sábado, 10 de julho de 2010

Cesare Siepi (1923 - 2010) - II - Registos indispensáveis (2/2)






Nos anos 1950, Cesare Siepi era o Don Giovanni mais solicitado do universo! Para felicidade nossa, interpretou quatro, absolutamente memoráveis (a maioria, em Salzburgo).

Evidentemente, todos constam da minha discoteca. O de Krips (DECCA) foi o primeiro, apaixonando-me, de imediato! É dos melhores integrais da ópera homónima.

Seguiu-se Furtwängler (EMI, 1953), porventura excessivamente sério... A glória suma – pelo live, excelsa qualidade dos intérpretes e espírito buffo – foi perpetuada por Mitropoulos (SONY). Trata-se – seguramente – de um dos maiores acontecimentos líricos de Salzburgo e da discografia.

Finalmente, regresso a Furtwängler (DG), de novo em Salzburgo, desta feita em dvd, com uma das mais extraordinárias e belas Elviras, provavelmente a única que rivalizou com Schwarzkopf: Lisa Della Casa.

Na dúvida, adquira TODOS! Se conta os tostões, Mitropoulos e Furtwängler (DG, em dvd) não o deixarão ficar mal!

Cesare Siepi (1923 - 2010) - II - Registos indispensáveis (1/2)





quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cesare Siepi (1923 - 2010)



Faleceu hoje Cesare Siepi, o maior intérprete de que há memória do papel titular de Don Giovanni. Os méritos deste monstro foram muitos e diversos...

Por ora, a comoção não me deixa ir mais longe...

RIP

domingo, 4 de julho de 2010

Os Monstros


(Renée Fleming, em Thaïs, Met Opera House)

Thaïs
, de Massenet, é uma ópera pouco relevante, roçando a mediania. Pouco original, explora banalidades e facilidades melódicas até à exaustão.

Como – sabiamente - alguém disse, Thaïs apenas se reveste de interesse, caso a protagonista revele excelsas qualidades líricas (sobretudo) e dramáticas.

A personagem principal é uma escrava de Eros, prestando vassalagem a Vénus. Thaïs é, psicanaliticamente, uma histérica, que tudo sacrifica em nome do prazer e desejo. Deseja e faz-se desejar, enlouquecendo (-me)...

A conversão apenas transforma o objecto da sua devoção: da carne, transita para o espírito (santo), investindo um e outro com o mesmo fervor fanático, quase orgástico.

A presente interpretação é absolutamente antológica, graças à superlativa qualidade lírica e cénica de Fleming e Hampson: ambos são monstruosos, no mais nobre dos sentidos.

Não fora a divina prestação de ambos e Thaïs não passaria, como disse, de uma vulgar peça lírica, com aspirações a obra de reportório.

A encenação transpira uma megalomania assumidamente kitsch, com dourados e veludos a rodos. Os cenários são imensos, ricamente coloridos e ornamentados, quase ofuscando os incautos. Ainda assim, há uma espontaneidade infantil no trabalho de Cox, que torna esta mise-en-scène num objecto de relativo interesse.

Evidentemente, tudo gira em torno da fabulosa Fleming, vestida por Lacroix, também ele um sucedâneo do kitsch...

Fleming faz história, nesta indispensável Thaïs. Ou muito me engano, ou a impotência masculina desconhece esta fonte de excitação: diante do visionamento da lascívia de Renée, o famigerado Viagra é coisa pretérita!

Renée Fleming é, por norma, uma intérprete morna, sendo o teatro o seu calcanhar de Aquiles. A voz matizada, de ouro, cravejada de diamantes, é um sonho, sem grande paralelo: passa do lirismo supremo à volúpia, com uma graciosidade e elegância impressionantes. A idade não lhe retirou ponta de segurança. Os pianissimi são cristalinos e devidamente apoiados; os agudos atrevidíssimos e ousados...

Depois vem a cereja, que encima o bolo: a interpretação...

