terça-feira, 30 de agosto de 2005

Novidades, bem longínquas...



Disse-me um passarinho que a mais olvidada das óperas de Richard Strauss - Daphne - foi objecto de uma recente interpretação, com a esplendorosa Fleming no papel titular !

Renée Fleming é a mais legítima herdeira de Della Casa, no que toca à mestria, destreza e elegância com que encarna as heroínas straussianas. Esta interpretação operática de La Fleming promete, tanto mais que a última vez que a dita ópera foi digna de uma gravação... ainda eu não andava por este mundo !

Efectivamente, em 1965, sob a direcção de Böhme, em Salzburgo, Hilde Güden, Paul Schöffler, James King e... Fritz Wunderlich deram corpo a uma famosa interpretação desta peça.

* * *
Para os mais curiosos e ansiosos, advirto que esta indispensável colectânea conta com um excerto memorável - a Cena da transformação - da mencionada ópera de R. Strauss...


(455 760-2)

... a escutar.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Le Nozze di Giovanni

Récita única... a 1 de Outubro, em S. Brás de Alportel.
A não perder !

Le départ de Bayreuth

Boulez n´y retournera plus... hélas !

Gruberova & Jo: The Worse of...

Estas duas referências discográficas representam o que de pior há, em termos editoriais, de cada uma das duas intérpretes.

Gruberova e Jo, em momentos diferentes da história, tiveram um percurso similar.

Dois sopranos ligeiros destacadíssimos, estamparam-se - literalmente - quando ousaram abordar o território belcantista puro - Donizetti, Rossini e Belini.
O que tinham de primoroso na coloratura faltava-lhes no registo dramático !
(...o inverso da divina Callas, cuja técnica falível constiuía o seu calcanhar-de-Aquiles)

Brilharam como Zerbinetta, Olympia e Rainha da Noite...
Jo mostrou-se desastrosa, na pele de Lucia, e Gruberova pavorosa, como Norma.




(EMI 7243 5 65778 2 4))


(ERATO 4509 - 97239-2)

Qualquer destes discos é dispensável: o de Gruberova por apresentar excertos prolixos em falhas técnicas (Norma, Semiramis, etc.) inadmissíveis e o de Jo por revelar uma cantora autista, que desconhece o significado do termo INTERPRETAÇÃO !
Em nada representam as duas grandes figuras da lírica, salvo no que às suas respectivas falhas concerne.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Lucerne Festival Orchestra, Abbado & Fleming

Lucerna - por via do seu cada vez mais reputado festival - começa a tornar-se num lugar obrigatório de peregrinação estival.
Abbado, qual Moisés, aglutina em seu redor torrentes de peregrinos...
Fleming, também !
Há alguns anos, Abbado, em Lucerna, dirigiu um programa dedicado a Debussy & Mahler de antologia (DG). Surge, desta feita, com um programa mais eclético: Schubert, Mahler e Berg, coadjuvado por Fleming, neste último.

Arrebatou !
Pena é que Fleming não tenha brilhado tanto quanto nos habituou, mas o programa não é para uma Diva do Romantismo...

Aqui, há mais detalhes.

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Muti (re)triunfa em Salzburgo

Não há coincidências, sublina com propriedade a rainha dos clichés, de sua graça Margarida Rebelo Pinto.
E tem razão !

Acabo de redigir uma longgggggga crítica a uma interpretação mozartiana de Ricardo Muti; eis senão quando, deparo com esta notícia, que enaltece a direcção do maestro italiano na nova produção d´A Flauta Mágica, em Salzburgo.

Como não podia deixar de ser, a produção do magnânime Vick e a prestação do estrondoso René Pape partilham os louros, juntamente com Muti !

Bravi, bravi, bravi !

Don Giovanni, Muti e a glória americana


(EMI 575 535 2)

Ricardo Muti, maestro italiano recentemente caído em desgraça, ex-Senhor absoluto do alla Scala, legou à posteridade, em inícios da década de noventa, um dos mais esplendorosos Don Giovanni que alguma vez escutei !

