Ópera, ópera, ópera, ópera, cinema, música, delírios psicanalíticos, crítica, literatura, revistas de imprensa, Paris, New-York, Florença, sapatos, GIORGIO ARMANI, possidonices...
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Doido, doido...
...ma non tropo! Resta-me um pingo de juízo para felicitar a Helena et ses hétéronimes.
DIGITALIS é, para mim, uma companhia diária, plena de vida, poesia, manjares dos deuses e - claro está - divagações psis.
(Cá para nós, Caríssima, retome a prosa! Aprecio a imagem, mas a sua prosa é notável!)
Um beijo e até mais
ps quando passar por Lx, apite!
DIGITALIS é, para mim, uma companhia diária, plena de vida, poesia, manjares dos deuses e - claro está - divagações psis.
(Cá para nós, Caríssima, retome a prosa! Aprecio a imagem, mas a sua prosa é notável!)
Um beijo e até mais
ps quando passar por Lx, apite!
BAIXA PSIQUIÁTRICA DE DURAÇÃO INDETERMINADA
“If you cant’t fight them, join them”
De tanto conviver com a / nas fronteiras da (in)sanidade, tornei-me, eu próprio, num insano e desmiolado: há vários dias que me afastei da lírica, literatura e demais interesses.
Desde há semanas, deu-se uma inexorável (?) mudança na estética dissoluta: descobri a mestria de JOSÉ CID - que já conta com 40 anos de carreira, sim senhor, pois que é obra!!! -, a grandiosidade de QUIM BARREIROS, que animou como ninguém o Carnaval do Salão Preto e Prata do nosso Casino do Estoril, e - pasme-se! - preparo-me para assistir a um concerto de JULIO IGLESIAS, que teima obstinadamente em protelar a reforma.
Noite e dia, trauteio “Como um macaco gosta de banana, eu gosto de ti”, enquanto a minha mulher me administra HALEDOL injectável (um neuroléptico de efeito quase imediato e duradoiro...)
A loucura é uma viagem sem retorno...

Se rgressar, será para criar um blog sobre Música Ligeira Portuga, e vão com sorte!
Ou então, sobre a obra da Sãozinha, essa dócil e amável menina...
(aqui para nós, a minha crise teve início com a estrondosa derrota da menina de quem sou devoto, que perdeu para a fatinha de todos nós, no concurso d'O Pior Português de Sempre. Não me conformo... Nunca mais serei o mesmo...)
De tanto conviver com a / nas fronteiras da (in)sanidade, tornei-me, eu próprio, num insano e desmiolado: há vários dias que me afastei da lírica, literatura e demais interesses.
Desde há semanas, deu-se uma inexorável (?) mudança na estética dissoluta: descobri a mestria de JOSÉ CID - que já conta com 40 anos de carreira, sim senhor, pois que é obra!!! -, a grandiosidade de QUIM BARREIROS, que animou como ninguém o Carnaval do Salão Preto e Prata do nosso Casino do Estoril, e - pasme-se! - preparo-me para assistir a um concerto de JULIO IGLESIAS, que teima obstinadamente em protelar a reforma.
Noite e dia, trauteio “Como um macaco gosta de banana, eu gosto de ti”, enquanto a minha mulher me administra HALEDOL injectável (um neuroléptico de efeito quase imediato e duradoiro...)
A loucura é uma viagem sem retorno...

Se rgressar, será para criar um blog sobre Música Ligeira Portuga, e vão com sorte!
Ou então, sobre a obra da Sãozinha, essa dócil e amável menina...
(aqui para nós, a minha crise teve início com a estrondosa derrota da menina de quem sou devoto, que perdeu para a fatinha de todos nós, no concurso d'O Pior Português de Sempre. Não me conformo... Nunca mais serei o mesmo...)
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Young (and clever) American Way of Speaking
Back from NY.
Ain't this great, like?
"Like, it’s just like, you see, like, Oh my God! Like, amazing, like, you know… Like…"
Quanta propriedade...like...
