terça-feira, 31 de maio de 2005

Arabella, de R. Strauss I - detalhes...

Sou um admirador confesso da ópera straussiana !

De entre os compositores modernos seus contemporâneos - Janacek, Schoenberg, Bartok e Berg -, Richard Strauss foi claramente o mais expressivo, em termos de produção operática. Aliás, são várias as óperas deste compositor que se mantêm em repertório, nos nossos dias.

Arabella foi a derradeira obra nascida da colaboração entre Richard Strauss e Hugo von Hofmannsthal, dupla ilustríssima, responsável por composições como Elektra, O Cavaleiro da Rosa, Ariadne de Naxos, A Mulher sem Sombra ou Helena do Egipto.
Desta feita, o propósito da dupla centrava-se na composição de uma peça estruturalmente similar a Der Rosenkavalier, capaz de alcançar igual sucesso.
Tragicamente, a colaboração entre Strauss e von Hofmannsthal foi interrompida pela súbita morte deste último, escassos dias após o suicídio do próprio filho, quando apenas o primeiro acto da ópera se encontrava concluído...

A première teve lugar a 1 de Julho de 1933, em Dresden, sob a direcção de Clemens Krauss, contando com Viorica Ursuleac na pela da protagonista.

À semelhança de O Cavaleiro da Rosa, Arabella é trespassada pela comédia. Em ambas as óperas, envoltos em clima de inefável ligeireza, são expostos aspectos menos nobres e, forçosamente mais encapotados, da sociedade vienense, respectivamente, de setecentos e de finais do século XIX.
Efectivamente, em Arabella, autenticidade, nobreza de carácter, fidelidade, castidade e pureza, coexistem com vício, ocultismo, oportunismo e superficialidade das aparências, mantidas a qualquer preço !
Não foi sempre assim, afinal...


De entre as mais famosas produções straussianas, Arabella jamais passou de distante enteada ! A prová-lo, veja-se o reduzido número de gravações de que esta obra foi alvo, sendo que, a maioria das mesmas, resultou de gravações ao vivo !

Quiçá
, falta-lhe o arrojo de Salomé e de Elektra - óperas avant-garde -, ou a profundidade de Capriccio e de Ariadna, criações meta-operáticas, capazes de relançar, em moldes singulares, questões tão nobres e prosaicas, à la fois, como trágico vs cómico, sério vs bufo ou ainda a eterna questão em torno da primazia da palavra ou da música, tema essencial e transversal a toda a criação lírica.

(continua...)

4 comentários:

César Viana disse...

Também adiro visceralmente à ópera de Strauss. É talvez o único verdadeiro compositor de ópera do século XX, na medida em que o foram Mozart, Wagner, Verdi, etc. Isto não implica gostar mais ou menos das criações de Berg, Bartok, Henze, Ligeti, Janacek..., mas Strauss é um homem do métier, tem sempre uma ferramenta expressiva em qualquer circunstância, cómica ou trágica, já que era, profunda e essencialmente, um homem de teatro.

Il Dissoluto Punito disse...

Prima la musica ? Dopo la parola... l´inverso !?

César Viana disse...

Prima l'esspressione!

Anónimo disse...

Prima la musica. A palavra sugere, mas não faz nascer.
Raul