quarta-feira, 10 de maio de 2006

Teatro alla Scala...

...o Senhor que se segue a Muti é... Daniel Barenboim.
Pelo que me toca, nunca me impressionou. No se refere a Muti, não posso dizer o mesmo.

Ver-se-á...

segunda-feira, 8 de maio de 2006

La Forza del Destino... Revisitação Edipiana

Prometo, prometo, tardo, tardo... mas cumpro!

Desta feita, no bem fadado fim-de-semana que ora finda, debrucei-me sobre a La Forza del Destino, na leitura de Serafin.
Recordei a mui nobre e interessantíssima interpretação de Muti.

Por ora, apenas digo, caro leitor, que esta ópera versa sobre o inexorável.
Mais, refiro que Édipo é reconvocado, nesta trama, por demais romântica e exacerbada

Verdi, à semelhança de Aïda, Un Ballo in Maschera, Don Carlo, Ernani e Luisa Miller - para citar, apenas, algumas das mais célebres óperas -, em La Forza Del Destino, alicerça a trama numa situação conflitual, triangular.

Desta feita, Leonora debate-se entre o amor genital - por Alvaro - e o amor filial - pelo Marquês de Calatrava. De notar, contudo, que o fulcro neurótico - leia-se, conflitual - da trama, uma vez mais, não comporta uma saída saudável (ou não fora ele neurótico!).

Apreciei a força (?) do deslocamento - ao invés de matar o rival, com esse fito, Alvaro fá-lo acidentalmente. So far, so good!

Aqui para nós, a força da neurose verdiana é de tal ordem, que não possibilitou uma resolução audaciosa!
Leonora, corroída pela culpabilidade da escolha, castra-se, dando entrada numa vida de clausura...

O resto? Fica para depois!



Por qual delas opto? Espere, espere, caro leitor...

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Met & Handel?!

Parece que a coisa funciona! A Rodelinda, de Handel, em reprise, correu na perfeição, pelo que aqui se diz!
Pensar-se que a imensa sala do Met apenas se adequa à ópera romântica, indubitavelmente, é um erro!
Também a ópera barroca e clássica - óperas mais recatadas, na estrutura e trama, plenas de recitativos e privilegiando o intimismo, de camara, portanto - pode fazer sensação na dita sala!

Handel, Fleming (malgré tout... leia-se, apesar do fracasso do cd consagrado a G. F. Handel), Scholl & o Met triunfam!


(Fleming e Daniels que, nesta reprise, é substituído por Scholl, debutando no Met)

quarta-feira, 3 de maio de 2006

O Mozart de Giulini...

Se não me engano, as afinidades do velho mago maestro italiano com W. A. Mozart não eram as maiores, pelo menos, é o que as editoras discográficas atestam!
Giulini gravou algum Mozart. Não em demasia, para minha grande infelicidade...

Há anos que empreendo uma louca cruzada, no encalço de uma interpretação de Don Giovanni que - já não digo suplante, coisa impossível - iguale a primeira (1961) de Carlo Maria Giulini (EMI).

Busch, 1936 (NAXOS Historical)?
Furtwängler, 1954 (EMI)...
Haitink, 1984 (EMI)?
Krips, 1958 (DECCA)?! Sim, seguramente!!!
Mitropoulos, 1956 (SONY)? Simmmmmmmmm!!!
Muti, 1991 (EMI)? Indubitavelmente!

O resto... no que ao áudio concerne, é treta, salvo alguns parcos detalhes.


(EMI - 7243 5 67869 2 9)


Sempre ouvi dizer que não há duas sem três... Por ora, creio não haver uma sem duas!
Assim é, caro e paciente leitor!
Este bloger anda sob o efeito de medicação, desde que foi acometido por uma valentíssima crise de hiper-tensão, causada por As Bodas de Figaro, na triunfal, mítica, lendária e singularíssima leitura de Carlo Maria Giulini!!!


(EMI - 0777 7 63266 2 7)

E mais não digo, por ora, a conselho do Senhor Dr.!!!


Se é verdade que não há duas sem três, pergunto: Onde pára o Così de Giulini???


ps andei anos a fio em torno d´As Bodas de Gardiner, Von Karajan (1950), Solti (1983), Jacobs (2004)...

Looking for a fire-eater?

Nabucco, de G. Verdi, salvo algumas passagens, é, em minha opinião, uma ópera musicalmente desinteressante, sobretudo. O Libreto é de má qualidade e a orquestração monótona e repetitiva.
À excepção do célebre Coro dos Peregrinos e da pirotécnica cabaletta de Abigaille, pouco mais há a destacar nesta peça lírica.