Um dia, chegarei a este estádio do conhecimento supremo...like...
Ain't this great, like?
"Like, it’s just like, you see, like, Oh my God! Like, amazing, like, you know… Like…"
Quanta propriedade...like...
Um dia, chegarei a este estádio do conhecimento supremo...like...
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Eugene Onegin
This (http://www.metoperafamily.org/metopera/season/single/reserve.aspx?perf=8957) will be a remarkable night, for sure!
Gergiev, Fleming, Vargas e... HVOROSTOVSKY sao do melhorio, sobretudo neste tipo de repertorio.
Veremos, com ansiedade!!!
Gergiev, Fleming, Vargas e... HVOROSTOVSKY sao do melhorio, sobretudo neste tipo de repertorio.
Veremos, com ansiedade!!!
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Jenufa - curtissima... Silija TRIUNFAL
Na recita de ontem, a grande estrela - alem da direccao orquestral, que foi sublime, dando primazia a brutalidade e visceralidade da partitura, mais do que ao lirismo - foi... Silija!
Mattila foi explendida, triunfando no final, pela luminosidade! A voz, plena de graves - Isolda a espreita? - demorou mais do que e habitual a aquecer. No monologo, foi contida.
Silija, essa, deu corpo a Kostelinka definitiva! Nem Rysanek deve ter feito melhor! O proprio vibrato selvatico assentou-lhe que nem uma luva! Triunfal, plena de odio e malignidade...
Aos 67 anos, depois de uma brilhante carreira, o que se pode mais querer?
Further details will be done, as soon as I arrive home ;-)
ps a temperatura em Nova Iorque esta substancialmente mais suportavel! Subiu para -7...
Mattila foi explendida, triunfando no final, pela luminosidade! A voz, plena de graves - Isolda a espreita? - demorou mais do que e habitual a aquecer. No monologo, foi contida.
Silija, essa, deu corpo a Kostelinka definitiva! Nem Rysanek deve ter feito melhor! O proprio vibrato selvatico assentou-lhe que nem uma luva! Triunfal, plena de odio e malignidade...
Aos 67 anos, depois de uma brilhante carreira, o que se pode mais querer?
Further details will be done, as soon as I arrive home ;-)
ps a temperatura em Nova Iorque esta substancialmente mais suportavel! Subiu para -7...
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Netrebko... telegramas
Estao 17 graus negativos em Nova Iorque.
Escrevo da APPLE STORE, no SoHo.
Por ora, duas curtas palavras para louvar a prestacao de Netrebko e Kunde, respectivamente Elvira e Arturo de I Puritani.
Segui a maxima Ver Para Crer.
Sem entusiasmos excessivos, sem deslumbramentos.
Netrebko foi notavel, mais lirica do que spinto.
Apesar da diccao deficiente - por vezes, incompreensivel! - e da fragilidade na coloratura - ai as cadenzas... -, triunfou pela ousadia - agudos amplos e brilhantes, sem pudor nem contencao.
Kunde mantem a disciplina e o estilo belcantista.
Embora menos seguro do que por ocasiao das recitas de La Sonnambula - TNSC, Junho de 1999 -, continua a ser um interprete de referencia neste dificil repertorio.
Esta noite, segue-se a grande Jenufa de La Mattila, dignamente acompanhada - espera-se! - por Silvestra e Silja.
Assim que puder, darei noticias!
Obviamente, farei criticas longas e aprofundadas relativamente as recitas.
(Aqui para nos, estou a convencer a minha mulher a assistir a Cavaleria Rusticana - com Licitra e Zajik - e I Pagliaci - com o mesmo Licitra e Urmana -, quarta-feira, dois dias antes do grande Oneguin, com Hvorostovsky, Vargas e... Fleming!
See ya soon, Folks :-)))) )
Escrevo da APPLE STORE, no SoHo.
Por ora, duas curtas palavras para louvar a prestacao de Netrebko e Kunde, respectivamente Elvira e Arturo de I Puritani.
