quarta-feira, 16 de maio de 2007

De la maison des morts, de Janacek...

...triunfou em Viena!

Há cerca de dois anos, assisti a uma récita desta mesma ópera, na Bastilha, sem entusiasmo de maior.

Ao ler esta notícia, roo-me de inveja, assumidamente!

A dupla Boulez - Chéreau sempre me fascinou. Facilmente se percebe...

Depois de um Der Ring triunfal, em Bayreuth, e de uma extraordinária Lulu, à Garnier, desta feita a dupla revitaliza Janacek.



«(...) les deux hommes ont reformé, grâce à Stéphane Lissner, leur union sacrée comme s'ils ne s'étaient jamais quittés. Et c'est d'abord à eux que s'adressaient les douze minutes d'ovations debout, samedi soir au Theater an der Wien, en ouverture des Wiener Festwochen.»

E mais não cito!

E os mortos ressuscitam, ao que parece...

domingo, 13 de maio de 2007

Polémicas em torno da ópera...

No DN de ontem, João Miranda – investigador em biotecnologia – tece considerações pessoais sobre a famigerada identificação entre ópera e riqueza – de espírito, seguramente (digo eu, sem modéstia)! Riqueza material?

A páginas tantas, conclui o escriba: «Os subsídios à ópera são um caso particularmente perverso de intervenção estatal. O objectivo declarado dos subsídios é criar escolhas de modo a que ninguém possa ficar impedido de ir à ópera por razões económicas. No entanto, dado que a ópera é tendencialmente uma actividade que interessa muito mais aos ricos que aos pobres, existe uma grande probabilidade de serem os que têm menos escolhas a financiar os que têm mais escolhas

O artigo de opinião é uma alarvidade, do meu ponto de vista.

No essencial, o autor insurge-se contra a protecção que o estado oferece à ópera, alegando que, por via dos subsídios oferecidos, o mesmo estado alimenta um espectáculo de elites.

Terei de recordar a esta luminária que, queira eu ou não, através dos meus impostos, financio o ordenado do seleccionador nacional de futebol, o vencimento de magistrados, juízes, médicos, deputados, etc.

Se beneficio – directa ou indirectamente – dos préstimos dos citados profissionais, a questão é outra!

Já agora, pergunto ao ilustre investigador se, por casualidade, não terá beneficiado de bolsas estatais, ao longo da sua carreira? By the way, será que alguma vez eu e outros cidadãos iremos beneficiar das investigações desenvolvidas pelo senhor em questão?!

Do meu ponto de vista, devo dizer-lhe que a sua argumentação recorda a falácia que uma certa esquerda comunista apregoava, há não muitos anos: “Enquanto houver um indivíduo com fome, não deverão ser esbanjados dinheiros públicos em bens supérfluos”. Para ser demagógico, este vil argumento de nada carecia!

Fique o senhor investigador sabendo que, independentemente de eu beneficiar - ou não -, por exemplo, dos préstimos de profissionais do serviço nacional de saúde, nem ouso questionar a circunstância de parte dos meus impostos reverter em favor do dito serviço nacional de saúde!


O civismo e o princípio da cidadania têm destas coisas, meu caro.

Pense nisso, se assim o entender.


ps agradeço a Leporello o envio do artigo que esteve na origem deste post!

L'ITALIANA IN ALGERI, récita de 10 de Maio de 2007, Teatro Nacional de São Carlos

Vinte anos volvidos sobre a última L’Italiana in Algeri, em Lisboa, no São Carlos, ei-la de novo em cena, triunfal.

Rossini será, porventura, o mais maniforme dos compositores de música lírica de todos os tempos. As suas criações demandam uma celeridade radical, sarcasmo, ironia, malícia, a par de graciosidade e inteligência.
O que a lírica buffa mozartiana tem de subtil, tem a rossiana de sagaz, despudorada e libidinosa.



Chez Rossini, tecnicamente, as dificuldades são de maior: G. Rossini é um dos expoentes máximos do belcanto italiano - lado-a-lado com Bellini e Donizetti - (período que, como se sabe, faz do domínio técnico o eixo central da expressão artística), sendo o maior dos buffos desta mesma escola de canto.
Que se saiba, Bellini só compôs opera seria e Donizetti apenas fez algumas incursões buffas, sendo O Elixir do Amor a mais proeminente de todas elas.