Fleming é a embaixadora de Massenet, como havíamos observado em Manon. Nem Dessay, nem a tórrida Netrebko habitam a desafortunada protagonista como a intérprete americana: a todo o instante, Renée Fleming surpreende-nos!

Nesta Thaïs, entra em cena pela porta da luxúria, terminando mística, sempre em êxtase, histericamente. A progressão dramática e maturidade interpretativas são colossais: a lascívia, a sensualidade (sem ponta de vulgaridade), os trejeitos que adornam a sedução irresistível, a viragem da conduta, a conversão, o recato insidioso...

Sigo a carreira desta criatura tocada pela mão divina há cerca de quinze anos, tendo assistido, in loco, a algumas das suas interpretações. Sem a mais pequena hesitação, considero Thaïs a mais extraordinária investida de Renée Fleming, remetendo Manon e Rusalka – papéis onde não tem rivais - para lugares secundários. O maior soprano lírico revitaliza um dos supremos papeis líricos.

Um defeito, um deslize, uma marca humana, clamará o avisado leitor! Uma, apenas: o francês, insuficientemente fluido e aberto...

Depois, para cúmulo, há Hampson...

Uma graça nunca vem só!

Thomas Hampson é um diseur de referência, educado na escola do lied: ama a palavra e recita-a religiosamente. O seu francês bordeja a perfeição.

Já cinquentão, Hampsosn revela certa fadiga, nomeadamente na endurance. Contudo, a referida qualidade da sua dicção, aliada à robustez dramática do seu Athanaël – de um ascetismo e austeridade tremendos -, fazem desta interpretação uma referência.

Quanto aos demais actores, balanceiam entre o bom – Schade e Partridge – e o óptimo – López-Cobos e orquestra.

Em boa verdade, há obras menores que, interpretadas por figuras divinas, ganham importância! Tal é o caso de Thaïs!!!

_______
* * * * *
(6/5)

nota 1: as legendas deste artigo apresentam falhas e omissões que comprometem o acompanhamento da peça, hélas!

nota 2: as frases a bold destinam-se aos psis, sobretudo

nota 3: o espectador que resistir ao encanto da protagonista com Athanaël, no acto II, não é humano!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Palavras não eram ditas, ossia Últimas aquisições!









Por escassos €20 (graças a dois vales de desconto de €5/cada, no âmbito da Festa da Música), do sítio do costume, trouxe dois artigos que há muito namorava: La Traviata, com Ciofi, e Manon, com Fleming (a cuja gravação assisti, live from ONP).

Valeu a pena esperar estes anos todos, pois, originalmente, cada um dos artigos rondava os €50!!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Bartoli's Norma?!?!?!?!?!

Acaso terá o leitor reparado na derradeira frase do parágrafo dedicado a Bartoli...
A mezzo irá abordar, na Almanha, no Verão, Norma, como titular?!?!?

(algumas) Mulheres da nossa lírica...

Fleming, Stemme, Dessay, Bartoli e Westroek.
Claro está, eu acrescentaria Mattila, Matos (Elisabete), Didonato, Voigt e Netrebko!!!

«Renée Fleming
Versatile and technically assured American soprano with a huge international reputation, who reigns as undisputed queen of New York’s Metropolitan Opera. Along with her sterling professionalism and acting skills, she has a gorgeously even and creamy voice that excels in late romantic music, but she can also sing show tunes and (as her latest album Dark Hope demonstrates) soft rock. Some critics find her interpretations bland and her style smoochy, but it’s hard to think of anyone who delivers the goods so consistently, looks great in Valentino and Versace on the concert platform and has had a dessert and a scent named after her. A regular at Covent Garden, she will sing at this year’s Last Night of the Proms.