Bem sei, bem sei... Bruson, nos idos anos 1980, deu à personagem titular - Nabucco - uma espessura e densidade dramática mais do que interessante! Mas, ainda assim...

Quanto à pérfida Abigaille, apenas Dimitrova a afrontou, com a indispensável bravura, nas últimas décadas.

Vem esta referência a propósito do notabilíssimo trabalho de restauração e reabilitação da única gravação disponível de Nabucco, gravada em Nápoles, em 1949, com a Divina na pela da maligna heroína.

São muitas as editoras a explorarem esta gravação. O mor das vezes, não realizam trabalho algum, no sentido de contornarem a deficientíssima prise de son da dita gravação, que apresenta momentos que bordejam o inaudível!

Ora, a séria e louvável MEMBRAN apresenta, agora, uma aceitável gravação da mencionada ópera, depurada - tanto quanto possível... - das deficiências originais.

A meu ver, apesar das falhas técnicas - no que ao som concerne - e do paupérrimo trabalho de interpretação de Gino Bechi, na pele da personagem titular, este artigo merece ser adquirido, mais que não seja pela triunfal prestação da Callas, que confere à personagem a mais absoluta malignidade!
A voz - fresca, flexível, habilidosa, extensa, densa e robustíssima - materializa aquilo a que chamo soprano-fire-eater, que tecnicamente se designa dramatico-di-agilitá (ainda mais potente do que o lírico-spinto, na minha opinião!).

Destaque, ainda, para o notável Zaccaria de Luciano Neroni, pleno de pujança e autoridade!


(Nabucco - Gui; MEMBRAN 222387-311)

Caso o leitor pretenda outras gravações de La Divina - recentemente caídas em domínio público, para bem de todos nós! -, a preços bem mais módicos do que os praticados pela gulotona EMI, basta visitar esta página, pertença da já referenciada MEMBRAN.

Bravo MEMBRAN, bravo!!!

Salome (versão de concerto): Fundação Calouste Gulbenkian, direcção de L. Foster; récita de 27 de Abril de 2006

Raras são as ocasiões em que o público português pode assistir à um dos pilares da visceralidade musical e teatral.
Salome, juntamente com Elektra - óperas de reportório, de Richard Strauss -, constitui a materialização da heterodoxia do compositor austríaco.

De facto, considerar Richard Strauss um ultra-romântico tout-court, depois das rupturas introduzidas pelas citadas óperas - quer em termos melódicos e de composição, quer no tocante à densidade do texto subjacente - parece-me assaz redutor, senão erróneo!

À época, segundo creio, qualquer uma das óperas inscreveu-se nos antípodas do convencionalismo!!!

Confesso a minha enorme admiração pela capacidade de conceber obras tão extraordinárias, como antagónicas - estilística e estruturalmente falando -, como Ariadne auf Naxos e Salome, Arabella ou Elektra...

Centremo-nos em Salome, paradigma da ópera visceral, onde se cruza histeria, sedução e perversão, num clima de exotismo e decadência.

Discordo, radicalmente, de quem considera que o papel de Salomé se ajusta a um soprano dramático.
Indubitavelmente, interpretar esta figura da lírica requer volume e robustez física, atributos que um soprano dramático, por inerência, deve deter. Mas, Salomé requer, igualmente, lirismo, suavidade e luminosidade - características que dão corpo à dimensão erótica da figura -, sem o que a personagem redunda numa "matrona" (vide Marton e... Nilsson: ambas triunfam pela robustez, falhando redondamente na feminilidade!).

Se me é permitido, na história da lírica recente, apenas conheço três intérpretes capazes de reunir os dois descritos predicados, construindo uma protagonista convincente: C. Studer, L. Rysanek e K. Mattila.


Em minha opinião, a récita de Salomé, em versão de concerto - récita de 27 de Abril de 2006 -, na Fundação Calouste Gulbenkian, com direcção de Lawrence Foster, afirmou-se, acima de tudo, pela qualidade cénica e vocal da protagonista da ópera.

Mlada Khudoley, aquém e além da partitura, assumiu um protagonismo notável, inquestionavelmente.

Escarlate no temperamento cénico e na voz, a soprano russa brilhou pela convicção e entrega.
Compôs uma Salomé, simultaneamente, sedutora, sensual, caprichosa e perversa. Não fora a ópera interpretada em versão de concerto e teríamos, seguramente, um dos mais escandalosos espectáculos de pornografia lírica de que há memória...