Dito isto, abordar a lírica rossiniana - particularmente a buffa - será das maiores ousadias que imaginar se pode, no que à música (dita) erudita concerne.

A talho de foice, devo confessar que a última ópera do compositor de Pesaro a que assisti - justamente em Lisboa, no TNSC - permanece como a mais miserável do meu repertório! Tratou-se de O Turco em Itália, há cerca de três anos.
Uma vergonha inconcebível, sem ponta por onde pegar!

L’Italiana in Algeri, segundo me parece, em termos de composição, nada revela de inovador. Ainda assim - à semelhança de O Barbeiro de Sevilha - faz a apologia da inteligência e sagacidade, que triunfam sobre as convenções e hábitos da tradição. Todos os envolvidos neste conjunto de récitas parecem tê-lo compreendido!
Quanto às leituras politicas e antropológicas do libretto, não me adianto, pois prezo muito a minha cabeça, if you (all) see what I mean ;-)

Pois bem, parti para esta récita com algumas reticências.
O humor não estava de feição, a fadiga era muita e os ecos das récitas - à excepção da opinião favorável de Bernardo Mariano (do DN) - não eram animadores.
Enganei-me redondamente!

D’emblé, gostei da produção, que procurou servir a obra com humildade, sem a abafar.
Do meu ponto de vista, assim é que deve ser!
É bem verdade que as produções europeias (cultoras da erudição) - contrariamente às americanas (hiper-realistas e dadas ao fausto) - se esforçam por subjugar a lírica à criação plástica...

Em jeito de provocação, diria que o grande mérito desta produção reside na dispensa de estudos pós-graduados em metafísica, por parte do espectador!
Rossini escrevia assumidamente para o povo, que pretendia divertir e animar, não procurando educá-lo, no sentido mais livresco e erudito do termo (a ler como fastidioso e chato).

Com efeito, a presente produção, acima de tudo, desenvolveu um trabalho honesto, singelo, despretensioso, e bastante afim com a eficácia.

Nada contendo de particularmente original, a dita produção apostou numa recriação do ambiente da ópera, de forma fiel, sem aberrações nem liberdades excessivas. A encenação sublinhou a agitação, o frenesim, a ironia, o ridículo (sobretudo) e o humor em que decorre a trama e - a meu ver - conseguiu!
Prolixa em cores fortes e quentes, rica em detalhes e ornamentos arabescos, a equipa acentuou o ambiente de câmara - necessariamente buffo - da obra.

Nesta L’Italiana in Algeri, optou-se pela exploração de um único dispositivo cénico, que se metamorfoseou sucessivas vezes, recriando os diversos cenários que a peça convoca.

Com pequenas transformações, o barco - que alude à viagem -, num ápice torna-se em palácio, ou nos aposentos de Isabella, retomando - no final - a sua forma original.
Dir-me-ão não ser uma ideia noval! Concedo, mas que é eficaz, é; indubitavelmente!

Pese embora a grande harmonia reinante, em termos de produção - encenação, cenografia e figurinos -, em minha opinião, o desenho de luzes revelou algumas fragilidades, pouco ou nada contribuindo para a explicitação das nuances da trama. Esperava-se outro tipo de labor.

Se é verdade que as cenas de conjunto - mais feéricas - revelavam uma luminosidade e brilho concordantes, os ambientes recatados em nada foram servidos pelo desenho de luzes, evidentemente ineficaz na construção da intimidade e do recato.

Quanto a intérpretes, numa palavra, vocal e artisticamente, diria que a trupe levou a melhor!

Comecei por lamentar a indisposição de Lorenzo Regazzo (o GRANDE Figaro de Jacobs) - que anulou a sua presença -, para mim o maior argumento em favor desta récita...
Acabei a aclamar o seu substituto (cujo nome me escapa...).

O seu Mustafà era a actualização do basso buffo rossiniano - voz bem matizada e colorida, profunda (embora nem sempre muito bem projectada), com uma riqueza expressiva notável.
Actor cómico de primeira apanha, este Mustafà revelou talento cénico e humor a rodos, fazendo do ridículo - tal como Rossini pretendia - o eixo central da sua construção artística. A seu lado, Raimondi e Ramey - os dois mais recentes Mustafà’s da discografia -, artisticamente, muito teriam a aprender...