Confesso que parti para esta audição com inúmeras reservas.
Sempre apreciei o labor de Muti em territórios verdiano e verista.
No que a Mozart concerne, nunca me convencera, apesar da elevada reputação de que goza a sua leitura de Le Nozze di Figaro (EMI).

Quando Ricardo Muti empreendeu esta hercúlea gravação, a história contava já com centenas de outras interpretações, algumas delas absolutamente incontornáveis para qualquer Mozartiano - Giulini´59, Krips´58, Mitropoulos´56, Busch´36 e Haitink´84, entre inúmeras outras.

Afinal, o que tem de tão marcante e destacado a presente interpretação ?

As virtudes desta realização são diversíssimas, começando pela direcção de Muti, de entre as mais minuciosas, disciplinadas e meticulosas que conheço.
Tecnicamente, o desempenho orquestral é primoroso !
Apesar de algo convencional nos tempi, o maestro italiano imprime um ritmo arrojado aos recitativos, que surpreendem pela ousadia; a declamação está sujeita a um débito inusitado, por vezes muito surpreendente !

A mestria da direcção de Ricardo Muti observa-se, ainda, no esmero e cuidado de que é alvo o acento italiano dos intérpretes, provavelmente um dos mais abertos, bem articulados e fieis à tradição disciplinada de outrora ! Um regalo...

Vocalmente, o mérito desta interpretação radica no esplendor de quatro cantores americanos, absolutamente divinos: Ramey, Shimell Vaness e Studer.

Samuel Ramey - que nos anos oitenta apenas tinha como rival, no papel titular, Thomas Allen -, pela primeira vez, encarna o servo do vil Don Giovanni.
Na passada temporada, com 63 anos bem vividos e cantados, no Met, regressou a Leporello, se a memória não me trai...

O que dizer deste Monstro?
O timbre é de uma beleza singular, viril, audacioso e elegantíssimo - porventura em demasia, dado a natureza da personagem interpretada, em tudo alheia a estas qualidades !
Creio que a composição interpretativa deveria assentar, primordialmente, nas dimensões corrosiva e irónica da personagem, traços que, em meu entender, constituem o essencial de Leporello.
O facto de Ramey ter interpretado centenas de vezes o papel titular da ópera - identificando-se com ele em absoluto - está bem patente nesta encarnação. Trata-se, seguramente, do mais nobre dos servos de Don Giovanni com que conta a discografia.

Muti propôs a interpretação do papel titular da ópera a William Shimell, barítono pouco apreciado pela editoras discográficas.
Shimell oferece-nos uma caracterização quase perfeita de Don Giovanni, não fora a ausência de linhagem da interpretação.
Predominantemente mais perverso do que narcísico, insistindo no carácter bruto, vil e rasca, numa linha claramente maniforme, o intérprete renega as facetas aristocrática, subtil e nobre desta figura da ópera, facetas essas essenciais do Burlador de Sevilha !
Dir-se-ia que fez escola, pois Terfel, na sua fabulosa interpretação de Don Giovanni, insiste, igualmente, no lado mais hedionda e obscuro desta mesma figura...

Um servo nobre e um amo rasca: será casual esta inversão de atributos ou mais um golpe de génio de Muti ?

A Donna Elvira de Caroll Vaness levou-me à loucura... Tive vontade de a consolar !
Outrora gloriosa Donna Anna - sob a direcção de Haitink (EMI´1984), nomeadamente -, Vaness transborda de latinidade. O ardor e sangue quente desta Elvira são tremendos. Dela brotam, a rodos, ciúme, ternura, dor, ódio e rancor. De uma humanidade plena !
Nos antípodas da mítica Donna Elvira de Schwarzkopf, Caroll Vaness entra para a história com esta caracterização, soberbamente apoiada numa voz, técnica e emissão de antologia.