Ainda tive a esperança de a ver bambolear-se ao som inebriante da infinitamente exótica Dança dos Sete Véus... Enfim...


(
Mlada Khudoley)

Vocalmente, Mlada Khudoley brilhou pela inquestionável endurance. Aguentou a récita com folgo, brilho e fulgor. Dramática "qb" na resistência, melodiosa e radiosa no fraseado, esta intérprete projectou uma protagonista singular.

Ainda assim, aponte-se-lhe algo a corrigir, em termos técnicos: com registos bastante homogéneos, a transição entre os mesmos revelou-se algo estranha à subtileza e elegância...

A técnica, invariavelmente, é o calcanhar-de-Aquiles das intérpretes russas [não te parece, João Ildefonso?! Já discutimos esta questão, vezes sem conta!].


(
Mlada Khudoley, como Salome, algures...)

No tocante à restante distribuição, dirijo apenas duas palavras, a dois intérpretes, pela melhor e pior das razões, respectivamente: Donald Litaker - Herodes - e Ruuttunen - Iokanaan.

O tenor Litaker interpretou um intere
ssante Rei Herodes, pleno na decadência, bem ao jeito do seu compatriota K. Riegel, a meu ver, o melhor Herodes da discografia, sob a direcção de C. Von Dohhányl (DECCA). Faltou-lhe, com frequência, mais firmeza na emissão, que se esbateu na / pela massa orquestral...

Quanto ao Iokanaan do barítono finlandês... revelou-se catastrófico!
Sem folgo nem pujança, compôs um João Baptista dificilmente audível, pela falta de recursos vocais, sobretudo. Desenhou uma figura esbatida, decrépita, em tudo estranha ao carácter da personagem, que se imagina altiva e esbelta.
A figura do intérprete não ajudou, há que dizê-lo...

Relativamente à orquestra, Foster assumiu uma direcção eficaz, correcta, embora contida e sem grande brilho.

Apesar do inquestionável domínio de um dos efectivos orquestrais mais extensos - a orquestração da ópera é, ao que julgo, das mais complexas, pelo elevado número de instrumentos envolvidos, bem como pela "polifonia" que encerra -, o maestro revelou falta de espontaneidade e pouca liberdade expressiva.

Por exemplo, não senti a orquestra sublinhar os acentos da Dança dos Sete Véus...
A toada mantinha-se, sem grandes modulações. Aqui e ali, a excitação era visível, mais pela mímica de Foster e pelo volume sonoro impresso, do que pela palpitação musical, diga-se!

***

Para os mais interessados, aqui deixo a minha Salomé de eleição, que não cesso de recomendar:



(DG 431 810 - 2, com direcção de Sinopoli)

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Estrelas Metropolitanas: Voigt & Pape, Cara-e-Coroa

Depois de uma muito publicitada cura de emagrecimento - via banda-gástrica -, Deborah Voigt, qual Diva, lançou-se na aventura da interpretação de Tosca, uma das mais célebres heroínas Puccinianas.

Um soprano lírico (lírico-dramático, com esforço), interpretar um papel composto para soprano dramático?
O The New York Times dá conta do acontecimento.


(Deborah Voigt, antes da banda-gástrica)
***

Noutro quadrante, o citado jornal divulga uma longa entrevista com um dos mais extraordinários baixos da actualidade: René Pape.

Para mais detalhes sobre Il Divo, clicar aqui.

Nota corrosiva: são cara e coroa, brilham no mesmo teatro lírico do mundo - porventura, o melhor: Met - e cultivam o kitsch... Adoram o glamour e adereços pires...
São extraordinários! Quanto a isso, nada há a dizer em contrário!



(René Pape, um poseur!)

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Adriana Mater: manifesto vs latente (considerações psicanalíticas)

A minha triplice condição de homem, pai e psi levou-me a uma leitura diferente do libreto de Adriana Mater, última ópera de Kaija Saariaho.

Eis, em síntese, o essencial da trama, nas palavras do The New York Times (conforme se pode ler, aqui):

« Adriana Mater is raped by a soldier from her own community. Ignoring the advice of her sister, Refka, Adriana refuses an abortion and rears a son, Yonas, to believe that his father died a war hero. At 17, he learns the truth. When the man, Tsargo, returns to the village, Yonas decides to kill him.
(?)
Divided into seven tableaus, the opera opens with Adriana (the Irish mezzo-soprano Patricia Bardon) rebuffing the advances of a drunken villager, Tsargo (the Danish bass Stephen Milling).

In the second tableau, Tsargo returns as a soldier and, when Adriana again rejects him, he bursts into her home and rapes her. In the third scene, with Adriana now pregnant, Refka (the Norwegian soprano Solveig Kringelborn) chastises her for bearing the son of a monster. But Adriana responds: "It is not his child, Rekfa, it is mine."

The remaining four tableaus take place 17 years later, when Yonas (the Canadian tenor Gordon Gietz) sets out to kill his father. "If he must kill him, he will kill him," Adriana responds with resignation.

But this is where the opera turns from despair to hope.

Yonas cannot bring himself to kill Tsargo, now old and blind. Feeling he has betrayed his mother, he begs her forgiveness. But now, at last, Adriana is sure that her blood flows through Yonas's veins. "This man deserved to die, my son, but you did not deserve to kill," she says. And taking her son in her arms, she concludes: "We are not avenged, Yonas, but we are saved? »

***

Ensinou-nos mestre Freud a ver para lá do evidente... O mesmo é dizer que, alem do conteúdo manifesto - de um sonho, de uma criação literária... e de um libreto, por que não?! - há um conteúdo latente, sendo este o revelador da expressão e dinâmica inconscientes.

Caso o leitor adopte este modelo de análise, verá que nem sempre o que parece, é!

A meu ver, tal é o caso de
Adriana Mater !

Em superfície - ao nível manifesto, para retomar a terminologia freudiana -, a ópera versa sobre a supremacia de valores como a abnegação, a devoção e o espírito de sacrifício sobre a brutalidade e o primitivismo.


(Tsargo e Adriana: negro vs branco, tributários de uma clivagem entre obscuro e virtuoso)

Tretas e mais tretas!

Detenhamo-nos, agora, numa interpretação mais profunda da trama, depurada de leituras romanceadas, bem ao jeito do socialmente correcto.

Subjacente aos acontecimentos descritos, em tom literário, é óbvio o confronto entre poderes: Adriana-fémea-mãe, estóica, por via do sacrifício(?!) e do amor maternal(?!), mulher determinada, ainda que dorida (opta por dar vida (?!) a um filho, gerado na sequência de uma violação), contrasta com a destituição de simbólica fálica de Tsargo-homem-pai (alcoólico, velho e cego, ainda que militar, outrora), figura por demais frágil.

Desde logo, Yonas surge como um projecto narcísico, fruto de um desejo exclusivo de Adriana que, sozinha, faz uma escolha: ter um filho dela, só.
A forclusão do paterno é por demais evidente!

Mas a coisa não fica por aqui...

No futuro, prosseguindo a lógica narcísica da «heroína», Yonas será investido como um prolongamento de si mesma; materialização omnipresente do ódio, o jovem tem um mandato inexorável: o parricídio.

O desejo da morte de Tsargo condensa, em simultâneo, a aspiração omnipotente de Adriana, que assim triunfa heroicamente sobre o masculino - paterno e se vinga, por interposta pessoa... sem sujar as mãos!

Adriana fêmea - mãe (re)triunfa sobre o masculino - pai / filho!



Caro leitor, lamento a brutalidade das minhas considerações...
A verdade, verdadeira - na minha óptica, claro está! - é que esta criação lírica assenta num libreto que desvirtua o masculino / paterno - identificado com a brutalidade e a guerra -, enaltecendo o virtuosismo de uma maternidade omnipotente e gloriosa, que se oculta sob o manto diáfano dos bons valores.


Adriana Mater é, para mim, a versão das «produções independentes» (leia-se, filhos-sem-pai), que as novelas brasileiras dos idos anos 1980 propagandearam, despudoradamente, diante de um público escandalosamente acrítico.

Back to Salieri...

Retomemos o tema deste post, consagrado a La Grotta di Trofonio, de Salieri.

Em ambiente de comemorações mozartianas, Christophe Rousset presta uma justa homenagem a Salieri - compositor maior, maldito pela ignorância - por via da interpretação da ópera La Grotta di Trofonio.

Esta leitura constitui, a meu ver, uma superior forma de reparação - no sentido psicanalítico do termo -, dado que enaltece a qualidade da composição de Salieri, servindo-a com elevação e aprumo, ao mesmo tempo que desconstrói inverdades históricas.

