segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Violetta Fleming???

She looks good. The sound is pure and unassailably well tuned. The attention to musical matters includes a near-infinite variety of dotted rhythms, each adjusted to the vowel or consonant at hand. She is determined that every note and every gesture will correspond to the flesh-and-blood drama onstage, and she is helped by the very sensible stage direction for this season’s revival by Kristine McIntyre.

In the fireworks of Act I the high notes are there, though a little thinned by the pressure. My enduring problem with this talented soprano is the overload of interpretive details that, at their worst, sound like the virtuoso’s bag of vocal tricks. Yet after Act I Ms. Fleming comes to inhabit the part with touching communicativeness. When Violetta is unhappy, which is a lot of the time, Ms. Fleming does exceedingly well.

I very much liked Matthew Polenzani’s Alfredo. His tenor is clear, resounding if a little tough, sometimes more angular and abrupt rather than smooth of phrase, but convincing enough musically and easily able to command this big house. Dwayne Croft’s Germont was a textbook of beautifully modulated baritone singing, although I wish the humanity behind the sound had not left behind such an impression of coldness.»

São inúmeras as Violettas falhadas, mais pela fragilidade técnica do que pela ausência de talento dramático.

No capítulo das notáveis, pessoalmente, há três. A da Callas, que era monumental, a da Cotrubas, de uma fragilidade notável e a da Scotto, arrebatadíssima.

Depois há as pirotécnicas, onde figura a da Sutherland, absolutamente desabitada, a da Caballé e a da Swenson.

Noutro quadrante, há as grandes, grandes… actrizes: Stratas, Moffo e Theodossiou.

Medíocres há para todos os gostos! Gheorghiou é uma de entre muitas, inexplicavelmente célebre… A Cura dos sopranos, claro está.

No meio de tudo isto, não sei onde colocar a da Fleming...

Embora nunca a tenha visto, neste papel, ouvia-a e deleitei-me!

12 comentários:

Anónimo disse...

Sem dúvida, João, a Callas, genial, e depois a Scotto são os modelos de Violeta. Pena é que o tenor da gravação da Scotto, Gianni Raimondi, esteja muito aquém do que o conhecemos de outras gravações. Muito boa também a Cotrubas. Quanto à Sutherland, só conheço a primeira gravação, com o fabuloso Bergonzi, e gosto bastante, se bem que inferior à Callas e à Scotto. Gosto também das interpretações da Anna Moffo, pela identificação, e da Caballe, porque é ela. Outra grande Traviatta é a da única gravação completa da Rosa Ponselle, de 1935, com um dos melhores barítonos de todos os tempos, Lawrence Tibbet. Um pequeno detalhe: é "obrigatório" conhecer o "Addio del passato" pela Claudia Muzio, sem rivel, mesmo sem o "É tardi" da Callas.
Quanto à Fleming, tem tudo para ser uma excelente Traviata.
Raul

Paulo disse...

Pois, concordo excepto em dois pontos:

a) Não acho a Theodossiou uma actriz assim tão notável. Achei a Traviata com que se estreou em São Carlos muito desinteressante.

b) A da Gheorghiou (só conheço a de Londres, e da TV), em contrapartida, não me parece assim tão medíocre, mesmo sem a dita nota no final de "Sempre libera". No dueto com o Germont está muito bem. E no entanto é uma cantora/pessoa irritante, está bom de ver. Porém, essa Traviata de Londres foi antes de ela se ter transformado na Cura. Terá uns dez anos, talvez?

Saudações.

me disse...

sim, a traviata da gheorghiu de londres na ROH é de 1994 e eu pessoalmente gostei muito. personalidades irritantes ou com manias de diva sempre existiu na opera, ou deverei recordar muitas das atitutdes do passado tanto em relaçao às casas de opera como em relaçao aos publicos?. eu pessoalmente gosto mto da gheorghiu e julgo que é uma excelente soprano. tem um timbre de voz q nao irrita, é suave e agradavel e ainda assim é capaz de algumas proezas. nao é a melhor das melhores, mas a meu ver é uma das melhores neste momento. mas tb, quem sou eu, quando ainda estou muito no começo destas andanças!é so a minha humilde opiniao.

Anónimo disse...

Me e Paulo,
Subscrevo as vossas apreciações sobre a Gheorghiou e sobre a Traviata de Londres. É um dos melhores sopranos do momento. Que se lixe o estúpido divismo!

Raul

P.S.
É a primeira vez que me dirijo a um pronome pessoal. Só que não sei se é Complemento Directo ou Indirecto :)

Paulo disse...

Raúl, uma boa cantora ela é. Mas assistir ao seu recital na Gulbenkian foi um tormento. Se ela não se tivesse entregado descaradamente ao divismo e à ganância, se se limitasse a cantar os papéis que lhe competem, mereceria muito mais respeito e admiração. Ou bem que um cantor faz uma carreira séria, ou entra no campo do "popularucho", deixa de ter interesse e passa a ser ridículo. Não preciso de lhe lembrar que Callas também andava nas capas de revistas cor-de-rosa, e não pelas melhores razões. Mas para ela, a arte estava acima de tudo. Duvido que ela alguma vez cedesse ao facilitismo e à tentação de ser popular a qualquer preço, como é frequente assistirmos hoje em dia.

Anónimo disse...