Quanto à Isabella de Kate Aldrich... fascinou-me!
É certo que a coloratura podia ser mais brilhante - nem todas podem ser Colbran’s, Supervia’s, Berganza’s ou Bartoli’s...
Na lírica - queiramos ou não - a bravura é um bem em vias de extinção.

Actriz notável e versátil - tão deslumbrante na malícia e no humor, como convincente na heroicidade e lirismo (recorde-se, a este título, a sua magnífica prestação em Pensa alla patria, verdadeira exaltação da italianidade!) -, Aldrich investiu na inteligência e argúcia, as grandes armas de que Rossini dotou a sua personagem (e que lhe permitem triunfar!) - e ainda há quem questione o carácter fálico da inteligência feminina!!!

Some-se a tudo isto uma bela figura - recorda a Larmore (outra grande rossiniana contemporânea), nos tempos áureos - e fica-se com um talento (mais artístico do que vocal, é certo) a seguir!

Do Lindoro de John Osborne, destacaria a ousadia da emissão. Embora não sendo um belcantista puro - falta-lhe disciplina e método -, o intérprete possui uma voz ampla e, aqui e ali, luminosa.

Quanto aos restantes solistas, globalmente, considero que cumpriram com rigor e empenho, sendo de destacar o Taddeo de Paolo Rumetz, actor cómico de talento excepcional, espantosamente vil e sacana.

Apreciei muitíssimo a direcção de Donato Renzetti - viva, ágil e divertida.
Infelizmente, o maestro não faz milagres: a mediocridade dos sopros da OSP é incontornável - em Wagner, Rossini, Verdi...
Alguém me explica por que não se enviam os músicos - dos sopros... - da citada OSP... para a Argélia, a banhos... ou em reciclagem?!

Já agora, enviem-se os senhores do coro - como alguém aqui disse, com imensa graça - para o Holmes Place! Apenas um argumento justifica a exibição de tanta adiposidade: o rídiculo (rossimiano)!

Enfim, depois de uma récita airosa, graciosa e plena de frescura - como a que assisti -, outra coisa não seria de esperar senão uma extraordinária viragem de humor: em clima de euforia, eu e a minha mulher deleitamo-nos com um excelente entrecôte, à la La Brasserie dudit ;-)))

sexta-feira, 11 de maio de 2007

A Italiana em Argel

Eis, por ordem de aquisição, as minhas interpretações d'A Italiana em Argel, de Rossini.







O que posso assegurar ao leitor é que nenhuma delas me divertiu tanto quanto... a récita de ontem, no TNSC, desta mesma ópera !

Mais tarde, prometo uma crítica detalhada ;-)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Disse-me um passarinho...

...que o barroco é que está a dar, em matéria de novidades discográficas!



Wagner and the Art of the Theatre

Carnegy publica Wagner and the Art of the Theatre (edição da Yale University Press).

Já chovem as aclamações...

Neste artigo - subordinado ao lançamento da obra, que levou 40 anos a redigir (?!) - levanta-se a ponta do véu, como segue:

«"People who say that Wagner knew exactly how he wanted his works produced - so what right have you to stage the Ring on Mars or down a salt mine - are wrong," he says. "Wagner was precise [in his stage directions] because the theatrical world into which he launched his works was a total mess, and the quality was very poor. The reason he took such trouble was defensive: it wasn't so much that he knew what he wanted, but he jolly well knew what he didn't want."».

Arte & Opera - Manon, Don Pasquale e La Fille du Régiment

Hoje, no canal ARTE, Netrebko & Villazón, em Manon (de Massenet).

Mas, para breve, há muito mais ;-)

"Deux autres prime time sont d'ores et déjà prévus sur Arte d'ici à la fin juin : Don Pasquale de Donizetti, le 30 mai, en direct de Genève avec le baryton Simone Alaimo, puis La Fille du régiment, le 21 juin, avec la soprano Natalie Dessay. D'autres directs sont également prévus à l'occasion du prochain Festival d'Aix en Provence, dont La Walkyrie le 5 juillet, puis à Lucerne, avec la Symphonie n° 3 de Mahler dirigée par Claudio Abbado."

