sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

7 de Dezembro: (glorioso) dia 1º da Era Lissner

Perplexidade, espanto e estupefacção: eis a tríade que domina a minha mente, depois de ler uma crítica (outra...) absolutamente antagónica à que aqui coloquei, ontem, relativamente à abertura da temporada do alla Scala.

A subjectividade tem destas particularidades...

Não pretendendo apregoar um discurso monolítico - nomeadamente no que toca à apreciação crítica sobre a criação (seja ela de que natureza for...) - e sendo certo que a singularidade e subjectividade devem imperar, em matéria de apreciação da expressão - mais que não seja porque definem a condição humana! -, não deixo de me questionar (sempre) diante de visões em tudo antagónicas...

Em jeito bem mais prosaico, ao meu estilo, pergunto se os senhores do TELEGRAPH e do LE MONDE estiveram presentes na mesma soirée?

Que a produção de Bondy suscite polémica, não me espanta; espanta-me, sim, que duas criaturas teçam considerações técnicas (objectivas, pergunto?!) radicalmente diferentes, por exemplo, a respeito das prestações vocais dos intérpretes!

Pensemos nos limites da subjectividade / objectividade, eis a minha proposta!

1 comentário:

Paulo Esteireiro disse...

Eis um assunto que me interessa sempre. E dada a excelente qualidade das suas críticas, confesso que gostaria de saber os critérios com que normalmente avalia a representação de uma ópera.

Grosso modo, eu costumo-me ficar por uma análise superficial dos principais elementos da ópera (cenografia, encenação, luzes, etc.) e depois centro-me nas qualidades do trabalho dos cantores em duas vertentes: teatral e canto. Na teatral, avalio a dimensão humana incutida na personagem (maior ou menor superficialidade); no canto, a força da voz, a beleza do timbre, a expressão vocal, o virtuosismo técnico e a segurança em difentes segmentos do âmbito vocal.

No entanto, sei bem que as suaa críticas têm critérios que vão a um pormenor mais profundo que as minhas e, por esse motivo, gostaria de aprender algo consigo.

Abraço amigo,
Paulo Esteireiro