Mostrar mensagens com a etiqueta Milnes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Milnes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lucia della Desolazione


(DECCA 410 193-2)

Mau grado a presença de um elenco notável – a fina flor da época (1970’s): Ghiaurov, Milnes e Pavarotti -, e uma direcção enérgica e expressiva, esta Lucia peca pela desolação artística da protagonista. Sutherland, apesar de já bem oleada no papel (que recriava amiúde), oferece uma interpretação desoladora, dramaticamente inexistente.

Joan Sutherland – actriz medíocre, embora uma cantora perfeita, de técnica sem paralelo – anima a sua “incarnação” socorrendo-se, apenas, de uma veia soubrette.

Uma Lucia soubrette (ou leggera) é como um Don Giovanni feio, mastronço e deselegante.

Um desastre artístico protagonizado pela Senhora Sutherland, que os colegas distintíssimos minimizam.


____________
* * * * *
(3/5)

sábado, 8 de agosto de 2009

Rigoletto solitário


Pode uma interpretação operática conter uma das mais belas incarnações da discografia e, em simultâneo, das mais aberrantes prestações?


Este Rigoletto é a prova disso mesmo!


A resposta a este post é simples: Sherrill Milnes.

Milnes foi um dos mais extraordinários barítonos de sempre. A opinião é minha, não gerando consenso. Em terreno verdiano, teve como rival Cappuccilli – seu contemporâneo -, nenhum outro cantor da sua geração lhe chegando aos calcanhares.


O Rigoletto que interpreta nesta leitura é um colosso de drama e elegância vocal. O timbre é puro malte! A dicção aberta e firme confere à personagem uma linhagem pouco habitual. Por regra, Rigoletto é uma figura sofrida, agrilhoada a uma inexorável maldição. Pois Milnes vai muito além disso, conferindo à sua leitura um toque aristocrata, nos antípodas da proposta de Gobbi – outro dos mais assombrosos protagonistas desta mesma peça lírica. Não será para todos os gostos… Mas, por que será Rigoletto uma criatura bossal e grosseira?

E, na sua composição, há dor, uma imensa ferida narcísica, e dilaceração a rodos, sem cair na trivialidade do exacerbamento. Modelar, enfim!

Depois, há os demais intérpretes…

Pavarotti – no auge do seu reinado – transpira uma sanidade vocal sem paralelo, com um registo agudo de invulgar firmeza, cristalino e brilhante como poucos. Mas, como alguém disse, teatralmente, é uma imensa massa, colossal nas suas dimensões, que se limita a cantar muito bem. A sua interpretação é frustrante, sem ponta de subtileza, nem requinte algum.

Para o final, reservo o pior: a Gilda mais desabitada que conheço – pior ainda que a de Peters! A articulação de Sutherland sempre foi trôpega – as consoantes inaudíveis! A sua interpretação fica aquém do banal, enfermando de uma superficialidade aterradora.

Apesar da sua "pirotecnia" vocal – das mais sólidas e brilhantes coloraturas que se conhecem -, em termos interpretativos, Sutherland é de um amadorismo que roça a ignorância.

Bonynge salva a honra do convento, servindo este Rigoletto com inegável sentido teatral, equilibrado e disciplinado.

Por Milnes, indubitavelmentre! E muito pouco mais.

________

* * * * *

(3,5/5)