Nina Stemme
This attractive and highly intelligent Swedish soprano carries the torch for the long Scandinavian tradition of Wagner singing and her interpretation of the role of Isolde is universally considered to rank among the very greatest in history. Pacing her career carefully and balancing its demands with bringing up a family in Stockholm, she will be undertaking the even more demanding role of Brünnhilde in The Ring cycle for the first time in San Francisco this autumn. Also ranks as an accomplished and stylish singer of Verdi’s more dramatic operas. She will be singing Leonore in Beethoven’s Fidelio at Covent Garden in 2011.

Natalie Dessay
An enchantingly quirky and individual French soprano with a tiny physical frame, light, small voice and outsize personality. Recently sang the comic role of Marie in La Fille du Régiment at Covent Garden to wild acclaim, and is also celebrated for her portrayal of tragic operatic heroines such as Lucia in Lucia di Lammermoor and Ophélie in Thomas’s Hamlet.

Despite an injury to her vocal cords, her flexibility and prowess above the stave remains impressive. Next season in Paris she undertakes Cleopatra in Giulio Cesare, a debut which should show off her talents to perfection. London hears her next as Mélisande in Pelléas et Mélisande at the Barbican in April .

Cecilia Bartoli
A phenomenal singer with an idiosyncratic technique, born in Rome to opera-singer parents. Started her career as a mezzo-soprano but has now pushed into high soprano territory, with often controversial results. Focuses her repertory largely on Italian music of the pre-Verdi era, and makes few operatic appearances outside Zurich, where she lives.

Hugely successful on record (she has been exclusively contracted to Decca for two decades) and in concert, she is rumoured to be the most highly paid classical artist in the world today. Love her or hate her – and some find her mannerisms infuriating – there’s no denying her star quality or musical integrity. Her fans keenly await her first attempt at the supremely testing title role in Bellini’s Norma in Germany this summer.

Eva-Maria Westbroek
One of today’s most impressive examples of a true singing actress, whose performances are as remarkable for dramatic subtlety as for vocal prowess. Born in the Netherlands, she began her career as a singing waitress in an Amsterdam restaurant but soon won herself a huge reputation singing a largely German repertory in European opera houses.

A favourite at Covent Garden since her stunningly powerful performances as Sieglinde in Die Walküre and Katerina in Shostakovich’s Lady Macbeth of Mtsensk, she returns here in the 2010-2011 season to sing two major roles – the saintly Elisabeth in Tannhaüser and the less than saintly Anna Nicole Smith in the premiere of Mark-Anthony Turnage’s new opera Anna Nicole.»

Manon Netrebko


(Netrebko como Manon)

Há cerca de dez anos, de malinhas aviadas - algures entre o fascínio do regresso à pátria e a tristeza profunda -, deixei a Ville Lumière. que havia sido a minha cidade durante um período considerável da minha vida.

Decidi presentear-me com um lugar burguês na Bastilha. Fleming preparava-se para estrear uma nova produção de Manon. Foi apoteótica: charmosa, certeira e rigorosa, com uma convicção teatral impressionante... e apoiada numa voz de ouro...

Anos e anos volvido, eis que a Manon de Fleming - a melhor do mundo, até à data!!! - parece ver-se ofuscada por aquela que seria LA MIA DONNA, não fora eu um respeitável pai de família...

Netrebko, em Londres, triunfa como Manon! Baremboim já o sabia - tal como eu!

«I’ve always held that Massenet’s Manon is an outright masterpiece, but never until now seen a performance that justified my belief (the old Monteux recording has been my lodestar). Antonio Pappano’s conducting must take great credit for this: vigorously muscular and boldly coloured, it never lets the score drift into whimsy or sentimentality.

Laurent Pelly’s production won’t please those who nurse a pink rococo vision of the piece. Austere to the point of ugliness (the Hotel de Transylvanie looks like a maximum-security facility designed by Philippe Starck), it is set in a Paris closer to the world of Manet and Zola than Fragonard and Louis Quinze.

But it has the great virtue of taking the characters’ emotional turmoil seriously, and telling the story with crystalline clarity. Nothing is souped up, nothing sugared: this becomes a credible human tragedy, in which greedy impulsive youth is outsmarted by venal hypocritical middle age.