Segui a maxima Ver Para Crer.
Sem entusiasmos excessivos, sem deslumbramentos.
Netrebko foi notavel, mais lirica do que spinto.
Apesar da diccao deficiente - por vezes, incompreensivel! - e da fragilidade na coloratura - ai as cadenzas... -, triunfou pela ousadia - agudos amplos e brilhantes, sem pudor nem contencao.
Kunde mantem a disciplina e o estilo belcantista.
Embora menos seguro do que por ocasiao das recitas de La Sonnambula - TNSC, Junho de 1999 -, continua a ser um interprete de referencia neste dificil repertorio.
Esta noite, segue-se a grande Jenufa de La Mattila, dignamente acompanhada - espera-se! - por Silvestra e Silja.
Assim que puder, darei noticias!
Obviamente, farei criticas longas e aprofundadas relativamente as recitas.
(Aqui para nos, estou a convencer a minha mulher a assistir a Cavaleria Rusticana - com Licitra e Zajik - e I Pagliaci - com o mesmo Licitra e Urmana -, quarta-feira, dois dias antes do grande Oneguin, com Hvorostovsky, Vargas e... Fleming!
See ya soon, Folks :-)))) )
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Entre 3 e 11 de Fevereiro, este blog resumir-se-á a...
...NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY, NY.
Tiago Palaré Galamba de Almeida...
... faço hoje, 2 de Fevereiro, UM ANO DE VIDA!!!

O meu pai está de partida, com a minha mãe, para os lados da Big Apple.
Parece que vão à ópera... Cheio de pressa que estava, não teve ocasião de colocar no blog uma foto recente...
By the way, PARABÉNS AO RAUL que é, segundo o meu pai, um dos mais assiduos leitores deste espaço ;-)

O meu pai está de partida, com a minha mãe, para os lados da Big Apple.
Parece que vão à ópera... Cheio de pressa que estava, não teve ocasião de colocar no blog uma foto recente...
By the way, PARABÉNS AO RAUL que é, segundo o meu pai, um dos mais assiduos leitores deste espaço ;-)
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
L'Hoffmann de Villazon
Sans surprise, l´Hoffmann de Villazon a fait merveille à Bastille.
D´après Le Monde, à part son français pénible - on s´imagine…-, Rolando Villazon a campé un héro plein de vitalité, à la fois scénique et vocale.
En ce qui concerne la mise en scène - dont la première j´ai pu témoigner, en 2000 -, avouons que l´optimisme du journaliste demeure isolé…
Finalement, je n´arrête pas de m’étonner: qu´est-ce qu´on méprise le boulot de Mlle Petibon ! À quel sujet ???
D´après Le Monde, à part son français pénible - on s´imagine…-, Rolando Villazon a campé un héro plein de vitalité, à la fois scénique et vocale.
En ce qui concerne la mise en scène - dont la première j´ai pu témoigner, en 2000 -, avouons que l´optimisme du journaliste demeure isolé…
Finalement, je n´arrête pas de m’étonner: qu´est-ce qu´on méprise le boulot de Mlle Petibon ! À quel sujet ???
Mozart & Harnoncourt
No que à lírica mozartiana diz respeito, raramente Nikolaus Harnoncourt me fascinou.
Em boa verdade, passa-se bem sem a sua Trilogia (apesar de Don Giovanni contar com aspectos mais do que relevantes, como em tempos aqui tive ocasião de dizer).
Desta feita, na bela Salle Pleyel, reinaugurada recentemente, La Betulia liberata - única peça de oratório escrita pelo punho de Mozart -, o maestro holandês transcendeu-se, segundo aqui se diz.
Na citada notícia faz-se referência a Mitridate, Re di Ponto, peça contemporânea do mencionado oratório.
Convido o paciente leitor a entregar-se a Mitridate, preferencialmente na leitura de Rousset (DECCA).
Depois dir-me-ão!
