
Em Camille, filme baseado em A Dama das Camélias (Dumas Filho), Garbo constrói uma Margarida Gautier algo fria e distante. Qualquer das grandes Violetta Valery (Callas, Cotrubas, Netrebko, Caballé, Theodossiou, Gheorghiu, Stratas e Scotto, de entre as mais destacadas) assume uma incandescência dramática que ofusca a interpretação de Greta Garbo.
Será uma comparação pouco legítima, anacrónica (entre outras razões)?
O génio de Verdi também se revela em La Traviata, que se baseia, de igual modo, em A Dama das Camélias. O fulgor e passionalidade de Violetta destronam Mlle Gautier, seja ela Garbo ou a original.
Já em O Anjo Azul, o genial Stenrberg, coadjuvado pela dupla Dietrisch – Jannings, constrói uma impressionante metáfora da decadência, uma das mais poderosas e impressionantes do cinema. O professor (Un)Rath entrega-se ao amor objectal, que constituirá a génese da sua destruição narcísica. Haverá imagem da humilhação mais grandiosa?