Yet it’s the singing that gives the show its extra star. I don’t forget the terrific supporting cast, but it is without doubt the night of nights for the leads, Anna Netrebko and Vittorio Grigolo.


In the past, I’ve been resistant to La Netrebko’s charms, but not here. She gives herself wholeheartedly to Manon – enchantress, gold-digger, calculating little crook – and sings with polish and precision, without any of her usual approximate grabbing at the music. She was in magnificent voice (her top register spot-on in the Cours-la-Reine frolic) and her sheer joy in performing was contagious.

Opposite her Grigolo made a triumphant Covent Garden debut as Des Grieux. All his success with crossover romantic ballads might lead you to expect a vulgar crooner, but you’d be wrong. He balances his Italianate ardour with style and intelligence – his Saint-Sulpice aria was sung with lovely musical sensibility – and his good looks and energetic acting make him an appealing stage figure. A great operatic career lies in his sights, if he keeps his wits about him.»

Aix 0



Em antevisão, eis levantada a ponta do véu do Festival d'Aix, cuja grande atracção parece ser Don Giovanni, dirigido por Langrée e encenado por Tcherniakov:

«Bernard Foccroulle l'a toujours dit : la qualité passera avant la quantité. Avant la crise, il parlait de six productions, il n'y en aura que cinq, mais elles misent sur l'excellence. Le Don Giovanni mis en scène par le passionnant Dmitri Tcherniakov et dirigé par Louis Langrée, l'un des meilleurs mozartiens de notre époque, est d'autant plus attendu qu'il n'y avait pas eu de nouvelle production du chef-d'œuvre de Mozart depuis Peter Brook en 1998.

Époque classique encore avec l'Alceste de Gluck où devrait rayonner Véronique Gens, notre grande tragédienne. Deux propositions originales pour renouveler l'approche scénique de l'opéra : les marionnettes pour Le Rossignol de Stravinsky, avec les ombres chinoises de Robert Lepage, et la chorégraphie avec le Pygmalion de Rameau où les chanteurs de William Christie se mêleront aux danseurs de Trisha Brown. Création, enfin, avec El Regreso d'Oscar Strasnoy, commande du festival. Sans oublier les concerts des jeunes de l'Académie et ceux du London Symphony Orchestra, en résidence à Aix-en-Provence avec sir Colin Davis.
»

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Etiquetas, ossia Taking care of You & Me :)

O avisado leitor reparará que, doravante, na coluna da direita, para o final, há uma lista de Etiquetas, que facilitará a pesquisa de temas. Por enquanto, ainda tenho por diante a árdua tarefa de categorizar, nada mais, nada menos, que 1600 posts!!!
50 já estão arrumadinhos!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Callas, Medea & Pasolini






Estarrecido, em êxtase... anuncio... No monopólio da distribuição discográfica, encontra-se à venda a famigerada Medea, de Pasolini, com LA CALLAS... Não resisti!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Interlúdio psicanalítico, ossia DA REIVINDICAÇÃO HISTÉRICA



As investidas continuas e incessantes de Moura Guedes contra Sócrates têm um nome, em termos psicanalíticos: reivindicação histérica. O que a senhora quer é que o poder - que o primeiro-ministro representa - "dê conta dela". A argumentação da verdade jornalística é pura cosmética neurótica. Nestas situações, a coisa vai ao lugar com um Homem, que ame plenamente.

Tentação do Diabo, ossia O Pecado da Carne

Homem que é homem entrega-se à fabulosa Thaïs, d'après Fleming...

Em degustação...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Liberdades interpretativas ?!


(Salomé, por Gustave Moreau, 1874-1876)

Muito tem este blogger reflectido sobre as liberdades interpretativas do encenador!