Em boa verdade, passa-se bem sem a sua Trilogia (apesar de Don Giovanni contar com aspectos mais do que relevantes, como em tempos aqui tive ocasião de dizer).
Desta feita, na bela Salle Pleyel, reinaugurada recentemente, La Betulia liberata - única peça de oratório escrita pelo punho de Mozart -, o maestro holandês transcendeu-se, segundo aqui se diz.
Na citada notícia faz-se referência a Mitridate, Re di Ponto, peça contemporânea do mencionado oratório.
Convido o paciente leitor a entregar-se a Mitridate, preferencialmente na leitura de Rousset (DECCA).
Depois dir-me-ão!
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Met em Antevisão - Jenufa

Eis, em antevisão - via New York Times -, a seguramente mítica e lendária noite que passarei com La Mattila, na Big Apple, a 6 de Fevereiro... ao lado da minha mulher...
A 5 com Netrebko, a 6 com Mattila, a 9 com Fleming, toujours à NY, toujours avec ma femme...
domingo, 28 de janeiro de 2007
Fura dels Baus, Bartók & Janacek, em Paris
As minhas reservas em torno das concepções estéticas dos catalães Fura Dels Baus são imensas.
A única vez que assisti a uma performance dos ditos senhores - em Lisboa, na Estufa Fria - sai desolado: a crueza constituía o eixo da concepção artística, pecando pela absoluta falta de elaboração.
Recordei as concepções de Freud sobre o Processo Primário - o reino da descarga, sem labor algum - e de Klein sobre o universo psicótico, dominado pela ansiedade persecutória, pela crueza e destrutividade.
A verdade é que, tanto esta notícia, como esta, dão conta de um trabalho notável de encenação do grupo catalão, que em Paris assinam uma nova produção de O Castelo de Barba Azul, de Bartók.
Confesso que teria lá estado, se pudesse...
A única vez que assisti a uma performance dos ditos senhores - em Lisboa, na Estufa Fria - sai desolado: a crueza constituía o eixo da concepção artística, pecando pela absoluta falta de elaboração.
Recordei as concepções de Freud sobre o Processo Primário - o reino da descarga, sem labor algum - e de Klein sobre o universo psicótico, dominado pela ansiedade persecutória, pela crueza e destrutividade.
A verdade é que, tanto esta notícia, como esta, dão conta de um trabalho notável de encenação do grupo catalão, que em Paris assinam uma nova produção de O Castelo de Barba Azul, de Bartók.
Confesso que teria lá estado, se pudesse...
Ute Lemper em Madrid
Vi-a, pela primeira vez, em Paris, na Opéra Comique, em Dezembro de 1999.
Na época, cingia-se ao repertório ortodoxo - Weill & Cabaret -, onde era extraordinária.
Pouco a pouco, tentada pelo crossover, alargou o seu repertório, ora com maior interesse - Nick Cave -, ora com menor - Brel, por exemplo.

Pelo que esta notícia dá conta, Lemper regressou ao seu território interpretativo original, deslumbrando Madrid. Não é de espantar...
Na época, cingia-se ao repertório ortodoxo - Weill & Cabaret -, onde era extraordinária.
Pouco a pouco, tentada pelo crossover, alargou o seu repertório, ora com maior interesse - Nick Cave -, ora com menor - Brel, por exemplo.

Pelo que esta notícia dá conta, Lemper regressou ao seu território interpretativo original, deslumbrando Madrid. Não é de espantar...
sábado, 27 de janeiro de 2007
Da Mania
Na lírica, as mudanças de registo vocal não são tão invulgares quanto isso!
A passagem dos anos, geralmente, é acompanhada de ganhos e perdas vocais.
Com frequência, os agudos são os primeiros a exibir sinais de fadiga e comprometimento. Por essa razão, assistimos a algumas mudanças de registo de voz. O mor das vezes, as mudanças seguem o trilho da "gravidade", dado que, como é sabido, os agudos saltam cedo...
