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domingo, 24 de abril de 2011

Wo ist sie?!



Todos sabemos que Caballé foi uma exímia Straussiana, nos anos 1960, quando era pouco conhecida do mundo lírico. O predomínio do repertório straussiano remonta aos tempos de Basileia. Doravante, o belcanto tornou-se na especialidade da casa, apenas restando o papel titular de Salome no activo.

A pérola que encima este texto ilustra o mencionado tempo da cidade suíça, em que Caballé intercalava os papéis titulares de Arabella com Salome… e a Marechala!

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In 1959, when Glyndebourne festival was in its tiny old theatre, Richard Strauss's grand Der Rosenkavalier seemed unlikely to succeed. But Carl Ebert's new production proved a classic. In the 1965 revival from which this live three-CD set is taken, Montserrat Caballé – in full vocal bloom - made her festival debut. This is her only recording in the role of Marschallin. The glorious cast includes Edith Mathis (Sophie), Teresa Zylis-Gara (Octavian) and Otto Edelmann (Baron Ochs). The LPO plays with flamboyance and delicacy in the expert hands of chief conductor John Pritchard. If the sound is a bit rough and boxy, the music joyfully breaks free. The celebrated Trio provides a properly succulent finale

O leitor mais avisado não se ficará pela glória de Montserrat Caballé, posto que o elenco deslumbra qualquer um, ou não?!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Carlo & Carlo e Elisabetta



Iniciei-me no Don Carlo pela mão de Solti, há mais de dez anos.

À época, residia em França, onde reinava uma ditadura tremenda no tocante à suma referência desta ópera verdiana. Submeti-me e segui o trilho do maestro húngaro.

A voz declinante da Tebaldi desagradou-me profundamente, o resto tendo-me convencido. Quanto à coisa-em-si – o Don Carlo -, agradou-me, estando uns pontos abaixo do meu Verdi de eleição (à época): trilogia, Aïda, Otello, Falstaff, Simon Boccanegra.

Anos depois, retomei o Don Carlos – ossia, a versão francesa, diferente da italiana. Desta feita, segui a batuta de Pappano & Bondy. A produção é absolutamente histórica, com Mattila, Alagna e Hampson deslumbrantes. À segunda, a coisa bateu com maior intensidade, tendo a ópera subido uns bons pontos no meu best of verdiano.

À terceira, a coisa foi avassaladora…

Neste Don Carlo, há os que cumprem – Foiani -, os que se destacam – Estes, Raimondi, Verrett e Milnes – e os deuses, que se transcendem – Domingo & Caballé e Giulini.

Giulini dirige sinfonicamente este Don Carlo, com gestos amplos e grandiosos, sublinhando o lirismo e majestade da partitura. Exaltante!

Domingo compõe um herói arrebatado, valente e audacioso, absolutamente envolvido na trama edipiana que o une eroticamente a Elisabetta e, com marcada ódio, a Filippo. A voz é modelar, de timbre heróico e robusto, cheia, com uma segurança e limpidez espantosa.

Caballé é, para mim, uma das maiores cartadas desta interpretação. A sua Elisabetta é uma aristocrata, abnegada e sofrida, de gestos grandiosos e heróicos. A voz transpira erotismo e sensualidade, aérienne e esvoaçante: paira em permanência, nunca pousando, excitando com uma graciosidade enlouquecedora…

Em estúdio, Caballé é A Elisabetta. Em cena, como imaginará o leitor avisado, Mattila leva a melhor, em mais não diz um homem casado…

Termino com breves referências aos demais intérpretes: Verrett compõe uma Eboli dilacerada, Milnes um magnífico Rodrigo – humano e corajoso, com uma voz bela e de craveira verdiana – e Raimondi desenha um Fillipo teatralmente irrepreensível, cujo calcanhar-de-aquiles é a relativa superficialidade dos graves.


Evidentemente, o Don Carlo – mais ainda que o Don Carlos – é uma das mais belas peças líricas de sempre, majestosa como poucas (Tristan, Parsifal, Guglielmo Tell), de uma fluidez, equilíbrio e coesão impressionante, com uma escrita épica e de uma grandiosidade melódica, teatral e expressiva inusitada.

E ainda há quem vacile diante das obras indispensáveis numa ilha deserta…

Este artigo vai direitinho para a coluna ds best of '09!

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(6/5)

ps nos confins da minha arca – entre milhares de outras obras… - três são os Don Carlo que aguardam uma cuidadosa e aturada apreciação: Santini (EMI), Santini (DG) e Muti (EMI – dvd).

Excitações...



Não ensandeci, não, caro leitor! Como em tudo na vida, há paradoxos e dissonâncias…

Honestamente, responda-me: há mais desejável – carnal e espiritualmente – Aïda e Elisabetta di Valois do que as da Caballé???

Esqueçam o embrulho e atentem no timbre único, pueril e límpido, vibrante, cheio de encanto… com aqueles pianissimi lendários, capazes de desencadear erecções nos diabéticos de longa data…