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Le Malheureux Rouge



Moi, de ma part, je suis triste…

On aurait pu avoir une belle femme présidente, même si - chez elle -, à part cette beauté, il ne reste pas grand chose ! Peut-être, il lui manque un certain pragmatisme, lui permettant, notamment, de mettre en place ses projets ambitieux et assez flous…

A sa place, il parait que nous aurons plutôt un amant de la racaille !

domingo, 6 de maio de 2007

A Lusa Depressividade (feita) Crónica



Leio a Pluma Caprichosa. Porque hoje é sábado.
Sem grande surpresa, a leitura do Expresso apenas me rouba meia horita.

Acho alguma graça à escrita de Clara Ferreira Alves.
A associação livre leva-a me a outras paradas…
Acho alguma graça à escrita de Vasco Pulido Valente; riu-me com a prosa de Maria Filomena Mónica.

A minha reacção diante das palavras dos três cronistas é idêntica, como idêntica é a tonalidade emocional dos três escribas. Quiçá defensivamente, divirto-me!

Em diversas ocasiões, neste espaço, tive oportunidade de explicitar uma máxima da psicopatologia da depressão: a mania e seus sucedâneos – a euforia, por exemplo - é o outro lado da depressão.

Está bem de ver que o registo predominantemente eufórico em que me coloco, diante da escrita de CFA, VPV e MFM, é uma resposta ao afecto depressivo - ora mais dissimulado, ora mais expresso - que inunda as palavras das três criaturas.

Ferreira Alves, Pulido Valente e Mónica habitam um mundo Luso-depressivo, impregnado de cinza dégradé, sempre aquém do luto, povoado de criaturas mui semelhantes: incompetentes, imbecis, incapazes, corruptos, incultos, ladrões, mandriões, malfeitores, acéfalos, parolos, pirosos, estúpidos, oportunistas, canalhas, etc., etc.

A adjectivação seguiria de bom grado, não fora a minha má-língua constitucionalmente limitada. Ninguém é perfeito.

Considero absolutamente extraordinária – e invejável! – a possibilidade de o sujeito viver da sua problemática.

Há quem viva submerso pela depressão, lentificado, incapacitado, quando não paralisado pela melancolia.
Outros há que exploram a depressividade. Vivem num mundo negro, eivado de pessimismo, considerando inexorável o destino trágico: “todos caminhamos para o abismo, Portugal está perdido, não há mudança possível”, blá, blá, blá…
Tal é o caso de Clara Ferreira Alves, Vasco Pulido Valente e Maria Filomena Mónica.

Pois bem, seja! Se a depressividade "der uns cobres", porque não?!

Se o perverso vive da pornografia, porque não há-de o depressivo viver da depressão (contando que a dita depressão o não esmague…)?

Do meu ponto de vista – procurando ser sério, no porte e nas palavras -, o que ressalta do discurso dos três cronistas é o movimento projectivo constante, ditado e movido pela depressividade. A interioridade de cada um – certamente bem afim com a psicologia depressiva (perda, pessimismo, incurabilidade, inexorabilidade do destino et ainsi de suite) -, de modo sistemático, é projectada no exterior.

Dir-me-á o leitor – não sem razão – que o terreno em que projectam o vivido depressivo é fértil. Claro que sim! É essa a diferença entre o depressivo normalo-neurótico e o psicótico melancólico. O primeiro conserva o sentido da realidade, enquanto o segundo mescla patologicamente a sua realidade com a realidade objectiva.

Evidentemente, há em Portugal – e no mundo - razões de sobra para a má língua!

O que considero espantoso é que nenhum dos três ilustres disserte sobre o prazer, o sol, o amor, a felicidade, a beleza, a diversão, o gozo!

Clara Ferreira Alves, Vasco Pulido Valente e Maria Filomena Mónica, na minha singela opinião, mais não fazem do que perpetuar um lógica depressiva lusa, literariamente inaugurada por Herculano e Garrett e sublinhada pela famigerada Geração de 70: desde então, nem o objecto, nem o mecanismo mudou, pois “Portugal continua a ser podre, estando condenado à dissolução”!

Triste destino, o do depressivo, inalterável e monótono.

Todos sabemos que a escrita – entre outras façanhas – conserva a virtude da elaboração, como a palavra o faz, aliás, para os psicanalistas.

