o contra-tenor americano sempre foi desafortunado.



Recentemente, pela mão do mestre Jacobs, Mehta estabeleceu uma ligação comercial – que se pretende duradoira! - com a notável Harmonia Mundi. O presente registo constitui, pois, o début de Bejun Mehta nesta casa.

Em
Ombra Cara, o artista (à semelhança dos seus contemporâneos) não resiste a revisitar o repertório em que se notabilizou Senesino, o castrato oriundo de Siena, para quem Handel escreveu algumas das mais célebres árias. Mehta intercala passagens que demandam uma extrema agilidade – Agitato da fiere tempeste (Agrippina) -, com árias imensamente lírica, profundamente recatadas - Stille amare (Tolomeo, Re d’Egitto). Triunfa em toda a linha, apenas evidenciando uma dificuldade: a articulação tende a esbater as consoantes, sublinhando em demasia as vogais. A musicalidade permanece imaculada, já a expressão, nem tanto.



Apenas lhe falta o cristal!
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* * * * *
(4.5/5)

sábado, 19 de fevereiro de 2005

Dionisio, Re di Portogallo & Sao Carlos pre-31 de Março

Hoje, sábado, pelas 16.00 h, vamos assistir à estreia desta ópera de Handel.
Dá dita ópera, nada sei ! Muito menos dos interpretes...

Ainda que a curiosidade seja grande, a ameaça de uma gripe está a comprometer a minha capacidade de fruição... Ver-se-á...

Pode ser que descubra um bálsamo para as minhas maleitas...

Na actual conjuntura política e cultural - ou devo dizer político-cultural, ou ainda desavergonhadamente acultural e, isso sim, polítqueira -, não deixa de ser assinalável a circunstância de esta ópera versar sobre um monárca português, que deixou obra feita !

Numa altura de desgoverno absoluto, onde a cultura anda ao sabor de caprichos de alguns, de jogadas políticas de outros e da ignorância de muitos, quem se trama é o povo ! Seria o cúmulo do absurdo se a temporada fosse, como chegou a dizer-se, encerrada em finais de Março !
Por muito que aprecie o trabalho de Pinamonre, não crei ter sido inocente esta jogada... Mas, quem sabe, ficaremos todos - público - a lucrar com esta estratégia, que, no essencial, consistiu em dizer " O rei vai nu" !

Que a presente produção de Dionísio inspire dirigentes !

Continuo a bater-me por uma opinião muito minha: a ópera não tem que ser um espectáculo de elites ! Porque razão, em itália, as crianças aprendem, desde tenra idade, a marcha triunfal da Aida ? Porque razão, em Viena, ouvimos os miúdos trautearem valsas de Strauss ? Em França, várias vezes ouvi - da boca de leigos, como eu - referências às grandes interpretes da Carmen - Berganza, Baltsa, Migenes, etc !

Dir-me-ão que as óperas em questão são populares... pois é, conseguiram esse feito, como diz Sérgio Azevedo !

Sou suspeito para falar do Don Giovanni, que é - em meu entender - a mãe da criação operática-clássica... Haverá ópera mais popular do que esta ??? Cheguei a ver crianças, absolutamente radiantes, na assistência de uma récita desta ópera-prima.

E o que me dizem de A Flauta Mágica ? Não são só as arias da Rainha da Noite que são populares !

Também vos digo que teria dificuldade em levar um filho meu, de tenra idade, ao São Carlos, para assistir a uma récita de o Grande Macabro, que muito aprecio, hoje em dia.

Enfim, esperemos que os próximos responsáveis pela cultura tenham outra visão e respeito por todos nós, que amamos a cultura e a criaçao artística.

Já agora, repararam que as mais famosas récitas do nosso Teatro Nacional de São Carlos tiveram lugar no tempo do outro senhor ? Com tudo o que o regime tinha de odioso - e não era pouco -, em matéria de ópera, não havia grandes razões de queixa !
Só para que conste, voto, convictamente, à esquerda !