sábado, 13 de março de 2010

Novidades... ou VIRA O DISCO E TOCA O MESMO?!

Discutível ou não, a estratégia comercial da EMI tem vingado: reabilita o fundo de catálogo, vezes sem conta, com operações cosméticas – mudanças de embalagem -, acompanhadas (?!) de melhoramentos técnicos.

Pessoalmente, parece haver uma mera transformação dos invólucros... Se há, ou não, melhorias na qualidade da difusão sonora dos registos, desconheço... O meu prosaico ouvido não é sensível à melhoria de qualidade apregoada pela empresa.

O ponto mais central prende-se com o engodo em que o incauto comprador pode cair: quase todos os registos que apresento abaixo já figuravam noutras colecções, mid-price, que incluíam os libretos. Pois saiba o respeitável leitor que esta “nova” reabilitação, não só não contém os ditos libretos, como é comercializada a preços que roçam o obsceno!











15 comentários:

portasabertascadeirasaosoco disse...

Sim,é muito verdade,quando vejo esses preços,até me apetece partir os discos,um insulto que até deve revirar no túmulo os grandes músicos que já se foram.Depois queixam-se da pirataria e demais interesses....é muito bem feito,são uns gananciosos.Até fiquei contente que a EMI tenha perdido o processo em tribunal contra os Pink Floyd.Bem feito :)

Hugo Santos disse...

Tem toda a razão, João. Quando a EMI lançou esta novela leva de reedições constatei que os preços não eram tão simpáticos quanto à primeira vista julguei que seriam.

Anónimo disse...

É como eu disse há dias: passado e presente confundem-se. Edita-se a Callas a todo o momento, porque é a que dá mais dinheiro, não importa que a gravação tenha 55 anos, e fazem-na sair acompanhada de gravações como a Manon que é de 1999.
RAUL

José Quintela Soares disse...

Por estas e por outras...é que o encarregado de uma conhecida loja onde nos "abastecemos" todos...confessou-me há dias que em 2009 venderam 40% do que tinham vendido em 2008...e que este primeiro trimestre estava uma "calamidade"...

portasabertascadeirasaosoco disse...

As pessoas já não se contentam com caixinhas lindas a cheirar a mofo por dentro,querem pagar mas por coisas realmente novas.Vender o passado ao preço do amanhã,é lançar o consumidor na busca da pirataria e da ilegalidade.Nas grandes editoras,os cabeças pensantes,ainda devem julgar que só os adolescentes é que fazem downloads ilegais...por este andar,as prateleiras das lojas hão-de ganhar muito pó!

Anónimo disse...

A ordem dos nomes não respeita a importância da personagem no Rigoletto, Barbeiro, Turandot e Contos de Hoffmann. Tudo de acordo com o business. A excepcional Elektra do Mitropoulous tem três nomes na capa, o da Electra, da Chrisothemis e de uma das servas, porque esta é interpretada pela Horne, então na Alemanha ainda em fase inicial. Tudo isto me irrita.
RAUL

Mr. LG, el Mister disse...

Não sei porque é que a EMI lança de novo a TURANDOT/CALLAS quando ainda há pouco a lançou no GREAT RECORDINGS OF THE CENTURY. Bem... eles lá sabem... :-/
... então para Marketing de engodo, como diz o nosso Dissoluto, é bem com eles. Não só a EMI, como todas as Majors tradicionais da dita Múisica Clássica.
Esta TURANDOT Great Recordings ainda não a apanhei por cá, nem a vi recentemente na minha viagem a Madrid no hipermercado da cultura lá do sítio :-(
By the way, nem o famosíssimo Recital WAGNER/HOTTER/NILSSON/LUDWIG que a EMI lançou recentemente nos seus Great Recordings.
Eu sei que isto tudo são novas roupagens Marketing de engodo EMI... mas o new Packaging, a resmasterização e SÓ ALGUNS(!!) preços compensam. Para quem não tenha alguns títulos, compensa. Mas atenção aos preços, mais uma vez.
Apesar de já ter esta gravação TURANDOT/CALLAS na ediçao de 1987, se esta mesma for Remasterização de 2008/09, ainda a considero. :-)... :-\ ???
Isso das resmasterizações é outra BODEGA. Lá (re)comprei O PARSIFAl do Knappertsbusch de 62 a Full Price (!!) quando a PHILIPS ainda era PHLIPS e (re)lançou o seu catálogo de prestígio na Colecção 50 Years/ 50 Great Recordings. Para vos dizer a verdade esta nova resmasterização só MINIMAMENTE (!!) melhorou a reprodução sonora daquela histórica gravação... :-\
Agora A resmasterizaçao nesta mesma coleccção da WALKURE de 67 BAYREUTH NILSSON/ADAM/KING/RYSANEK/BOHM, LITERALMENTE ABANOU COM A MINHA CASA!! :-D :-D ;-))

