terça-feira, 4 de abril de 2006

A Star is Born!!!

Sábado passado, Erika Sunnegardh substituiu Karita Mattila, na pele de Leonora (Fidelio, de Beethoven), no Met, dado que a diva finlandesa se encontrava enferma.

A história da lírica está repleta de casos de substituições à la dernière minute, que redundam em verdadeiros volte-face na carreira dos substitutos: Scotto substitui Callas, em 1957, numa récita de La Sonnambula, e Domingo veste a pele de Calaf (Turandot), em 1968, em lugar de um Corelli indisposto.

A história da cantora lírica sueca, que aos 40 anos acedeu aos estrelato, depois de ter trabalhado como empregada de mesa, por muito romanceada que seja, é a prova de que o sonho americano não é uma miragem!


(
Erika Sunnegardh)

Também eu acho que a vida pode bem começar aos 40 anos!

Indubitavelmente, a Escandinávia não cessa de produzir estrelas! Depois da morte da Nilsson, eis que o firmamento lírico se regenera!

Para os mais interessados, eis dois depoimentos entusiastas, que vaticinam glória e brilho! (aqui e aqui)

sexta-feira, 31 de março de 2006

Adriana Mater, estreia na Bastilha

KAIJA SAARIAHO, compositora finlandesa, estreia em Paris a sua última composição lírica, Adriana Mater.



Depois do sucesso de L´Amour de Loin, eis outro fruto de uma confluência de génios: Sellars encena, Malouf escreve e Saariaho compõe...

(Patricia Bardon e Stephen Milling, em Adriana Mater)

Diz-nos a compositora, a propósito da temática da obra, tratar-se de um cruzamento entre a maternidade e a violência humana.
Questiono-me sobre a síntese de tal cruzamento...

Na lírica, temos exemplos eloquentes da maternidade violenta, destrutiva e mortifera - Norma e Medea, nomeadamente -, que nos mostram que Luz e Trevas podem ser duas faces de uma mesma moeda.

quarta-feira, 29 de março de 2006

5 Stars (from Met)

Em matéria de lírica, diz a regra que os vencedores de concursos raramente singram.
Em todo o caso, imagino que o narcisismo destas 5 estrelas esteja em alta, depois de tamanhas façanhas.

Só me resta desejar-lhes sucesso, glória e triunfo!

From Washington with Gold



A propósito da nova produção de Das Rheingod, na Washington National Opera, diz-nos o New York Times: " If you put on a production of Wagner's monumental "Ring" cycle, you'd better have a novel concept."

Desde a extraordinária produção d´O Anel, de Chéreau, não tive conhecimento de outras produções assentes em concepções verdadeiramente sólidas...

...veremos se a estreia, em breve, de uma outra encenação (signed Graham Vick!!! Yesssssssssss) da mesma ópera, no TNSC, não dá razão à máxima popular "não há duas, sem três"!

sábado, 25 de março de 2006

Alagna: bravo, bravo!


Roberto Alagna é capaz de mostrar a sua genialidade, sempre que explora o seu repertório específico!
Bravo, Cyrano!

TERFEL & Offenbach

Esta noite, pelas 20:50h, no canal MEZZO (hora local), oportunidade rara de assistir a esta récita de Os Contos de Hoffmann, de J. Offenbach.



Não sou um apreciador particular deste tipo de repertório. Acresce a esta circunstância a má recepção desta produção, tanto pela crítica, como pelo público da Bastilha...

A razão da sinalização da efeméride? A presença de TERFEL na pela dos quatro vilões!

DECCA: o Império contra-ataca...

Depois de a DG se entregar a reabilitações de fundo-de-catálogo, é agora a vez de a DECCA/PHILIPS se lançar em semelhante empresa.

Gratos ficamos nós, os apreciadores de música, que tanto lutamos por aceder aos fundos-de-catálogo das grandes editoras!

