quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Obituário: Astrid Varnay (1918 - 2006)

Definitivamente, este blog encontra-se ensombrado pela ansiedade de perda...



Após o rol de desaparecimentos de notáveis intérpretes das décadas de 1950 e 1960, é agora a vez de a última grande actriz-cantora wagneriana entregar a alma ao criador, juntando-se aos demais deuses, no Walhalla.

A morte de Varnay - soprano dramático wagneriano e (é bom não esquecê-lo!) straussiano - encerra um ciclo, que ora finda. Astrid perece, depois de Flagstad, Hotter, Windgassen, King, Rysanek e Nilsson. Com ela parte a mítica geração de intérpretes wagnerianos...

A perda e o trabalho de luto - labor depressivo - rimam, também, com a idealização, há que dizê-lo, com clareza!

Pessoalmente, recordo Varnay como Salome, Brunhilde, Isolda e Klytaemnestra. Admiro, sobretudo o seu infinito talento dramático, não negando as suas inúmeras fragilidades vocais.

Os duros empregos a que submeteu a voz, ao longo da década de 1950, comprometeram inexoravelmente as suas interpretações. Ainda assim, com inteligência e talento, à semelhança de Leonie Rysanek, passou de soprano dramático a mezzo-dramático, encarnando uma incontornável e definitiva
Klytaemnestra (como aqui referi), a par de uma não menos famosa Kostelnicka (Jenufa, de Janaceck)

A meu ver, Astrid V. foi uma soberba actriz dramática com dotes vocais apreciáveis. É assim que se perpetua na minha memória.

O The Guardian e o New York Times apresentam interessantes resenhas da carreira invulgar desta «besta-cénica».



Paz à sua alma...

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Fim-de-semana com... Rossini serio & buffo!!!

Parto, em viagem de fim-de-semana, na companhia de Rossini.
Centrarei (parte d´) o meu lazer em duas preciosidades que adquiri em Florença, há sensivelmente um ano...
Depois, dir-vos-ei!!!

Elisabeth SCHWARZKOPF: best of Opera (EMI)



Como tive ocasião de referir inúmeras vezes, a meu ver, Schwarzkopf foi o soprano lírico mozartiano e straussiano dos anos 1950, tendo apenas disputado este estatuto com Lisa Della Casa (sendo que, no essencial, Elisabeth levou a melhor...).

À semelhança do que havia prometido, por ocasião do desaparecimento da mítica intérprete, consagro este post a um (pessoalíssimo) best of opera discográfico de Elisabeth Schwarzkopf, apenas e só no tocante às edições da EMI Classics, a sua casa de referência, por razões sobejamente conhecidas de todos os apreciadores de lírica.

Advirto o leitor para a circunstância louvável de dispormos de uma trilogia mozartiana ao quadrado!

Schwarzkopf teve a ocasião de interpretar em estúdio (excepção feita ao primo Don, captado ao vivo em Salzburgo) a célebre trilogia, em dois momentos da sua carreira: Così Fan Tutte, 1955 & 1963, Le Nozze di Figaro, 1952 & 1961 e Don Giovanni, 1954 (live) & 1961.



Se é verdade que a frescura vocal marca as interpretações da década de 1950, as da década seguinte contêm a marca inabalável da mestria teatral. É só escolher, como se tal fosse possível!

Já no tocante a Richard Strauss, infelizmente não dispomos de igual sorte...

Ainda assim, a discografia deste compositor conta com leituras absolutamente indispensáveis, protagonizadas por Elisabeth Schwarzkopf: Ariadne auf Naxos, Capriccio e Der Rosenkavalier. Pergunto-me por que razão não gravou A Mulher sem sombra, Daphne ou mesmo Arabella?!



De facto, em todas elas, teria de afrontar as titulares discográficas e cénicas dos papeis principais femininos, respectivamente Ryzanek, Guden e Della Casa (esta última imbatível, na época!!!)

Termino com um registo não - operático absolutamente incontornável, porventura o maior, mais belo e eloquente legado de La Schwarzkopf (ex equo com a Condessa d´As Bodas de Fígaro, preferencialmente no registo de 1961, sob a batuta genial de Giulini): ...Vier Letzte Lieder, de Richard Strauss, na extraordinária e soberana interpretação de 1966, tão bela e pueril quanto melancólica, diáfana e dilacerante!
Um monumento lírico com poucos paralelos!!



nota: caso o leitor pretenda a lista integral de registos da intérprete, disponíveis na EMI, clique aqui.

Hans Hotter & La Calunnia (Rossini)



Na história da lírica, Hans Hotter ocupa um lugar único.
O baixo-barítono alemão é, para mim, o mais impressionante intérprete de sempre, sendo O meu cantor de eleição.

Especialmente para si, caro leitor, que apenas identifica Hotter com o repertório (pesado) wagneriano, aqui vai um Hotter buffo até à medula!

Os grandes, grandes intérpretes são versáteis, além de monumentais!!!

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Luto & Lírica: Leopold SIMONEAU (1916 - 2006)



Ainda não refeitos das recentes perdas líricas - Corelli, Dimitrova, Capucilli, Nilsson, Moffo e Schwarzkopf -, eis que perece
o maior e mais elegante tenor mozartiano dos anos 1950 - 1960, Léopold Simoneau, aos 90 anos de idade, como aqui se pode ler.

A título de curiosidade - e como sugestão, se assim bem o entender -, Simoneau eternizou um Don Ottavio inigualável, de uma elegância melódica absolutamente extraordinária, que desencadeou uma estrondosa ovação (sobretudo no final do Il mio tesoro) em Salzburgo, em 1956, como atesta esta récita de Don Giovanni (por sinal, uma das minhas predilectas interpretações da ópera homónima!)