Estreada em ambiente clássico - finais do século XVIII, em 1785, para ser mais exacto -, esta composição lírica afirma-se como paradigma do equilíbrio e harmonia estética e musical.

Plenamente buffa, a ópera constitui uma parábola sobre a (in)constância humana, colocando a tónica no debate entre pensamento e emoção.
As personagens da trama, delineadas com graça e ironia, representam com inegável rigor dois tipos de carácter: o obsessivo (Ofelia e Artemidoro) e o hipomaníaco (Dori e Plistene).

A distribuição conta com figuras pouco conhecidas do firmamento lírico mais mediático.
Globalmente, o nível vocal é elevado e homogéneo, destacando-se o baixo buffo (coisa rara, nos dias que correm...) Carlo Lepore, na pele de Trofonio, pela ironia e graça transmitidas.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Wagner sublime, como nos bons velhos tempos...













Junte-se HEPPNER, MATTILA e BOB WILSON: um milagre repete-se!

No MET, em reprise, eis um Lohengrin de sonho, cantado pelos maiores intérpretes wagnerianos do momento, sob a orientação de um magnífico encenador, embora repetitivo (não será esta a essência do minimalismo?)...

O nascimento do meu filho Tiago trocou-nos as voltas. pois era suposto termos assistido a uma destas récitas.
A Paternidade vale mais do que mil óperas, eis a verdade nua e crua!

terça-feira, 18 de abril de 2006

O Crepúsculo dos Deuses...

...no Walter Reade Theater - Lincoln Center. Para ver e rever.


Ópera contemporânea ?

Longe da veia iconoclasta - que nos idos anos 1970 vaticinou o fim da ópera -, a criação lírica não cessa, como provam estas (interessantes) 5 questões.

The Magic Flute (?!)

Depois da pessoalíssima versão, em sueco, de Mestre Bergman, Branagh oferece uma (seguramente...) idiomática leitura d´A Flauta Mágica, de Mozart, em inglês.
Annus Mozartianus oblige.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Justiça!


(La Grotta do Trofonio, de Salieri: Rousset dirige Les Talents Lyriques)

Em linguagem psicanalítica, Justiça escreve-se com R, de REPARAÇÃO...

quarta-feira, 12 de abril de 2006

(férias)

Desgastado pela paternidade e demais afazeres profissionais, Dissoluto Punito retira-se, por alguns dias, para recuperar forças :-)

domingo, 9 de abril de 2006

ISOKOSKI: the other finland...

Nos antípodas da histriónica Mattila, as palavras da compatriota Isokoski sublinham a sua imensa discrição, adornada por um estilo soft & light...

Soprano lírico, por excelência - não conheço outra igual, na actualidade, além da Fleming -, Soile Isokoski confessa a sua desmesurada admiração pela Divina Grega Maria...

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Furacões Ocidentais

Para que não me tomem por faccioso, aqui vão algumas reedições (DECCA) de grandes, grandes artistas líricos dos anos 1950 (Siepi), 1960 (Scotto), 1970 (Burrows e Freni) e de-sempre (Dieskau).

É aproveitar, tanto mais que se trata de um conjunto de artigos mid-price!!





(Aqui há mais detalhes: clicar em SERIES e, depois, em CLASSIC RECITALS)

Furacões Russos

Nos anos 1970, a Rússia orgulhosa e poderosa surpreendeu o Ocidente com três vozes estrondosas: Atlantov, Nesterenko e Obraztsova.

Com raríssimas excepções - particularmente no caso da mezzo -, as empresas discográficas, dominadas pelos tentáculos da guerra fria, não lhes concederam espaço algum.

Curiosamente, anos antes, a célebre Lady Vishnevskaya teve outra sorte, tendo perpetuado o seu talento chez EMI e DG! Ser-se exilado político tinha as suas vantagens...

A era pós-Gorby revelou outros talentos, que o Ocidente não só acolheu com agrado e estupefacção, com promoveu e difundiu, nomeadamente por via discográfica.

Honra seja feita à PHILIPS, que perpetuou as extraordinárias vozes de Hvorostovsky e Borodina!

Vem esta prosa a propósito da edição de dois best of destes dois últimos talentosos artistas, que há muito aguardo, privado que me encontro de aceder ao material original, esgotado desde há anos!

Aqui ficam, pois, duas pérolas que adquirirei com grande entusiasmo!



(Olga BORODINA, A PORTRAIT)


(Dmitry HOVOROSTOVSKY, A PORTRAIT)