Paulo,
Tem toda a razão, mas às vezes é toda uma equipa de sanguessugas que os promove para depois recolher dividendos. O marido não é melhor. Eu, por exemplo, tenho um cd de duetos por ambos. Não me lembro do título, pois não o tenho agora comigo. Sei que termina com o dueto do final do Primeiro Acto da Boémia. Na "literatura do CD" são fotografados como posassem para a Vanity Fair. As pessoas acabam por se convencerem. A mim os divos e divas vão de carrinho. Sou público, pago bilhete. Se têm tiques, eu nem lhes ligo e, se não cantam como acho que deve ser, não bato palmas. Revistas cor-de-rosa não leio. Daí que vivemos em mundos aparte. Claro que se fosse empresário a coisa fiava doutra maneira...
Raul

Anónimo disse...

Paulo,
Tem toda a razão, mas às vezes é toda uma equipa de sanguessugas que os promove para depois recolher dividendos. O marido não é melhor. Eu, por exemplo, tenho um cd de duetos por ambos. Não me lembro do título, pois não o tenho agora comigo. Sei que termina com o dueto do final do Primeiro Acto da Boémia. Na "literatura do CD" são fotografados como posassem para a Vanity Fair. As pessoas acabam por se convencerem. A mim os divos e divas vão de carrinho. Sou público, pago bilhete. Se têm tiques, eu nem lhes ligo e, se não cantam como acho que deve ser, não bato palmas. Revistas cor-de-rosa não leio. Daí que vivemos em mundos aparte. Claro que se fosse empresário a coisa fiava doutra maneira...
Raul

Anónimo disse...

Eu acho que a Gheorghiou foi um soprano lírico/ligeiro razoável com uma voz agradável e uma técnica bastante satisfatória. Nos seu reportório Elixir/Rondine e até certo ponto Traviata foi muito eficaz auxiliada pela figura e por na altura não nada melhor. Promovida de forma escandalosa pela EMI "...a Maria Callas do sec.XXI.." a ambição subiu-lhe à cabeça e gravou reportório que nunca poderá defender ao vivo e perdeu qualidades vocais a olhos vistos.
Cá para mim os cantores são operários especializados, valem aquilo que produzem e Sra. Gheorghiu não está á altura e devia à muito ter sido recambiada para a Roménia.

J. Ildefonso.

Anónimo disse...

Serenidade, meu caríssimo amigo, e cabeça fria. Diga-me, por favor, que papéis completos a cantora \"ousou\" sair fora do seu perfil vocal.
Não queira fazer do canto, meros instrumentos musicais. Nesse mundo a Callas não surgiria, quando o fez para o Sarafim sainda da Valquíria para Os Puritanos.
Um abraço
Raul

me disse...

o primeiro papel de gheorghiu foi de Liu num Turandot do qual nao me recordo da data. daí saltou imediatamente para a Traviatta que todos conhecemos. mas nao, ela nao faz apenas a traviatta como muitos as vezes julgam. ja fez um maravilhoso simao bocanegra e ate ja quase rapou o cabelo para uma interpretaçao do Fausto de Gounod, isto entre outras interpretaçoes. veio dar sangue novo à opera e alguns dos seus recitais foram realmente muito aplaudidos, devo lembrar o de Bruxelas de 2002 ou 2004, nao me recordo, em que ela cantou um Non ti scordar di me e o Pace da força do destino realmente arrepiantes!. tb houve, sem duvida mto marketing por tras, afinal de contas foi cantar my fair lady num recital em Londres, o qual cativa sempre os ingleses, mas tb ja nos deu a conhecer algumas belas arias de operas romenas, como por exemplo La seceris, as quais se nao fosse assim, nunca ficariamos a conhecer. relativamente a reportorio gravado que nunca poderá ser cantado, provavelmente deverá estar a referir-se à Casta Diva de Bellini. nunca tive a oportunidade de a ver como Norma e sinceramente nao sei se será um papel no qual ela se sinta realmente segura ou com capacidade vocal suficiente, mas a verdade é que, se até aqui, apesar de muito divismo, ela tem feito escolhas seguras e muito bem acertadas, certamente que se escolheu ter um cd com o nome de casta Diva e com essa aria como primeiro track, tal nao deverá certamente dever-se a apenas a um desvaneio de divisimo. é porque, concerteza, o consegue interpretar com segurança e profissionalismo. Apesar de gostar muito dela, sei que ha melhores que ela, pelo menos para mim, a Natalie Dessay é superior, mas a meu ver, tb axo q comparar a gheorghiu a um cura é um pouco demais. o Cura ate se pode safar a cantar, mas a nivel de interpretaçao deixa bastante a dever. a gheorghiu para alem de saber cantar, consegue transmitir bastante sentimento e incorporar o que se espera das personagens.

me disse...

ah! e nao esquecer de dar os parabens à Senhora Sutherland, pois hj (ainda) é o seu dia de aniversario!

Anónimo disse...

Pareçe-me a mim que a essencia da voz da Gheorghiu é a dum soprano lirico/ligeiro apesar do timbre ser um pouco escuro o que é sempre desejável. Pareçe-me que a Carmen, Trovador e Tosca estão bastante além das suas possibilidades e sinceramente irrita-me bastante que alguém tenha a pretensão de gravá-los quando ao vivo não estreia um papél novo há vários anos e continuasa cantar a Bhoéme, Elixir, Simão e Fausto!
A Traviata não está mal, nem a Rondine mas até a Bhoéme deixa muito a desejar! Tudo forte sem a mínima "nuance"! A mim não me agrada nada. Não pago um "pedreiro" pelo preço dum "arquitecto de interiores"

J. Ildefonso.
Um operário se