O tenor canadiano deixou-nos, também, um notável Ferrando, ladeado pela imensa Schwarzkopf, sob a meticulosa batuta - na época... - de Von Karajan.



Escutá-lo, nestas maravilhosas interpretações, é a mais genuína forma de perpetuar o seu talento.

Boas audições!

Paz à Alma de Simoneau.

ps os mais curiosos podem ainda adquirir esta colectânea, bem mais eclética do que as mozartianas recomendações aqui propostas, onde o tenor se encontra ladeado pela mulher, Pierrette Alarie, soprano ligeiro. É que, para mim, Léopold Simoneau era O tenor mozartiano...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Disse-me um passarinho... ou Promessas da EMI CLASSICS



A razão de ser deste post prende-se com a preciosidade do artigo em questão, que brilhará - certamente - por ser inusitado!

Nos anos 1960, pelas sábias mãos de Klemper e Bohm, a grande mezzo Christa Ludwig interpretou, em estúdio e em cena (vide, respectivamente, Fidelio e Der Rosenkavalier), alguns papéis de soprano, com um sucesso tremendo.

Este registo, que a EMI ora inclui, no âmbito da colecção Great Recordings of The Century, constitui um "plus", na linha do que afirmámos, pois Ludwig apropria um repertório habitualmente atribuído a sopranos - Wesendonck Lieder, Isoldes Liebestod (Trsitan und Isolde), além da grande ária de Leonora (Fidelio).

Anos mais tarde, desde a década de 1970, fixou-se definitivamente no registo mezzo, fazendo aqui e ali incursões no domínio soprano, incursões essas habituais nas cantoras do seu registo - Donna Elvira, de Don Giovanni, por exemplo.

Now, Something Really Different!

A 8 de Setembro, no Coliseu de Lisboa, escutarei a mais sensual voz brasileira da actualidade...



segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Abbado & Lucerna

As festividades musicais prosseguem, um pouco por toda a Europa, muito além de Pésaro, Bayreuth, Glyndbourne e Salzburgo!

Segundo pude ler, "Aucun festival ne peut s'enorgueillir d'un tel programme".

Cólon & Buenos Aires

Entrementes, com uma infinita paciência, Dissoluto Punito aguarda o restabelecimento - ou deverei dizer convalescença? - d´A Cena Lírica Sul-americana.

Aguardo, pois, mi Buenos Aires Querida, que recuperes o que de melhor há em ti, para além da aura borgeana, claro está!

nota de rodapé: a paciência do melómano pode ser infinita, como a do analista - sem memória e sem desejo, como diria W. Bion.

domingo, 20 de agosto de 2006

(uma vez mais) Don Giovanni & Jacobs

Segundo consta, o Don Giovanni de Jacobs - em Innsbruck - conta com algumas fragilidades (sobretudo vocais)! A escolha de cantores barrocos para interpretarem um repertório clássico, pode não ser uma grande opção, ao que parece!!!

sábado, 19 de agosto de 2006

Schwarzkopf: An die Musik (Schubert)

Schwarzkopf: Der Rosenkavalier (Richard Strauss) III



Die Marchellin, Ich hab ihn nicht einmal gekusst
(Viena, 1961)

Schwarzkopf: Der Rosenkavalier (Richard Strauss) II




Die Marchellin & Octavian (Sena Jurinac), Die Zeit, die ist ein sonderber Ding
(Viena, 1961)

Schwarzkopf: Der Rosenkavalier (Richard Strauss) I



Die Marschallin, Da geht er hin
(Viena, 1961)

Schwarzkopf: Morgen (Richard Strauss)

Schwarzkopf´s Interview


Este será o primeiro de vários posts consagrados a Elisabeth Schwarzkopf, o maior soprano lírico mozartiano e straussiano do século XX.

Nesta entrevista, entre outras coisas, percebemos que Furtwangler foi o seu maestro de eleição. A escolha em nada me surpreende, devo acrescentar!

(ainda) Don Giovanni & Jacobs...

Esqueci-me de acrescentar que o post passado teve início a propósito do Don Giovanni que Jacobs dirige na edição de 2006 do Festival de Innsbruck!

Para os interessados nos solistas que Jacobs escolheu para a gravação áudio da mesma ópera, recomendo a leitura do último parágrafo desta notícia, pois há novas interessantes!

Don Giovanni & Jacobs

Uma nova interpretação de Don Giovanni torna-se notícia quando o seu mentor é... René Jacobs.

O maestro belga levanta a ponta do véu, nesta entrevista, onde disserta sobre as duas versões da ópera, num tom algo sobranceiro.


Para já, ficamos a saber que Simon Keenlyside interpretará a figura de Il Dissoluto Punito.

Se é verdade que Keenlyside possui todos os requisitos cénicos e físicos para encarnar o Don - dado ser senhor de uma esbelta figura -, a verdade é que vocalmente lhe falta algum charme (vide Abbado - DG -, onde Terfel sobressai como Leporello).


Ainda assim, acho que Jacobs sabe muito bem o que faz, inclusive em territórios mozartianos, disso mesmo sendo prova as suas leituras de Cosi e Le Nozze, para não mencionar a recentíssima Clemenza!

Ver-se-á, no Outono de 2007!

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Die Walkure, Acto III (final) - ROH Covent Garden, 2005


Looking for Wotan? Ei-lo, esplendoroso!
Para assistir de pé, dado tratar-se de um momento solene!

Assim foi, em Covent Garden, na passada temporada.

Ele há pessoas com sorte!