Estranhamente, a escrita das personalidades enunciadas, de elaborativa, nada tem! Perpetua uma imutável depressividade, patológica até às entranhas.

Enunciar a perda é meio caminho para a transformação saudável. Porém, assumi-la, não chega para a mutação.

Ainda assim, será por via da palavra que a mudança se anuncia, no divã, com o analista.

Pobre é, pois, o discurso dos três, porque monolítico, apesar da graça episódica que lhes reconheço (paradoxalmente!).

Posto que não sou (apenas) depressivo, conservo a esperança de, um dia, ver Clara Ferreira Alves, Vasco Pulido Valente e Maria Filomena Mónia – e bem assim, alguns ilustres (muitos!) da blogosfera, que evacuam a respectiva depressvidade em tudo e todos, apenas reconhecendo a merdificação nos outros! – dissertarem sobre o verde, o sol, a felicidade, o enamoramento…

A Lusa Felicidade poderá, também, ser crónica. Um dia…

sábado, 5 de maio de 2007

Orfeu, aliás Hunt Lieberson, aliás Daniels



Há muito que o Met propusera Orfeu a Hunt Lieberson. A grande mezzo acedera.
A morte traiu-a, privando-nos dela, da sua mestria e do seu Orfeu.

A arte tem possibilidades mágicas, conseguindo contrariar os desígnios da natureza: Hunt Lieberson, por via de Daniels, encarnou o herói de C. W. Gluck.

Alguma intelectualidade portuga adora menosprezar Daniels.
Pessoalmente, aprecio-o muitíssimo, sobretudo em Handel.

Segundo reza esta notícia do The New York Times, Daniels triunfou – bem como Lieberson -, no Orfeo de Gluck! Era de prever.

Indubitavelmente, há em Daniel um misto de bicha e andrógino, que combina na perfeição com a figura de Orfeo!


sexta-feira, 4 de maio de 2007

Disse-me um passarinho...

Que está para breve a ruína absoluta!

As major's persistem na reabilitação dos fundos-de-catálogo (a ler como reabilitação financeira), apostando nas colecções.

Desta feita, seleccionei 4 coffrets, muito apetitosos, e um Tancredi, com a mítica Horne.

Nem mais, nem menos!

Cartão de crédito, Olé, olé ;-)))





quinta-feira, 3 de maio de 2007

Cho Seung-Hui: a esquizofrenia

A propósito do caso Cho Seung-Hui, passada a passionalidade, inimiga da reflexão, reflito.

Não vi a mais discreta referência - falo da blogosfera - à psicopatologia do rapaz!

Ele é «falhanço do multiculturalismo» (?), ele é «falência da integração» (?), etc.
No essencial, as explicações de pendor sociológico que li, em nada me satisfizeram.



Não pretendendo ser visionário - dado que sou psi, com muita honra! -, do meu ponto de vista, a explicação é simples: tratou-se de um surto psicótico, provavelmente revelador de uma entrada na esquizofrenia.

A entrada na psicose esquizofrénica faz-se, regra geral, no final da adolescência, início da vida adulta. O seu prelúdio é, habitualmente, um surto psicótico - o "ataque de loucura", na vulgata.

Pelo muito pouco que li, os indícios desta perturbação há muito que se faziam ver: retraimento relacional acentuado / isolamento, frieza afectiva, etc.

En passant, das fugazes imagens que visionei, sobressai uma ódio primitivo, em estreita articulação com uma angústia persecutória invasora.

Provavelmente, no seu delírio de perseguição - ditado pela identificação projectiva patológica, evacuativa - o jovem mais não fez do que atribuir a outrem - às vítimas, no caso – partes não toleradas do seu próprio self.

A identificação projectiva tem, de facto, este carácter omnipotente, de evacuação e controlo, em / de outrem, daquilo que o próprio odeia e não tolera como sendo seu.

Assim, a realidade interna, com toda a sua fantasmática destrutiva, tornou-se na realidade externa.

Entendamo-nos, fiel leitor: o perseguidor que o psicótico identifica, no exterior, mais não é do que O perseguidor interno - o chamado mau objecto persecutório -, maciçamente projectado. Não se tratando o externo de um representante - um símbolo do mau objecto interno -, com propriedade, podemos falar de equação simbólica (a antítese da representação simbólica), segundo a qual se esbate a diferença essencial entre símbolo e objecto simbolizado; i.e., por força do mecanismo da identificação projectiva, em articulação com a equação simbólica, as criaturas que Cho Seung-Hui assassinou, para o próprio, mais não são do que os seus perseguidores internos, e não representantes dos mesmos.