Cheryl Studer é uma das cantoras fétiche de Muti. Ao longo da curta mas gloriosa carreira da soprano americana, o maestro propôs-lhe diversíssimos papeis - Elena (I Vespri), Odabella (Attila), Donna Anna, para não mencionar os wagnerianos e straussianos, em meu entender, aqueles em que Studer mais brilhou.

Era uma intérprete de mão cheia, vocalmente luminosa e tremenda em cena. Por ela nutro uma admiração imensa...
Hélas, a pressão das editoras e de maestro menos escrupulosos associada ao deslumbramento e omnipotência da intérprete materializaram-se num declínio vocal precoce.

Na presente gravação, Cheryl Studer propõe-nos uma original Donna Anna.
A personagem interpretada, assente numa vocalização intensa e luminosa, está inexoravelmente presa à ansiedade depressiva, vítima que é de um luto inelaborável.
De forma magistral, Studer subordina todas as demais facetas da órfã do Comendador à primazia depressiva. Não conheço outra igual !

No que se refere aos restantes intérpretes, pouco há a acrescentar.
De Carolis - o último Don Giovanni que passou pelo São Carlos, sem deixar saudades - compõe um Masetto vocalmente muito correcto e sólido, em termos interpretativos; o mesmo não se pode dizer da Zerlina de Mentzer !
À excepção de Berganza e Bartoli, não há mezzo que encarne Zerlina com graça ! Soam sempre a falso ! Mentzer não é excepção. Além de uma voz feia, a interpretação é paupérrima. Vale-lhe uma técnica rigorosa e cuidada, enfim.

Lopardo - destacado belcantista -, não é um mozartiano, em definitivo !
Revelando-se exímio nas vocalizações de Il Mio Tesoro - ária que canta soberbamente -, Franck Lopardo peca pela quase ausência de dotes dramáticos.

O Baixo-barítono Jan-Hendrik Rootering compõe um Commendatore algo parco em termos dramáticos. Não creio ter assimilado, em pleno, a dimensão trágica da personagem, que apenas episodicamente amedronta o ouvinte...

Para terminar, sem hesitar um segundo, diria tratar-se do Don Giovanni da era DDD, ainda mais bem conseguido do que o de Haitink (EMI).
Pautando-se pelo rigor, tanto vocal, como instrumental, esta leitura afirma-se pela técnica, primorosa e praticamente infalível. Não há o mais discreto deslize, à excepção das fragilidades interpretativas mencionadas.

Este é, acreditem, um valor mais do que seguro da minha ópera favorita, que conheço quase de cor. Para a posteridade !

Nota: a EMI retirou do mercado a edição original desta interpretação. A mesma figura, agora, numa compilação (mid-price) subordinada à trilogia Da Ponte / Mozart, cuja referência se encontra sob a foto deste post.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Para além da antinomia

Die Meistersinger von Nürnberg: obra-prima wagneriana, reveladora da possibilidade de compromissos, contra o radical clivado wagneriano. Muito, muito aquém dos dramas metafísicos - (in)finitude, morte, transcendência, redenção, relação com o divino -, muito, muitíssimo além das antinomias humanas - velho vs novo, tradicional vs ousado, forma vs conteúdo.
Mais argumentos ???
O clima de ligeireza, pontuado por um inquestionável sentido de humor !

A mais humana das criações wagnerianas...

Para começar, recomendo a segunda leitura de Solti - DECCA 452 606 2


Mais considerações e recomendações virão...

quinta-feira, 28 de julho de 2005

terça-feira, 26 de julho de 2005

Antevisão de uma Isolda...

Em Bayreuth, não se assite a uma standing ovation desde a Isolda de Waltraud Meier.

Antevejo uma gloriosa noite, amanhã, com a estreia, neste festival de verão, de Nina Stemme, no mesmo papel que consagrou Martha Mödl, Astrid Varnay e Kirsten Flagstad, antes de La Nilsson, Ligenza e - mais recentemente - Waltraud Meier.

