quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Silent Noon... Forever Terfel!


(DG 00289 477 5336)

Meses volvidos sobre a aquisição deste disco, a ele regresso, a pretexto de uma opinião. Regresso invariavelmente a Terfel, sempre movido pelo deslumbramento. São assim, as figuras maiores...

Terfel consagra este registo, em exclusivo, à English song, abarcando compositores britânicos do final do século XIX. Britten e Vaughan Williams figuram entre os mais destacados, constituindo o segundo um
eterno retorno para o intérprete (vide, nomeadamente, DG 445 946-2).

Não hesito, um segundo, em repetir a minha confessa quase absoluta parcialidade, quando de Terfel se trata.

Para a posterioridade, gravou um Figaro de antologia, sob a direcção de Gardiner (ARCHIV 439 871-2) - a que aludi aqui -, todos os papeis de baixo-baritono de Don Giovanni, qual deles o mais pleno e, num registo diametralmente oposto, dois Jochanaan divinos (DG 431 810-2 e DECCA 444 178-2), para não falar do papel titular de Falstaff, disponível em video (BBC OPUS ARTE OA 0812 D) e cd (DG 471 194-2), cuja interpretação não tem, na actualidade, a mais discreta sombra de rival!
Aos quarenta anos, rien que ça, voilà!

Pelo caminho, ficam momentos menos felizes, ditados pela pressão editorial, que me escuso de elencar... Duos com Celine Dion e Andrea Bocceli... Enfim...

A few post ago, fiz referência a uma extraordinária interpretação de lieder de Schubert, a cargo do barítono galês. Regressando ao domínio intimista da canção, neste registo, uma vez mais, Bryn Terfel transcende-se.

A voz - colossal, mas dócil, cheia e plena, mas invariavelmente delicada -, cujo timbre irradia humanidade, mantém a sua invulgaríssima plasticidade: cada poema, cada canção conta com uma emissão única, ora terna, ora maniforme, ora contida.

Prodigiosa, também, é a expressividade deste interprete, que retrata estados de alma radicalmente dispares como quem muda de roupa: da euforia desconcertante e contagiosa de Money, O! (faixa 24), transita para a absoluta contenção, ditada por The Lord´s Prayer (faixa 25).
Extraordinário, extraordinário, extraordinário!

Aprecio, igualmente, o risco da escolha do repertório, maioritariamente desconhecido do grande público. Ainda assim, o mérito deste registo radica numa soberania interpretativa singularíssima (que deveria fazer escola), apoiada em dotes histriónicos homeopáticos, e veiculada por uma das mais belas vozes de barítono que conheço!

(aqui para nós, se Terfel tivesse nascido há setenta anos, Fischer-Dieskau não teria brilhado sozinho...)

7 comentários:

MyHiraeth disse...

Caríssimo Punito..!
Fico feliz por encontrar alguém que faça eco aos meus pensamentos! De facto, Silent Noon é um album absolutamente espantoso, talvez dos melhores gravados por esse gigante encantador que povoa os meus sonhos...
No entanto, não posso deixar de referir um outro album que adoro desalmadamente (perdoem-me as minhas emoções vulcânicas...): The Welsh Album. O amor pela pátria aliado à musicalidade natural dos galeses é irresistível!
Aguardo comentários!

Il Dissoluto Punito disse...

Antes de mais, who r u? Hugo?...
Bom, em boa verdade, não me fascinam as interpretações étnicas de Terfel, mas não conheço suficientemente bem o cd em questão...

Quanto a Terfel, é sem dúvida um colosso! Também os meus sonhos contam com a sua soberana presença ;-)

Quando conhecer melhor a obra em questão, opinarei!

MyHiraeth disse...

Punito... não sou o Hugo, decididamente - mas foi ele que me chamou a atenção para este postal sobre o Terfel neste maravilhoso blog, que eu aliás já tinha encontrado nas minhas deambulações cibernéticas. Que têem como ponto de partida, quase invariavelmente, o Terfel, o Terfel, e, por fim...o Terfel. E a ópera, claro. Que também adoro desalmadamente (lá estou eu outra vez..)

Quanto à questão étnica da coisa, admito perfeitamente que possa não reunir consenso. Mas vale a pena uma audição atenta. Recomendo especialmente os temas "Sul i blodau - Palm Sunday" e "Hiraeth" -a minha fonte de inspiração!

Entretanto, o dever chama-me, mas voltarei brevemente, o vício deste blog já não tem remédio...talvez com um poema ou outro -serão bem vindos neste espaço?

Até logo, Punito Dissoluto...

LeGrandMacabre disse...

Fala-se em etnicidade e la vem o Etnomusicólogo à baila. Apraz-me constatar a proximidade (também física) dos apreciadores de música em geral (e de ópera e Terfel em particular). Caro Punito, gostaria ainda de acrescentar que falei com a Teresa cascudo que manda saludos a partir da Uni Rioja. Para a semana a lista

Hugo

MyHiraeth disse...

Pois é, Le Grand Macabre, etnomusicólogo expiatório das etnicidades que andam por aí... também estou grata pela proximidade - física e etérea (wow!!!)- que encontrei.

De facto, os caminhos da música levam-nos sempre a bons portos (excepção feita aos ratinhos de Hamlin..).

Obrigada, Dissoluto, por este espaço!

um beijo de fada galesa nas vossas testas!

Il Dissoluto Punito disse...

Deus meu! A ansiedade paranóide tomou conta da minha pessoa!!! Mas afinal, myhiraeth, quem és tu?!

Il Dissoluto Punito disse...

Caríssimo Hugo, a Teresa disse-me que falaram da minha pessoa ;-))
Abraços e volta sempre (com ou sem lista)