terça-feira, 8 de março de 2005

8 de Março, dia internacional da Mulher: homenagem a Minha !

Para ti, Margarida, minha amada, um beijo muito grande !
Com amor,
João

...Hvorostovsky... Rendam-se !

Dmitri Hvorostovsky sempre me escapou...

A primeira vez que o vi / ouvi - leia-se, via dvd... - foi na histórica aparição que fez em Cardiff, corria o ano de 1989. Sem grande surpresa, ganhou o (agora famoso) Singer of the World, na categoria de Ópera.
A concorrência era verdadeiramente assombrosa ! Recordo que, na categoria de lied, o galardão foi arrebatado pelo colossal Terfel.

Devo confessar a minha absoluta parcialidade, quando de Terfel se trata... A versatilidade do Galês é prodigiosa ! Canta Mozart em Viena, encanta o Met com Strauss (Jochanaan, da Salomé) e Wagner (Wolfram, do Tannhäuser), deslumbra Londres com Verdi (Falstaff, sobretudo !) e Gounod (Mefistófoles, do Fausto), etc...
Dele tenciono falar, mais em detalhe, numa outra ocasião pois, como poucos, na actualidade, merece um exclusivo !!!

Confesso que a vitória do siberiano, na altura, me irritou... O estilo-vedeta contrastava com a humildade de Terfel. A arrogância exibida, o ar triunfal... Antevia-se (mais) um duplo de Narciso...

Em minha opinião, algumas personalidades narcísicas - em doses homeopáticas, advirto - têm o condão de nos fascinar pelos seus feitos ousados, pelas suas qualidades exacerbadas, pelas suas inigualáveis proezas...

A audácia com que se desenham, o (aparente) fascínio que por si nutrem, muitas vezes, têm (alguma) razão de ser ! Quem ousa discutir o talento de Callas, vítima ímpar da ferida narcísica ? Alguem duvida da mestria de Christoff ? Et pourtant, quão mal-amados se sentiam...

Hvorostovsky, grosso modo, enquadra-se nesta categoria de personalidades. A vaidade que nutre pela sua figura é quase caricatural !
Invariavelmente, os seus discos exibem variantes de Adónis ! Pelo que consta, até há relativamente pouco tempo, consagrava parte substancial do seu tempo... não na preparação dos papeis que interpreta, mas no ginásio ! Voz sã em corpo atlético ? Uma peculiar interpretação da máxima grega, diríamos !

A verdade é que o barítono siberiano é senhor de uma bela figura.
Quando imagino figuras como Onégin, Rodrigo (do Don Carlos) e o Conde de Luna - personagens do repertório de Hvorostovsky -, vislumbro criaturas atléticas, viris e esbeltas !

Nos últimos anos, pelo que se nos é dado ver, Dmitri tem descurado a forma física... Os quarenta começam a sentir-se na pele... Espantosamente, este desinvestimento na figura tem coincidido com um aprofundamento artístico, particularmente observável no domínio dramático. As encarnações de Hvorostovsky são, agora, mais densas e profundas ! Longe vão os tempos em que tudo interpretava com um ar altaneiro. Está mais maduro, sensível... O talento brota naturalmente, sem limites !

Na presente temporada, no Met, compôs um Giorgio Germont notável ! A maturidade vocal e dramática que o papel exige não levantaram qualquer obstáculo ao cantor. O seu Germont, em todos os sentido, gozou de uma infinita plenitude... Convincente, comovedor, triunfou !

As encarnações mozartianas de há bem poucas temporadas começam a rarear. Algumas delas - diga-se em abono da verdade - desencadearam pateadas monumentais, como a do Don Giovanni, em Salzburgo, aquando da aria do champagne, em 2000, se a memória não me falha.

Hvorostovky é, hoje, um barítono lírico, concentrando as suas interpretações mais assinaláveis em torno de dois compositores: Verdi e Tchaikovsky. Parece ter regressado às origens, pois foram estes, justamente, os dois compositores que abordou no citado concurso de Cardiff ! Abandonou a versatilidade, em favor de um repertório mais criterioso, mais conforme às suas possibilidades.


A razão de ser deste post tem uma explicação bem prosaica: adquiri um cd de Hvorostovsky, integralmente dedicado a Verdi - DELOS DE 3292.

Quando ouvi a primeira aria, o milagre sucedeu ! O terror do Credo (do Otello), a dor do Cortigiani (do Rigoletto), a elegância do Il balen del suo sorriso (do Il Trovatore), a par de outras interpretações, são uma lição de interpretação verdiana !
Não creio que, no presente, haja barítono habilitado a disputar a Hvorostovsky o território verdiano. Como Gobbi, Sereni, Milnes, seguramente, vai fazer escola !

Há muitos anos que não escutava Verdi, nesta categoria vocal, com tamanha mestria !

sexta-feira, 4 de março de 2005

Forever Finland - Mattila e Isokoski

Algures no mês passado, coloquei um post consagrado à grande interprete finlandesa.

Permita-se-me um parêntesis...
A propósito de estrelas finlandesas, nos últimos anos, tenho acompanhado a carreira notável de uma compatriota de Karita Mattila, de seu nome Soile Isokoski.
Nos dias que correm, a Finlândia, definitivamente, marca presença no domínio da lírica ! Refiro o sénior Salminen - respeitável e destacado baixo -, além dos mencionados sopranos.

Há cerca de quatro anos, no Théâtre des Champs-Élysées - com meia dúzia de espectadores, pasme-se ! -, assisti à mais terna das interpretações dos Vier Letzte lieder, de R. Strauss !
Para felicidade minha, a editora Ondine adicionou ao seu catálogo a interpretação de Isokoski do célebre ciclo de lied do citado compositor - ONDINE ODE 982-2.

O meu encanto por esta interprete data da récita do Don Giovanni que cantou na Bastilha, se não me engano, em 2000.
A D. Elvira da interprete era de uma elegância invulgar... Fechei os olhos... pareceu-me ouvir uma síntese de Della Casa e de Schwarzkopf ! Não tendo um timbre de beleza comparável ao de nenhum das duas, em matéria de composição interpretativa e, sobretudo, de técnica, as semelhanças eram óbvias.

Abbado - que deve nutrir pelas vozes finlandesas grande admiração (vide Vier Letzte Lieder... com Mattila... live... em Salzburgo, Requiem de Mozart, igualmente gravado ao vivo, em Salzburgo... com Mattila, já para não falar na última integral das sinfonias de Beethoven, onde o nome de Karita Mattila também figura) - propôs a Isokoski, justamente, interpretar o papel de D. Elvira, na gravação que dirigiu d´Il Dissoluto Punito, em 1998.

Em minha opinião, a interpretação do maestro milanês do Don Giovanni - DG 457 601-2 -, do ponto de vista vocal e interpretativo, deixa muito a desejar. Contudo, merecem destaque a Elvira de Isokoski, o Leporello do versátil mozartiano Terfel, além do interessante e elegante Don de Keenlyside.

Pelo que consta, a Pamina de Soile Isokoski é notável, primando pela candura e elegância... Não me pronuncio, pois nunca a vi nesse papel !

Recentemente - já que falamos de Mozart -, a Diapason teceu rasgados elogios a uma gravação de Isokoski de arias de ópera e de concerto do mestre de Salzburgo - ONDINE 1043 - 2.
Infelizmente, encontrar este registo, em Portugal, constitui um desafio à persistência...

(cont.)

quinta-feira, 3 de março de 2005

Só para grandes apreciadores !

A House of Opera põe "à disposição" de todos os interessados gravações live de algumas récitas e concertos memoráveis ! