quarta-feira, 28 de junho de 2006

Parsifal, por Thielemann:

Kna está para Parsifal como Giulini para Don Giovanni.
Absolutamente incontornáveis, as duas leituras dos maestros constituem modelos: a veia pueril do primeiro e o brilho do segundo (na interpretação das respectivas óperas) provam-nos que, também na leitura musical, a metafísica e a transcendência não são miragens...

Vem esta prosa a propósito de uma recentíssima interpretação de Parsifal, que muita tinta fará correr.

Pese embora a minha incondicional admiração pelas duas leituras de Kna, de Parsifal - TELDEC 1951 e PHILIPS 1962 -, a bem da diversidade estética e da liberdade interpretativa, procuro incessantemente alternativas.

É assim que, no que à mencionada ópera de Wagner concerne, vou adicionando outras interpretações - Boulez, Barenboim e Von Karajan, por exemplo.
Procuro, assim, insurgir-me contra a idealização e o monolitismo!

Perguntará o leitor mais exigente se existe espaço para mais uma interpretação de Parsifal... Creio que sim, sem hesitar, sobretudo se se tratar da proposta de Thieleman.



A meu ver, a glória desta recente proposta radica na parelha Thielemann / Orchester der Wiener Staatsoper, em Domingo e Meier.

A leitura orquestral proporcionada pela Staatsoper de Viena é inegavelmente poética: ora diáfana e pueril, ora robusta e soleníssima, a orquestra movimenta-se com igual à vontade no recolhimento e na exaltação mística
Devo ainda destacar, neste âmbito, o genial labor das cordas - porventura as melhores do mundo... -, delicadas, majestosas e com um nível de afinação primoroso!

Domingo - que aqui interpreta o papel titular, uma vez mais - quis apagar a medíocre prestação dos mid-90´s, sob a batuta de Levine (também na casa DG): o alemão é agora mais aberto, cuidado, firme e seguro.

É verdade que o tenor insiste no arrebatamento... A envergadura vocal mantém-se inabalável, com folgo e pujança a rodos! Primoroso na exaltação e na expressão do êxtase, Domingo revela-se menos eficaz no lirismo - i.e., no lado mais pueril do herói -, pois Parsifal, apesar de inegavelmente heróico, é também inocente e casto... Há que recordá-lo!

W. Meier é a última grande Kundry da história; prova-o esta soberana interpretação. Apesar de negligenciar o lado erótico e sedutor da personagem, a Kundry desta intérprete é particularmente expressiva no domínio da insanidade, indo muito mais longe do que, por exemplo, Mödl, cuja louca Kundry (Kna´1951) atormentava o maior dos afoitos!

Como ilustração artística destas minhas considerações, destacaria, caro leitor, o final do segundo acto.

A prestação do casal Parsifal - Kundry, nesta fase da trama, é mítica: ambos ilustram com indesmentível mestria o debate entre carne e espírito.
Doravante, ela deprime-se, entregando-se à melancolia; ele faz uma magistral pirueta maníaca, tornando-se num salvador asceta, convicto e singular.

Acrescentaria duas palavras, antes de terminar, a propósito de Amfortas e Gurnemanz.
Ambas as interpretações padecem de uma relativa fragilidade artística: enquanto o Amfortas de Struckmann se revela algo translúcido, dramaticamente, o Gurmenaz de Selig padece de falta de heroicidade e autoridade. Quanto ao Klingsor de Bankl, diria que cumpre a sua missão, com relativa eficácia, sem contudo se destacar.

Posto isto, caro e fiel leitor, recomendo esta interpretação aos heterodoxos e, muito particularmente, aos amantes da orquestra da Ópera de Viena.

domingo, 25 de junho de 2006

Die Meisterspieler von Nürnberg*

Walter von Stolzing triunfou...


...sob a sábia orientação de Hans Sachs, claro está!


*Os Mestres-Jogadores de Nuremberga

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Demais Interesses xyz



Perco-me na leitura d´O Aleph.
Procuro, em vão - por ora -, a saída do tortuoso labirinto...
Lancei-me na teia.
Temo o encontro com o Minotauro; receio a tenacidade da aranha...

Entretanto, deslumbro-me no / com o singularíssimo universo borgeano.

Termino O Aleph, sem contudo ter lido o conto homónimo.

Novas Aquisições!!!

Uma das manifestações clínicas da mania é, justamente, o gasto demedido de dinheiro em compras...

Eis algumas das aquisições musicais secundárias ao meu furor maníaco :-)))

quarta-feira, 21 de junho de 2006

As Cordas de Viena (Wiener Staatsoper)...

...são as mais magníficas que conheço (ainda mais belas que as Contas-de-Viana, que tanto embelezam a minha mulher, já de si belíssssssssima)!

Exemplos? Oiçam o Parsifal de Thielemann!!!
Mais argumentos pro Thielemann´s Parsifal? Por ordem de relevância: Thielemann lui-même, Domingo & Meier, claro está!



ps logo que possível, explico por que razão não dispenso esta bela interpretação!
Sim, bem sei, bem sei : Kna´51 e ´62 são monumentais...

terça-feira, 20 de junho de 2006

Do Fundo-de-Catálogo...

... da EMI, decidiram revitalizar maravilhas como esta, esta, esta, esta, esta e... ESTA (a cereja-em-cima-do-bolo!).

But, the best is yet to come: tudo, tudinho a mid-price!!!

Ain´t that greaaaaaaat???

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Recomendações Curtas - I


(DG 439 896-2)

Pela batuta de Boulez, eis um Debussy além do sensorial e aquém do figurativo / representativo: as impressões sugerem, evocam...

A música, sem contornos, é um continuo: fluida, discorre, algures entre a impressão e o etéreo.

Alta...


Após uma curta convalescença psiquiátrica, Dissoluto Punito regressa recomposto (?)...
Ver-se-á...

sábado, 10 de junho de 2006

Baixa...


Dissoluto Punito & Família, vencidos pela fadiga extrema, ausentam-se até 19 do corrente.
Incapaz de tecer considerações sobre O Ouro do Reno e Mattila´s performance, Punito Dissoluto regressará à sua nobre tarefa, finda a baixa.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Recital de Karita Mattila, F. C. Gulbenkian, 9 de Junho, 19:00 h

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Se és jovem de espírito, ousado, aventureiro e gostas de loiras, junta-te aos bons e serás como eles !

Amanhã, dia 9 de Junho, a mais incandescente loira lírica finlandesa ? Karita Mattila - apresenta-se em recital, na F. C. Gulbenkian, pelas 19:00h.

Se estás interessado num bilhete de segunda plateia, com uma redução de 30%, e te agrada a ideia da companhia de Il Dissoluto Punito e respectiva mulher, contacta-me para o 967 620 170, ou deixa contacto ;-)

quarta-feira, 7 de junho de 2006

A Paternidade e suas vicissitudes...

Vicissitudes da paternidade têm mantido o meu pai distante da blogosfera...
Creio que ele voltará "à carga", muito em breve...


(Dissoluto Punito Jr debutando na Feira do Livro de Lisboa)

quinta-feira, 1 de junho de 2006

segunda-feira, 29 de maio de 2006

O Ouro de Vick...

Vicktória, Vicktória!!!
(ps Dissoluto Punito, momentanemante castrado - leia-se, sem acesso à net :-((() - voltará ao assunto, de bom grado :-))))) )

sábado, 27 de maio de 2006

O Parsifal de Thielemann & O Ouro (Vicktorioso?) de Graham

Depois da divulgação desta interpretação da magistral ópera wagneriana Parsifal, tenho andado particularmente atento à crítica.
Após o rol de elogios da Gramophone, é agora a vez do Telegraph.

Aguardo com indesmentível ansiedade o veredicto da Diapason.
Se a regra se mantiver, destruirá em absoluto a dita interpretação: sempre que a crítica anglo-saxónica elogia, a francófona arrasa (e vice-versa)!

Enfim, coisa da não-objectividade.


(Parsifal: Bayreuth, 1951, produção de Wieland Wagner)

Entretanto, dei-me conta de que assistirei à estreia de O Ouro do Reno, amanhã!
Não gosto nada de estreias... Enfim!

Não escondo a minha grande admiração pelo grande G. Vick que, desta feita - ainda que num "trabalho a prestações" - acedeu a encenar a mais extraordinária parábola sobre o pessimismo, a decadência e a perversidade humanas.

Os mais letrados consideram que tais características correspondem à concepção romântica da humanidade...

Pela parte que me toca, interessa-me mais a dimensão projectiva das ditas personagens, i.e.: em que medida as ímpares figuras d´O Anel não representam dimensões do próprio compositor, que além de genialíssimo, era pessimista, omnipotente, algo perverso, megalómano, etc?

A meu ver, O Anel é um dos marcos na história da lírica... e uma notável expressão da psicologia wagneriana, onde se mesclam, justamente, narcisismo e perversidade...

Voltarei "à carga" sobre estas questões!

Adianto, desde já que mais vale um Anel-a-prestações (Washington e Zurique) do que um não-Anel (Paris - Châtelet)!


(Das Rheingold: Bayreuth, 1960, produção de Wolfgang Wagner)

Ver-se-á...

terça-feira, 23 de maio de 2006

Bryn Terfel wins 2006 Shakespeare Prize

Para fãs incondicionais do Galês (como eu...)!

11/09 & Oliver Stone: (mais) Vinhetas Clínicas - a Ansiedade de Castração

Anos volvidos sobre o "trauma", O. Stone revê a situação traumática, quiçá em busca de uma outra verdade.



Oliver Stone procura sempre reviver o trauma original - qual analisando -, a ele volvendo por via fílmica.
Fê-lo (magistralmente - vide Platoon) a propósito do Vietname; fá-lo agora a propósito do 11 de Setembro.

Diria que esta recherche de Stone é partilhada por muitos ocidentais, que se questionam sobre o significado e repercussões da aparatosa destruição das Torres Gémeas.

Dissoluto Punito - cada vez mais atento ao latente - reflecte, reflecte...



Os trágicos acontecimentos ocorridos a 11 de Setembro de 2001 - particularmente no tocante à absoluta destruição do World Trade Center -, além de darem conta da vulnerabilidade estado-unidense (nos antípodas da omnipotência, sentimento que até à dita data reinou, sobretudo), a meu ver, decorrem de uma ansiedade tipicamente neurótica, na acepção psicanalítica: a ansiedade de castração.

De facto, não creio existirem símbolos mais afins com o poder fálico do que o World Trade Center, bem como a super-estrutura armada Pentágono!

Obviamente refiro-me à expressão fálica em termos simbólicos, dado que ambos os edifícios constituem duas expressões de poder absoluto: financeiro - no caso das torres - e militar - no caso do Pentágono.

Em minha opinião, o que se pretendeu com os atentados ocorridos a 11/09 nada teve que ver com um desejo de aniquilamento ou de erradicação maciça!
Antes se procurou lesar uma parte do mundo, isto é, castrá-la, tão profundamente quanto possível.

Resta dizer que, no que ao desenvolvimento psíquico diz respeito, a ansiedade de castração é organizadora, não apenas por confrontar o individuo com os seus limites e fragilidades, como por estabelecer alguns dos interditos fundamentais (nomeadamente os que decorrem da regra fundamental da interdição do incesto)...

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Para americano ver...

A typical american success story: o carpinteiro que se torna director-geral...


(J. Volpe, o ex-Senhor Met)

Foi assim a gala do Met, que assinalou o final da Era Volpe.