... há um tempão que por aqui não andava. ;-)) é um Prazer, sempre! Dissoluto
See ya all
LG

J. Ildefonso. disse...

Em tempos pensei em comprar a Manon felizm,ente um amigo aconselhou-me a investir na Vitoria de Los Angeles e sinceramente melhor não consigo imaginar. Em dvd tenho a Dessay em Barcelona e estou muito contente também. Mudou a minha apreciação da Manon e do Massenet também.

Anónimo disse...

Para mim, as obras-primas presentes são: Rigoletto, Contos de Hoffmann, Lohengrin, I puritani e Il Barbieri di Siviglia. O Rigoletto rivaliza com a versão Kubelik, Os Contos de Hoffmann vence pelo equilíbrio, o Lohengrin não tem rival, sendo o dueto Diskau/Ludwig um dos momentos mais altos de toda a discografia existente, os I Puritani não tem rival com o par Callas/di Stefano e o Il Barbieri di Siviglia tem o melhor Figaro de sempre, o genial Tito Gobbi.
Raul

Luís Froes disse...

O genial Rigoletto de Gobbi, talvez sem rival até hoje (Cappuccilli? Milnes? MacNeil?) e o Otello de Vickers (com Freni, Glossop e Karajan), grandioso e apoteótico, representam dois cumes da discografia verdiana, a meu ver.

Luís Froes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Caro Luís,
O Otelo do Karajan/Vickers está totalmente comprometido com a presença de Peter Glossop,de voz feia cuja interpretação está a anos-luz dos máximos intérpretes, Tito Gobbi e Giuseppe Taddei, para não falar de Giuseppe Valdengo na versão Toscanini.
RAUL

Maria do Carmo disse...

A que junto Cappuccilli, na indispensável gravação com Domingo e Freni, dirigidos por Kleiber!

Hugo Santos disse...

Caro Raul,

eu tenho a gravação ao vivo do Otello no Festival de Salzburgo com os mesmos protagonistas e maestro. Neste registo, o Glossop encontra-se em boa forma, pelo que, julgo que a gravação de estúdio o tenha apanhado num dia menos bom.

Em relação às restantes reedições, gostaria somente de reforçar a opinião do João Ildefonso face à Manon superlativa de Los Angeles (fabuloso jogo de dinâmicas e modulações numa perfeita identificação com a personagem) e do Raul no que concerne aos Contos de Hoffmann que, apesar das óptimas gravações realizadas posteriormente (Sutherland/Domingo/Bonynge e Gruberova/Domingo/Ozawa, por exemplo), conserva aquela atmosfera tão característica da mais pura ópera francesa, fazendo-me recordar a época de intérpretes como Georges Thill, Ninon Vallin ou Vina Bovy.

Anónimo disse...

Caro Hugo,
Eu comprei a do par Gheorghiu/Alagna por não encontrar na altura no mercado a versão da Los Angeles, que estava há muito esgotada. Eu acho que a reedição foi precisamente para competir com a versão da EMI, que aliás é muito boa. Embora a Los Angeles seja a Manon, a ópera para mim não justifica para já uma segunda gravação.
RAUL