Eis uma pequena amostra das referências obrigatórias, a meu ver, claro está (para felicidade minha, salvo uma ou outra excepção, tinha-as quase todas!)



Aproveitem a maré que aí vem!
(para aceder à lista completa, clicar aqui
)

sexta-feira, 24 de março de 2006

REALMENTE!

Procurando um lugar de destaque - quase invariavelmente detido (em exclusivo) pelo imenso Liceu -, o madrileno Teatro Real lança-se noutras aventuras, na próxima temporada.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Don Giovanni: o Retorno do Recalcado

O material recalcado (felizmente) tende a regressar à consciência, de forma disfarçado: via sonhos e actos falhados, o mor das vezes...

Desta feita, vieram-me à consciência representações bastante explícitas de uma experiência assaz traumática: a perda do mítico Don Giovanni, comemorativo dos 50 anos de vida do Lyric Opera of Chicago.
Ei-las!!


(Terfel, Il Dissoluto Assoluto)

(Graham, Elvirissima, Mattila, Annnnnnnnnnissima...)

[Kundry, terapeuticamente, procedeu ao levantamento de recalcado...]

quarta-feira, 22 de março de 2006

Met Opera House: Ansiedade de Castração

O rocambolesco acidente que vitimou James Levine, impedindo-o de dirigir, untill the end of the present season, criou no Met um clima de impotência, semelhante à ansiedade de castração, tal como Freud a definiu: é como se o monstro Met - no melhor dos sentidos - se encontrasse privado de um apêndice, circunstância que o torna algo inapto (apesar de a sua identidade se encontrar preservada, sublinhe-se)!

Ainda assim, parece que a divina Mattila (re)triunfou! Apesar da ausência do apêndice-Levine, a coisa brilhou!

Estive prestes a ir assistir a esta reprise, mas por vicissitudes da paternidade, tal não aconteceu!



Em todo o caso, para os sequiosos, aqui vai uma oportunidade de assistir a esta aclamada - exagero do crítico... - produção de Fidelio, por escassos 30 euros (em alternativa, a 14,99 euros!!)

"Ms. Mattila dominates, as any great Leonore must. She holds back nothing, leaping on and off tables, climbing up bars on prison cells hoping to discover her husband. When Fidelio brings in bags of food supplies he has been sent for, Ms. Mattila, utterly in character, eats an entire banana right before singing her arching lines in the great quartet. When she confronts Pizarro in the climactic scene, her voice shimmers with defiance and intensity. At the end, when the freed prisoners lift Leonore to their shoulders and carry her around the square, you wanted to leap on stage and join the celebration."

Mozart heterodoxo...

Algumas liberdades na encenação comportam riscos!

segunda-feira, 20 de março de 2006

Da Ópera Americana...

Glass, Thomsosn, Menotti, Adamo, Heggie, Previn, Danielpour e Corigliano!!

Eis uma escassa amostra de compositores americanos que criam ópera (entre outro tipo de peças musicais).

Polémicos e controversos - alguns demasiado pop, aos olhos da elite europeia possidónia e intelectualóide -, a verdade é que, no Velho Continente, não há movimento de criação que chegue aos calcanhares do citado grupo!

Desafio o leitor a elencar os compositores europeus de ópera, cujas obras figurem em teatros líricos!!!

Dizia eu, ontem, que as salas americanas de ópera se encontram na dianteira, em matéria de elencos...
Mal havia eu tomado consciência da dimensão da criação lírica do / no Novo Continente...

A propósito da ultra-dinâmica americana, no que se refere ao universo da lírica, sugiro este interessante artigo do New York Times.

São Carlos vanguardista???