Como exemplos desta mudança, de cor, cito Varnay, Mödl e Rysanek, que passaram de soprano a mezzo, e Vinay, que passou de tenor a barítono.
O caso de Bergonzi é menos vulgar, pois debutou como barítono, rapidamente passando ao registo agudo, de tenor.
Casos há, porém, em que os intérpretes não chegam a optar por um registo dominante, abordando papeis de registos diferentes, ao longo de anos (vide Bumbry, ora Tosca, ora Abigaille, ora mezzo-verdiano - Amneris, Eboli -, Dimitrova, que acumulava Amneris com Turandot e Meier, hoje Isolda, amanhã Eboli, depois Kundry, Santuzza...)
Vem esta prosa a respeito desta notícia, onde se anuncia uma encarnação baritonal de Domingo, que interpretará Simon Boccanegra, da ópera homónima de Verdi.

Em abono da verdade, a voz de Plácido Domingo sempre revelou traço baritonais, circunstância que determinou a sua cruzada feliz pelo território heldentenor - Siegmund, Parsifal, Tannhäuser, a par do recente Tristan (que jamais abordou em cena) -, paralela ao notável investimento na área do tenor lirico-spinto, de que o papel titular de Otello constitui o exemplo sumo, a meu ver.
Em Domingo, a idade tem vindo a escurecer a voz, a olhos vistos.
A citada notícia, que dá como certa sua encarnação de Boccanegra, embora não me invada de perplexidade, suscita-me algum receio.
Em 2001, assisti deslumbrado ao seu Parsifal, numa inesquecível récita no Met.
Na época, já com sessenta anos em cima, a sua extraordinária veia artística permitiu-lhe assumir um papel absolutamente identificado com a inocência e puerilidade.
Todos sabemos que o tenor espanhol se gaba da sua invulgar extensão em matéria de repertório - em tempos, creio que mantinha, no activo, mais de 100 papeis distintos! Inesgotável, Domingo tem ainda a seu cargo a direcção artística de duas óperas americanas, para além de reger orquestras, como maestro...
Dir-me-ão que este carácter hipomaníaco coexiste com sinais de humildade. Assim é.
De facto, depois de se ter comprometido a assumir, em cena, Tristan, sob a batuta de Baremboim, em Bayreuth, o intérprete recuou, revelando que tal encarnação seria fatal para a sua voz.
Fez um compromisso, acedendo a interpretar o herói wagneriano, apenas em disco, com Pappano. Fez muito bem!
A infatigabilidade e hiperactividade - termo tão em voga - de Plácido Domingo, a par da sua longevidade vocal e cénica, em termos psicológicos, devem ser lidas, obviamente, no registo da hipomania, que clinicamente se encontra nos antípodas da depressão.
Em boa verdade, sabe-se que a mania e suas variantes clínicas - hipomania, inclusive - mais não são do que defesas contra a depressão.
Pergunto-me, então, se este investimento em novos territórios não constitui uma negação do envelhecimento, tributário do declínio, materializando uma eficaz luta contra as angústias de morte, que acompanham o indivíduo, quando a eternidade se desvanece - lá pelos cinquenta e muitos, sessenta anos, digo eu.
Posto isto, com ou sem hipomania, só posso desejar-lhe felicidades na sua encarnação baritonal verdiana.
Aqui para nós, lá para os setenta - que não tardam muito... - ainda vai dar cartas como Iago!
É esperar...
By the way, fica um esclarecimento: Domingo iniciou a sua carreira como barítono, rapidamente transitando para o registo de tenor, qual Carlo Bergonzi.
Tratar-se-á de um regresso às origens???
A passagem dos anos, geralmente, é acompanhada de ganhos e perdas vocais.
Com frequência, os agudos são os primeiros a exibir sinais de fadiga e comprometimento. Por essa razão, assistimos a algumas mudanças de registo de voz. O mor das vezes, as mudanças seguem o trilho da "gravidade", dado que, como é sabido, os agudos saltam cedo...