Este artigo do Libération cria inveja aos que - como eu - não poderão estar presentes, neste promissor momento...

segunda-feira, 25 de julho de 2005

O Poder Crescente do Simbólico...

...ou, pura e simplesmente, reabilitação.

Sem a permissão do autor - meu Mestre -, transcrevo um excerto de uma compilação de crónicas da autoria de Carlos Amaral Dias, porventura a mais bela e singela que, do mesmo, alguma vez li.

A dada altura de uma crónica, cujo título é Páscoas do Analista (in Um Psicanalista no Expresso do Ocidente, Temas e Debates), num estilo imensamente poético, a respeito do mui nobre ofício de analista - a que aspiro, com empenho -, CAD conclui:

"Não colho, pois, muitas flores no meu jardim. Quase sempre espero o seu crescimento. E quando florescem, abertas à luz da verdade, eis que o analisando parte com elas, deixando, dentro de nós, uma insuportável memória de um longo encontro que, por «perfeito» que pareça, sabe sempre a pouco."

Jamais encontrei tão elucidativa, eloquente e literária formulação, a respeito desta questão...

Para recordar,

eternamente.

;-)

Um grande abraço, Mestre !

João

domingo, 24 de julho de 2005

sábado, 23 de julho de 2005

O mau das sublimes

O que há de belo, além da emissão vocal ?
O texto !
A (re)discussão em torno da primazia da música ou da palavra, para os casos em questão, é secundária, senão irrelevante.

Eis dois exemplos discográficos infelizes, que padecem de um mal comum: apoiados em vozes sublimes - particularmente a de Fleming, quiçá a mais luminosa do momento... -, totalmente desadequadas face ao repertório escolhido - lírico-dramático-spinto, no caso de Crespin, e barroco, no de Fleming -, as duas grandes cantoras manifestam uma indesmentível desatenção diante dos textos das árias que interpretam, colando-se às respectivas partituras.

Crespin - soberba wagneriana, venerada em Bayreuth e escandalosamente esquecida na sua pátria - canta o suplício de Leonora (de Il Trovatore, de Verdi) e a Canção do Salgueiro (Desdemona, de Otello, de Verdi) sem a mais pequena inflexão... De um autismo absoluto ! Sem o mínimo resquício de afecto !
Desolador.



Fleming - digníssima mozartiana, elegantíssima straussiana... -, além de negligenciar os textos, revela uma particular inabilidade técnica para interpretar Handel. Não é uma cantora barroca, voilà !
A voz mantém a frescura habitual, melodiosa e sensual. A interpretação - o calcanhar de Aquiles habitual da americana -, nem tanto...



...duas excepções que confirmam a regra...

A Traça de Siza, de parabéns !

"Dominique Perben, ministre des transports, de l'équipement, du tourisme et de la mer, devrait remettre à l'automne le Grand Prix international de l'urbanisme à l'architecte Bernard Reichen ainsi qu'un Grand Prix spécial attribué - pour la première fois - au maître d'oeuvre portugais Alvaro Siza."

A notícia completa está aqui.

A Era Lissner...

...em Milão.

Eis um dos projectos, entre muitos outros:

"On sait ainsi que (...) la saison 2007-2008 s'ouvrira avec Tristan et Isolde de Richard Wagner, mis en scène par Patrice Chéreau, sous la direction de Daniel Barenboim."

Uma antiga óptima, uma re-bela re-nova e uma má velha; respectivamente, Tristão e Isolda :-), a encenação de Chéreau :-)) e a direcção de Berenboim :-((

Mais detalhes aqui.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Piero Cappuccilli - RIP

Labor de luto, interminável, também na ópera: aos 75 anos de idade, Cappuccilli é chamado para junto dos eternos.



Na memória, indelével, permanece o seu juvenil (e promissor) Masetto, do lendário Don Giovanni de Giulini, também ele desaparecido recentemente.



