quinta-feira, 28 de junho de 2007

São Carlos: Temporada Lírica 2007 / 2008

Eis a síntese da dita temporada, via site oficial do Teatro Nacional de São Carlos:

- RIGOLETTO, de Giuseppe Verdi

- DAS MÄRCHEN, de Emmanuel Nunes

- LA CLEMENZA DI TITO, de Wolfgang Amadeus Mozart

Noite Serguei Rakhmaninov
- ALEKO

- FRANCESCA DA RIMINI

- LES CONTES D'HOFFMANN, de Jacques Offenbach

- TOSCA, de Giacomo Puccini

Uma rápida leitura desta programação lírica leva-me a algumas constatações:

- a nova direcção eliminou o salutar projecto wagneriano iniciado com Pinamonti (que supostamente deveria prolongar-se por mais duas temporadas: Siegfried, em 2008, e O Crepúsculo dos Deuses, em 2009);
- Emanuel Fura - Tímpanos Nunes, finalmente, apresenta a sua criação, que fora encomendada há anos;
- Chelsey Schill sera a prima donna do TNSC, dado que participa em 5 das 8 produções (não sei quem é a Senhora…);
- Elisabete Matos interpreta Tosca;
- Recitais? Népia!

- Concertos? Do piorio!
- Estrelas? Claro! José Cura (
Theodossiou já era, e mais não digo).

Moral da história: a nova direcção do TNSC promete, em matéria de desrespeito pelo público – vide Trilogia wagneriana, que redundou em Prólogo + 1-, bem como no capítulo do mau gosto – José Cura é de uma mediocridade confrangedora!

Nem no tempo de Ferreira de Castro a coisa foi tão manhosa...

16 comentários:

Hugo Santos disse...

Desculpe-me João mais esta manifestação mas o mais provável aconteceu. Muda a direcção, muda tudo de forma transversal. A avaliar pelo que vi no site e na Lusa, o estado de coisas só piorou. Em termos o mais sintético possíveis: os elencos são compostos por cantores da 'quinta dimensão' (como eu lhes chamo), há nomes que se repetem (além da sra. Schill temos o sr. Morillo), a encomenda ao sr. Emmanuel Nunes deveria ter sido liminarmente cancelada. Fico por aqui, restando-me insistir no substantivo "nome". De facto, é tudo quanto se pode dizer acerca de cantores dos quais nunca se ouviu falar. Termino, desta vez definitivamente, com os interpretes que espero dignifiquem esta temporada: Lado Ataneli, Saimir Pirgu, Elisabete Matos, Vladimir Vaneev, Herbert Lippert, Adriana Damato e Vesselina Kasarova. O restante parece-me assaz confrangedor.

Anónimo disse...

Podemos seguramente fala de uma decadência do S.Carlos. E se não é assim, vejamos este exemplo.
Na temporada de 1969 eu vi em Lisboa entre outros cantores: Elena Souliotis, Carlo Bergonzi, Fiorenza Cossoto, Alfredo Kraus, Sesto Bruscantini, Antonietta Stella e Ernest Blanc.
Na temporada de 1976 eu vi:
Brigit Nilsson, Carlo Bergonzi, Fiorenza Cossoto e Matteo Manuguerra.

Anónimo disse...

O comentário anterior é meu.
Raul

Anónimo disse...

João, o Cura pode ter defeitos e têm-nos, mas é um tenor para ouvir. Há ali muita voz, um timbre muitas vezes bonito e muita interpretação. Isto tudo para não falar na presença física. O problema principal é muitas vezes falta de estilo e o mau gosto em alguns momentos.
Raul

Anónimo disse...

Estou cá com uma vontade de mudar a minha assinatura para a Gulbenkian...

Filipe

Il Dissoluto Punito disse...

Hugo,

Tirando Vaneev, conheço e admiro todos os demais ;-)
Não sei se contribuirão para um saldo positivo... Tenho cá as minhas dúvidas...

Il Dissoluto Punito disse...

Raul,

Já vi o Cura ao vivo - no Otello - ladeado pela Matilla.
Ele é apenas um óptimo actor! A partir do final do acto II, deixou de se ouvir... Além disso, é muito, muito parolo e cagão, sem ter razões artísticas para isso!

Il Dissoluto Punito disse...

Filipe,

Eu cá já reservei duas assinaturas para a música antiga ;-)

Anónimo disse...

Olá.

O Vanevv cantou um excelente Boris em Lisboa. Cantou também em Lisboa o Cavaleiro Avarento na que foi talvez a melhor produção em absoluto da antiga direcção do TNSC. Também já o vi no papel de Pimen ao lado do Boris do Samuel Ramey e o Vanevv em nada ficou diminuido!

J. Ildefonso.

Anónimo disse...

Acho que grande parte da Temporada já devia estar alinhada pela antiga direcção do TNSC. Talvez falta-se escolher os elencos. A Opera do Emanuel Nunes aparentemente estava encomendada à muito tempo... e o Wagner está programado para o próximo ano.

J. Ildefonso.

Il Dissoluto Punito disse...

João,

Seja como for, convirás que não há nada de particularmente desejável na próxima temporada, não?

Anónimo disse...

De facto,não será muito agradável para os assinantes do são carlos ouvir os mesmos cantores durante toda a temporada.Para o são Carlos é concerteza mais barato ter cantores residentes a quem paga mensalmente do que contratar cantores freelancer que ganham à recita, quem fica a perder é o publico e os cantores a quem não são dadas oportunidades porque os papeis que poderiam fazer estão entregues a cantores residentes, a sra Schill, o sr. Morillo, o sr. Bauer...

Anónimo disse...

Se querem que vos diga, estou cansado de que me passem a perna constantemente. Vou mesmo para a Gulbenkian enquanto não arranjarem uma direcção com pés e cabeça e que desenvolva um projecto a LONGO PRAZO.

Filipe

Anónimo disse...

Sim caro João

Não há nada de especialmente tentador. A cantora, Sr Schill, sei que cantou uma obscura Despina no Luxemburgo! Não me pareçe grande curriculo:-))

O Filipe tem razão mas acho que não merecemos uma direcção com pés e cabeça. Quando a tivémos, com ciclos de Janacek, Bellini, Pucini... Troianos e Guilherme Tell, o público era unânime em desaprovar:-)) Não gostou da Voigt, Fritolli, a Tomova Sintoow achou velha, etc, etc.

J. Ildefonso.

Xico disse...

O que me admira é não terem agendado uma missa de requiem?! É o mais apropriado nestes casos.

Ricardo disse...

Da nova temporada destaco o nome português no elenco de Rigoletto: Carla Caramujo.

Para quem não a conhece, recomendo vivamente que vá assistir a uma das récitas em que ela canta, porque ela é, simplesmente, fantástica.
Tive oportunidade de trabalhar com ela numa produção do Così fan tutte por estes lados nortenhos, em que ela cantava a Fiordiligi e a voz é um prodígio técninco, além de ser um timbre extremamente agradável e, na minha opinião, perfeito para o papel de Gilda, bem como uma presença e expressividade em palco assinaláveis.

Creio que não vai desiludir ninguém, muito pelo contrário.