Como exemplos desta mudança, de cor, cito Varnay, Mödl e Rysanek, que passaram de soprano a mezzo, e Vinay, que passou de tenor a barítono.
O caso de Bergonzi é menos vulgar, pois debutou como barítono, rapidamente passando ao registo agudo, de tenor.
Casos há, porém, em que os intérpretes não chegam a optar por um registo dominante, abordando papeis de registos diferentes, ao longo de anos (vide Bumbry, ora Tosca, ora Abigaille, ora mezzo-verdiano - Amneris, Eboli -, Dimitrova, que acumulava Amneris com Turandot e Meier, hoje Isolda, amanhã Eboli, depois Kundry, Santuzza...)
Vem esta prosa a respeito desta notícia, onde se anuncia uma encarnação baritonal de Domingo, que interpretará Simon Boccanegra, da ópera homónima de Verdi.

Em abono da verdade, a voz de Plácido Domingo sempre revelou traço baritonais, circunstância que determinou a sua cruzada feliz pelo território heldentenor - Siegmund, Parsifal, Tannhäuser, a par do recente Tristan (que jamais abordou em cena) -, paralela ao notável investimento na área do tenor lirico-spinto, de que o papel titular de Otello constitui o exemplo sumo, a meu ver.
Em Domingo, a idade tem vindo a escurecer a voz, a olhos vistos.
A citada notícia, que dá como certa sua encarnação de Boccanegra, embora não me invada de perplexidade, suscita-me algum receio.
Em 2001, assisti deslumbrado ao seu Parsifal, numa inesquecível récita no Met.
Na época, já com sessenta anos em cima, a sua extraordinária veia artística permitiu-lhe assumir um papel absolutamente identificado com a inocência e puerilidade.
Todos sabemos que o tenor espanhol se gaba da sua invulgar extensão em matéria de repertório - em tempos, creio que mantinha, no activo, mais de 100 papeis distintos! Inesgotável, Domingo tem ainda a seu cargo a direcção artística de duas óperas americanas, para além de reger orquestras, como maestro...
Dir-me-ão que este carácter hipomaníaco coexiste com sinais de humildade. Assim é.
De facto, depois de se ter comprometido a assumir, em cena, Tristan, sob a batuta de Baremboim, em Bayreuth, o intérprete recuou, revelando que tal encarnação seria fatal para a sua voz.
Fez um compromisso, acedendo a interpretar o herói wagneriano, apenas em disco, com Pappano. Fez muito bem!
A infatigabilidade e hiperactividade - termo tão em voga - de Plácido Domingo, a par da sua longevidade vocal e cénica, em termos psicológicos, devem ser lidas, obviamente, no registo da hipomania, que clinicamente se encontra nos antípodas da depressão.
Em boa verdade, sabe-se que a mania e suas variantes clínicas - hipomania, inclusive - mais não são do que defesas contra a depressão.
Pergunto-me, então, se este investimento em novos territórios não constitui uma negação do envelhecimento, tributário do declínio, materializando uma eficaz luta contra as angústias de morte, que acompanham o indivíduo, quando a eternidade se desvanece - lá pelos cinquenta e muitos, sessenta anos, digo eu.
Posto isto, com ou sem hipomania, só posso desejar-lhe felicidades na sua encarnação baritonal verdiana.
Aqui para nós, lá para os setenta - que não tardam muito... - ainda vai dar cartas como Iago!
É esperar...
By the way, fica um esclarecimento: Domingo iniciou a sua carreira como barítono, rapidamente transitando para o registo de tenor, qual Carlo Bergonzi.
Tratar-se-á de um regresso às origens???
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Stein encena a Trilogia de Tchaikovsky
Nesta entrevista, Peter Stein discorre sobre o seu trabalho em torno de Tchaikovsky, a cuja trilogia, baseada em Pouchkine – Mazeppa, Evgeni Oneguin e A Dama de Espadas -, a Opera National de Lyon tem dedicado um espaço de relevo.
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