Foi em Verdi que se demarcou, disso sendo prova um mítico Macbeth - da homónima ópera de Verdi -, sob a direcção de Abaddo, o papel titular de Rigoletto, dirigido por Giulini, once again e... Iago, lui-même, perverso, perverso..., sob a batuta do genial Keiber filho !

Mais detalhes, aqui.

Tempos difíceis...

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Pura má língua !


Jose Cura é um actor destacado. Tem boa figura. Os dotes vocais não são desprezíveis.

Enferma de um histrionismo exacerbado, que se alia a um narcisismo caricatural: as interpretações é que sofrem, quando a cabeça não tem juizo (como comprova, entre outros, o registo ERATO 3984 27317-9) !

A hiper-expressividade e o abuso da comunicação afectiva - características tão habituais nas personalidades histéricas -, neste registo, assumem dimensões exacerbadas...



Vi-o uma só vez, ladeado por La Mattila...
Ele, Otello; ela, Desdemona...

Um talentoso Otello, cenicamente, não fora a circunstância de ser cantado !
Impotente, numa palavra.

De la Mattila, nesse Otello... que talento ! Uma Desdemona de antologia, transbordante de ardor... Dócil, imensamente... ainda assim...

quarta-feira, 20 de julho de 2005

A propósito da extinção do Ballet Gulbenkian...

Muita tinta tem corrido, nos últimos tempos, na sequência da questionável decisão da Fundação Calouste Gulbenkian, relativa à extinção da sua companhia de bailado.
Considero está decisão questionável e polémica. Ainda assim, por incrível que pareça, não me choca !

Durante temporadas a fio, segui religiosamente as apresentações do Ballet Gulbenkian. Confesso que a saída de Jorge Salavisa, da direcção artística da companhia em questão, marcou o fim de uma época gloriosa.
Esta é, obvia e assumidamente, uma apreciação subjectiva, não sendo tecnicamente fundamentada !
A verdade é que há muitos anos, apenas esporadicamente, assisto a algumas apresentações do Ballet Gulbenkian. A sensação com que fico, invariavelmente, é de tédio e desânimo.

Compreendo o movimento de oposição à recente decisão da administração Vilar. De igual modo, compreendo a decisão da administração, se a entendermos - também - alicerçada numa lógica de qualidade e renovação.
Porque não financiar outras companhias de bailado, ditas independentes, em lugar de manter uma companhia de bailado que - repito -, na minha singela opinião, tem vindo a perder qualidade?

Outro aspecto que me parece importante destacar tem que ver com a circunstância de a FCG ser uma fundação privada - não devendo ser confundida com o inexistente Ministério da Cultura -, embora saibamos que se encontra ao serviço da investigação e cultura, tendo por missão subvencioná-las.

Por mais que me esforce, mantenho a esta convicção inabalável: há na sociedade portuguesa uma inexorável tendência para a dependência, com várias expressões.
De ânimo leve, exige-se da FCG que tudo mantenha e financie, dada a inverosímil expressão estatal nos domínios da cultura !
Extraordinária reivindicação, esta !

Quanto a algumas apreciações que têm sido feitas, a respeito da figura de Rui Vilar, muitas delas - com o devido respeito - recordam-me as doutas considerações de José Gil, que descreve a inveja como uma traço da identidade portuguesa...

sábado, 16 de julho de 2005

Um tenor furacão !


(OEHMS Classics - OC 320 - www.oehmsclassics.de)

Glorioso ! O Timbre pujante e heróico de Torsten Kerl, quente, encorpado, pleno de garra e ousadia - a roçar o registo baritonal - é uma revelação !
Entre o lirismo dramático e o heldentenor, Kerl promete revolucionar a interpretação, particularmente no território wagneriano.
Imagino-o na pele de Tristão...
Recorda a clareza de Heppner, sendo mais viril, na emissão e na densidade.

Há muitos anos que um tenor não me impressionava a este ponto !
Absolutamente imperdível !