sábado, 14 de junho de 2008

André Gonçalves Pereira: sob o Triunfo, a Falha

Na Única, do Expresso de hoje, 14 de Junho, André Gonçalves Pereira (AGP) revela-se, tanto quanto pretende.

AGP tem um percurso admirável, particularmente no direito e advocacia, onde fez escola, continuando a ser modelar.

Da entrevista, de forma particularmente destacada, retive a tónica colocada pelo próprio no sucesso, orgulho, linhagem e autarcia, a par do controlo. Sem surpresa, Gonçalves Pereira revela o horror à dependência e subordinação, declarando ter sempre sido patrão de si próprio.

Aqui e ali, a sua megalomania toute-puissante bordeja a caricatura, nomeadamente quando, sem pudor algum, lamenta ter abandonado a formação musical que, segundo o próprio, o teria tornado num Toscanini ou Von Karajan. Sem mais comentários.

A dada altura, o jornalista perspicaz, quiçá fatigado de um relato obstinadamente centrado no sucesso e grandiosidade, confronta AGP com a falha: e a descendência, Senhor Professor? Que é dela? Não há, responde evasivamente. O luto pela impossibilidade (sublinho a impossibilidade, intuitivamente) de gerar vida parece ter sido feito, seguramente com dor.


Com a enorme admiração que um tal percurso me merece, posto que estou habituado a olhar para os esconderijos da mente, por dever de ofício, desde as primeiras linhas da entrevista procurava a falha que AGP se esforça por ocultar. É que a utilização preferencial deste tipo específico de defesas – narcísicas, no caso – visa camuflar a ansiedade de castração.

António Coimbra de Matos, psicanalista que muito prezo, define este tipo de personalidades com base na máxima: “Só usa galões quem não tem colhões”.
Mise à part o vernáculo - não duvidando um só segundo da circunstância de Gonçalves Pereira os ter, literalmente - questiono-me sobre o modo como AGP lida com as suas falhas: prosaicamente, arrisco considerar que a possibilidade de ter procriado teria feito do Professor Gonçalves Pereira alguém mais reconciliado com a sua condição humana - errante e errática -, nem sempre tão afim com a grandiosidade e sucesso.

7 comentários:

Manuel Anastácio disse...

Convém emendar o link para http://pt.wikipedia.org/wiki/André_Gonçalves_Pereira

caso contrário, a maior parte dos leitores não irá dar ao artigo da Wikipédia.

Anónimo disse...

Lembro-me há muitos anos (1976)no bar da saudosa Natália Correia, o Botequim, ela e a Helena Roseta, estarem a conversar bem alto e chamavam-lhe "porco em pé". Eu acho que tinha que ver um pouco com o seu lado de engatatão associado ao aspecto físico dele'' pois que todos pertenciam ao PPD, embora tivessem em substância pensares muito diferentes. Nunca mais me esqueci, pois fui a única vez que fui àquele bar, para minha pena.
RAUL

Anónimo disse...

Lembro-me há muitos anos (1976)no bar da saudosa Natália Correia, o Botequim, ela e a Helena Roseta, estarem a conversar bem alto e chamavam-lhe "porco em pé". Eu acho que tinha que ver um pouco com o seu lado de engatatão associado ao aspecto físico dele'' pois que todos pertenciam ao PPD, embora tivessem em substância pensares muito diferentes. Nunca mais me esqueci, pois fui a única vez que fui àquele bar, para minha pena.
RAUL

Anónimo disse...

Lembro-me há muitos anos (1976)no bar da saudosa Natália Correia, o Botequim, ela e a Helena Roseta, estarem a conversar bem alto e chamavam-lhe "porco em pé". Eu acho que tinha que ver um pouco com o seu lado de engatatão associado ao aspecto físico dele'' pois que todos pertenciam ao PPD, embora tivessem em substância pensares muito diferentes. Nunca mais me esqueci, pois fui a única vez que fui àquele bar, para minha pena.
RAUL

Anónimo disse...

Isto apareceu três vezes, mas não foi intencional. Disparate meu.
RAUL

Il Dissoluto Punito disse...

Caro Manuel,

Não há volta a dar! Também procurei corrigir a falha, antes de colocar o post... No way :(

Anónimo disse...

Peço desculpa.
RAUL