Diz-nos VELA DEL CAMPO (El PAIS), a propósito de Il Dissoluto Assolto, Santa Susanna e Erwartung, em estreia no nosso Teatro Nacional de S. Carlos:

«Hay teatros de ópera donde continuamente "pasan cosas". El de São Carlos de Lisboa es uno de ellos. Con un presupuesto modestísimo se ha situado en lo que va de siglo, gracias a la imaginación y audacia de su director Paolo Pinamonti.» (clicar aqui, para aceder ao resto da notícia)

Não é todos os dias que o TNSC colhe elogios desta espécie, figirando (quase) entre os teatros de ópera mais vanguardistas! :-)

Que tal uma saltada ao São Carlos?

domingo, 19 de março de 2006

LYRIC OPERA OF CHICAGO...

O excelente nível dos elencos dos teatros líricos norte-americanos ? vide Met e, muito particularmente, LYRIC OPERA OF CHICAGO ? reforçam uma convicção pessoal de há muito: a lírica americana será o epicentro do fenómeno operático do século XXI.

Sejamos realistas: além dos notáveis (ainda que dispersos) fenómenos de música barroca - que têm lugar em França, sobretudo - e das programações de ópera de Paris e de Londres (Milão, já era, tal como Viena e Salzburgo), pouco mais há a destacar, no que se refere à qualidade da lírica no velho continente.

Depois da nova-iorquina Met e da californiana Opera de S. Francisco, CHICAGO afirma-se como um dos vértices da música lírica americana e ? assumamo-lo, sem rodeios ? mundial.

sexta-feira, 17 de março de 2006

ENO...

Novas: compromissos entre o musical e o lírico puro, na English National Opera.

Norah Amsellem: a seguir de perto










Eis uma das novas estrelas lirico-spinto!
Segundo reza a crónica, é triunfal (parece que a Gheorghiou ficou a odiá-la, tal não era o talento da jovem francesa...)!


E esta?

Para a temporada 2009-2010, a cereja em cima do bolo é...

Tosca will feature Karita Mattila singing the title role for the first time at The Met, Marcelo Álvarez as Cavaradossi, and Bryn Terfel as Scarpia

Melhor do que isto, não pode haver :-)))

Quem elenca assim, não é gago!

Ildar Abdrazakov (Faust), Carlos Alvarez (Rigoletto), Olga Borodina (Don Carlo and Gioconda), Johan Botha (Meistersinger), Dwayne Croft (Butterfly), José Cura (Tosca), Diana Damrau (Barbiere and Helena), David Daniels (Cesare), Plácido Domingo (First Emperor), Renée Fleming (Onegin), Juan Diego Flórez (Barbiere), Ferruccio Furlanetto (Boccanegra), Cristina Gallardo- Domâs (Butterfly), Angela Gheorghiu (Boccanegra), Marcello Giordani (Butterfly, Bohème and Tosca), Andrea Gruber (Tosca and Turandot), Maria Guleghina (Cavalleria), Nathan Gunn (Zauberflöte), Thomas Hampson (Boccanegra), Ben Heppner (Chénier and Idomeneo), Hei-Kyung Hong (Traviata and Turandot), Dmitri Hvorostovsky (Don Carlo and Onegin), Jonas Kaufmann (Traviata and Zauberflöte), Salvatore Licitra (Pagliacci and Tabarro), Lorraine Hunt Lieberson (Orfeo), Peter Mattei (Barbiere), Karita Mattila (Jenufa), James Morris (Meistersinger), Anna Netrebko (Puritani and Bohème), René Pape (Don Carlo), Patricia Racette (Pagliacci and Don Carlo), Dorothea Röschmann (Idomeneo), Ruth Ann Swenson (Faust and Cesare), Violeta Urmana (Chénier and Gioconda), Ramón Vargas (Faust and Onegin), Rolando Villazón (Bohème), Deborah Voigt (Helena), and Dolora Zajick (Cavalleria).

Nada mais, nada menos que uma amostra do elenco que assegurará a temporada 2006 - 2007 da minha sala de ópera!

(a vermelho, os GRANDES

EM GRANDE, OS MAIORES)