quarta-feira, 29 de junho de 2005

Der Ring - Bayreuth, 1976

O ano de 1976, em Bayreuth, tem a marca indelével do escândalo !

No âmbito das comemorações do centenário da estreia de Der Ring, Patrice Chéreau - então jovem encenador - assinou uma das mais polémicas produções que alguma vez passaram pela mítica sala.
Boulez estava no púlpito...


Apesar das inúmeras fragilidades - sobretudo vocais - desta leitura, a produção é de um arrojo obsceno ! Considero-a, portanto, absolutamente indispensável, nomeadamente para wagnerianos incondicionais (desde que não padeçam de enfermidades cardíacas...).

A DG, pela primeira vez, disponibiliza, em dvd, a mais monumental das produções wagnerianas.


(NTSC 073 405-7)

Nota: não confundir este pack com o de igual modo recentemente editado, em dvd, fruto de uma produção do Met, dos anos ´80, cuja estética roça o mais insuportável kitsch !

5 comentários:

MyHiraeth disse...

O encanto deste blog, entre outros, claro está, é o facto de os posts serem intemporais...

Voltei aqui, porque ontem, inspirada por deleta companhia, decidi sacrificar o meu beauty sleep por quatro horas ininterruptas desta deliciosa obra... Die Walküre..

Pois é. O Chéreau é maravilhosamente temperamental, e comunica esse estado de alma aos intérpretes e às personagens - quanto desespero resignado na Sieglinde! E a prepotência máscula e desafiadora de Hunding!
E Wotan, ah, pobre deus torturado, tão nobre, tão confuso, troca a sua (in)tranquila divindade (e consequente omnipotência) pela consciência e pelos remorsos...

E a encantadora Brunhilde...para ela não há palavras...

Mas o amaldiçoado Siegmund... raios, não me convence! Dono de uma bela voz, sem dúvida, mas....parece que entrou no "filme" errado.. E acredita que lamento não conseguir livrar-me desta sensação - estarei a ser injusta? Diz-me o que pensas, Dissoluto..muito te agradeceria se me fizesses mudar de ideias...!

um beijo

Il Dissoluto Punito disse...

Outro beijo para ti, cara Fada ;-)

Concordo contigo, em tudo! O Peter Hoffman era um enorme cantor, mas um actor mediano...
Quanto À Brünhilde da G. Jones, é notável, não fora ela conterranea do nosso caríssssssssimo Bryn! Não sabias?

Il Dissoluto Punito disse...

Agora, Fada... Vê a G. Jones no final do Crepúsculo e depois falamos! Apesar da fadiga evidente, é estrondosa...

Anónimo disse...

Porquê obsceno ?!

Eu tenho há muitos anos o Ouro do Reno e a Valquíria, óperas que adulo (!). A encenação não retira um grão à matéria épica: os deuses continuam deuses. Os cantores são a nata do momento. A G. Jones, embora estridente, quando força a voz é heroica, vulnerável e, como sempre, porque é dela, muito feminina. A Altmeyer, que vi em Lisboa na Isolda e na Brunilde, é bela, grande voz. O Peter Hoffmann, deixem-me dizer, para além de grande cantor wagneriano (por pouco tempo) é fisicamente o Sigmund ideal.
Raul

Il Dissoluto Punito disse...

Raul,

Obscena pela ruptura que encerra, no melhor dos sentidos! É um grande Anel, apesar das fragilidades vocais que todos lhe reconheçemos ;-)