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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

La Feérica!!!




(Angelika Kirchschlager)


Angelika Kirchschlager e Orquestra Gulbenkian, com direcção de L. Foster: De Viena até à Broadway

1 de Dezembro de 2011


Angelika Kirchschlager é um mezzo-soprano lírico, dotado de grande versatilidade interpretativa e cénica. Possui uma voz clara e límpida, fina e graciosa, abordando papéis tão dispares como os travestis handelianos, mozarteanos e straussiano, os buffos da operetta da sua Viena, os puramente líricos, ou ainda – pasme-se!, a Carmen, aspiração suma de qualquer mezzo-soprano. De permeio, faz ainda uma perninha no musical, seja via Kurt Weill, Bernstein, ou Cole Porter! Se seguir as pisadas da grande Von Otter – La Camaleónica –, ainda encerra a carreira a interpretar êxitos pop dos eighties

Aos 47 anos, Kirchschlager encontra-se no auge da sua carreira. A figura – esbelta e elegante – ajuda um tanto, é certo! O cabelo esvoaça livremente, o corpo gracioso entrelaça-se com a música, enchendo o olho do espectador… A voz é uma bênção, cuidada, firme e (quase) sempre bem apoiada.

O programa contava com trechos de operetta vienense e francesa, uma pitada de Carmen, terminando com excertos de musicais da Broadway. Bem ajustado às suas qualidades expressivas e histriónicas, dir-se-ia.

Angelika Kirchschlager está como peixe na água, no que se refere à operetta. Faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas, cantando e dançando pelo caminho! Domina os quesitos desta arte buffa: mímica expressiva e rica, frenesim constante, sendo bastante convincente nos momentos mais poéticos, que convocam certo recolhimento (“Mein Lippen…” e “Im Chambre séparée”).

Saltita, de seguida, para a Carmen, inundando-a de sensualidade e brilho!

Nos duetos – “Belle nuit” e “A boy like that” – é magnificamente acompanhada (Patrycja Gabrel), acusando aqui e ali alguma fadiga, particularmente visível na respiração menos dominada.

Encerra com chave de ouro – Kurt Weill e Cole Porter -, oferecendo uma September song terna e doce…

Quanto a Foster, recomenda-se mais contenção! A orquestra, maioritariamente em fortíssimo, abafou as vozes e o ritmo proposto enfermava de excessiva aceleração! Ainda assim, a Suite de Porgy and Bess evidenciou harmonia e brilho.

Mais rica e versátil do que a graciosa Angelika, na actualidade, não há ;-)

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(5/5)