Depois venham falar-me em «revolta contra a não-integração», «intolerância pela diferença» e teses análogas, que falham redondamente na base!

O que posso assegurar ao leitor é que, não fora a natureza psicótica do jovem em questão, nada disto teria sucedido! A dita revolta teria sido viviva neuroticamente - por via da palavra e da representação -, sem confusão entre mundo interno / mundo externo!

That’s my point!

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Dawn Upshaw's back ;-)

A lírica americana feminina anda ensombrada pelo cancro: Hunt Lieberson perece, depois de uma longa agonia, ao passo que Swenson e Upshaw, sensivelmente na mesma época, são vitimadas pelo cancro da mama.

So far so good, felizmente para ambas!

Swenson retomou o trabalho, triunfando como Cleópatra.

Desta feita, é Dawn Upshaw que regressa aos palcos, para felicidade de todos nós.

Upshaw está longe de possuir uma voz de antologia.
Em todo o caso, é uma excelente diseuse, afirmando-se como uma das mais prodigiosas intérpretes de lírica contemporânea – Gorecki não a dispensa, Adams muito menos! -, para não mencionar as suas magníficas leituras das mélodies de Debussy ou Messiaen.


It’s good to see you again, dear Dawn!

terça-feira, 1 de maio de 2007

Juanito Diego Flórez, él más grande!

O 1º de Maio nas províncias Ultramarinas, quando Angôla e Lourenço Marques ainda êram nôssas

Quando o tio bôtas mandava nesta têrra – Ufff ! Parêce que ‘tá de vôlta! -, era assim o 1º de Maio em África, têrra de liberdade, prosperidade e opulência, onde todos êram iguais – uns mais pretinhos que outros, ê cêrto -, e assim.

Em África, tínhamos uma machamba, tínhamos um comércio, tínhamos um machibombo, tínhamos roças...

Depois, vieram os comunistas e tiraram-nos tudo, tudo! Tudinho!

Pelo andar da carruagem, acho que África inda vai ser nôssa, um dia, em brêve.


(A Nossa Lourenço-Marques)


(A Nossa Ângola)

Oooooooooops… é 1º de Maio!!!

Claro que sou um proletário! Até já “militei” afectivamente no PSR!

GIORGIO ARMANI, MADISON AVE. NYC



A não perder ;-)

O Barbeiro de Munique ossia A Excepção Confirma a Regra!

Os meus (espiritualmente falando) conterrâneos francófonos, a propósito de Gruberová, são, à la fois, implacáveis e exímios na avaliação que fazem: capaz do melhor e do pior, sem compromissos possíveis.
Têm toda a razão, concedo!

Desta feita - e porque a excepção confirma a regra -, manda a prudência que advirta o leitor entusiasmado, que por minha sugestão (?) tem embarcado na louvável aventura OS CLÁSSICOS DA ÓPERA 400 ANOS.

É bem verdade, prezado e fiel leitor, que a qualidade da colecção se tem pautado por critérios artísticos de primeira linha. Contudo, no que toca a O Barbeiro de Sevilha - a sair na próxima sexta-feira -, todo o cuidado é pouco... Não fora o incontornável Almaviva de Florez, o artigo seria bem dispensável: Gruberová, no belcanto - à excepção de Lucia -, roça o desastre e Chernov rima com mediania...

Segundo a recensão da arrogante e parcialíssima (mas indispensável!) Diapason, Juanito Diego constitui o único vértice interessante desta interpretação.

Preconceituosamente, embarco nesta apreciação, pois o Rossini de Gruberova é quase assassino.

Se a tudo isto se somar a idade entradota da Senhora Gruberová – cinquentas e muitos -, by that time...

Mas, para que alguns dos mais fervorosos leitores não me apelidem de bota-abaixista, sem hesitar, aconselho Edita Gruberova como Zerbinette, inquestionavelmente a mais perfeita, avant La Dessay!



Posto isto, o risco é inteiramente por sua conta, fiel leitor!