Baseando-me na perspectiva freudiana sobre a discrepância entre conteúdo manifesto (consciente) e latente (pré-consciente e inconsciente), considero que algumas das soluções propostas pela encenação se apoiam em aspectos que, apesar de se encontrarem omissos das tramas, vão de encontro a questões pertinentíssimas, camufladas pela repressão.

Contra (alguns) colegas de discussão, reitero: Tosca também deseja Scarpia e Iago sente uma fortíssima atracção por Otello. De outros casos, por ora, não falarei...

Vem esta prosa na sequência da recente mise-en-scène (Negrin) de Salomé, a que o Palau pode assistir:

«No sé qué hubiera pensado pensado Richard Strauss ni, mucho menos, Oscar Wilde, en cuya obra homónima está basada la ópera, viendo a Salomé violada por Herodes desde la infancia. En el libreto no hay nada de eso, sino un despertar sexual de la princesa, que se desliza, vertiginosamente, desde la virginidad hasta la necrofilia. En principio, el director escénico no debería insertar historias adicionales que cambien el eje principal del drama. Pero Francisco Negrín sugirió sin ambages, con proyecciones y acción escénica, el abuso reiterado sobre la menor como origen de la complicada evolución sexual de Salomé: problema solventado.»

Netrebko dixit





terça-feira, 22 de junho de 2010

Dark Hope



Por vias heterodoxas, cheguei a Dark Hope que é, assumidamente, um registo pop, nada tendo de crossover!

Why not, guys?!

domingo, 20 de junho de 2010

Lady Macbeth of Mtsensk (2/2)

Lady Macbeth of Mtsensk é uma notável ópera de Chostakovitch, tendo sido estreada – e rapidamente banida – em 1934, em Moscovo. Em 1962, o autor revê a peça - Katerina Izmailova, doravante -, introduzindo-lhe algumas modificações.


(Westbroek, como Katerina, na cena do casamento)

No essencial, a trama assenta numa fina e meticulosa caracterização da natureza humana, no que de mais sórdido e abjecto a mesma contém. O poder e exaltação do princípio do prazer - que se consubstanciam na luxúria - encontra-se em permanência à tona, ao longo desta peça: em nome do puro prazer e desejo de domínio, engana-se, mata-se e corrompe-se.


(Sergei - Ventris -, subjugando Zinovy - Ludha)

O argumento centra-se num território onde se cruzam perversão e psicopatia: a dissolução moral e corrosão psíquica atingem limites inusitados, como em nenhuma outra peça lírica! Em lugar da evocação simbólica, Chostakovitch investe na crueza, frieza e dilaceração.

A música é sombria, sinistra e desconcertante, criando, em permanência, um clima de extrema tensão, desconstrução e ruptura. O sórdido e abjecto estão omnipresentes.


(Ventris e Westbroek, ossia Sergei e Katerina)

A encenação (Martin Kusej) é um prodígio, fazendo do grotesco e sórdido a sua espinha dorsal. Em lugar de uma estética sexy, pueril e equilibrada, apoiada numa beleza tão característica da contemporaneidade – figuras esbeltas, magras, corpos harmoniosos e trabalhados -, a encenação rodeia-se de homens e mulheres tremendamente feios, obesos, bem redondos, de fácies assustadoramente animalescos. As cores estão dominadas pelo escuro e sombreado – cinzas dégradés, escarlates esbatidos, branco conspurcados.




(Eva Maria Westbroek, como Katerina)

De entre os solistas, Eva Maria Westbroek e Christopher Ventris sobressaem. Ela compõe a Katerina assoluta, destronando a extraordinária Galina Vishnevskaya. Westbroek é ardilosa, decadente, luxuriante e selvática. Ventris compõe um Sergei maligno, calculista e absolutamente abjecto. Perto da sua personagem, o temerário Iago é um aprendiz...

Por fim, Mariss Jansons dirige um Concertgebouw colossal e imenso, surpreendentemente poético...

Em nome da luxúria e do prazer sem regras... PURO DELEITE!

_______

* * * * *

(5/5)