quarta-feira, 20 de julho de 2005

A propósito da extinção do Ballet Gulbenkian...

Muita tinta tem corrido, nos últimos tempos, na sequência da questionável decisão da Fundação Calouste Gulbenkian, relativa à extinção da sua companhia de bailado.
Considero está decisão questionável e polémica. Ainda assim, por incrível que pareça, não me choca !

Durante temporadas a fio, segui religiosamente as apresentações do Ballet Gulbenkian. Confesso que a saída de Jorge Salavisa, da direcção artística da companhia em questão, marcou o fim de uma época gloriosa.
Esta é, obvia e assumidamente, uma apreciação subjectiva, não sendo tecnicamente fundamentada !
A verdade é que há muitos anos, apenas esporadicamente, assisto a algumas apresentações do Ballet Gulbenkian. A sensação com que fico, invariavelmente, é de tédio e desânimo.

Compreendo o movimento de oposição à recente decisão da administração Vilar. De igual modo, compreendo a decisão da administração, se a entendermos - também - alicerçada numa lógica de qualidade e renovação.
Porque não financiar outras companhias de bailado, ditas independentes, em lugar de manter uma companhia de bailado que - repito -, na minha singela opinião, tem vindo a perder qualidade?

Outro aspecto que me parece importante destacar tem que ver com a circunstância de a FCG ser uma fundação privada - não devendo ser confundida com o inexistente Ministério da Cultura -, embora saibamos que se encontra ao serviço da investigação e cultura, tendo por missão subvencioná-las.

Por mais que me esforce, mantenho a esta convicção inabalável: há na sociedade portuguesa uma inexorável tendência para a dependência, com várias expressões.
De ânimo leve, exige-se da FCG que tudo mantenha e financie, dada a inverosímil expressão estatal nos domínios da cultura !
Extraordinária reivindicação, esta !

Quanto a algumas apreciações que têm sido feitas, a respeito da figura de Rui Vilar, muitas delas - com o devido respeito - recordam-me as doutas considerações de José Gil, que descreve a inveja como uma traço da identidade portuguesa...

2 comentários:

CV disse...

Uma lúcida intervenção que só agora pude ler. Bravo pela lucidez e pertinência.

Il Dissoluto Punito disse...

Obrigado, caro César ! As suas palavras dão-me alento !!!!!! Um abraço,
João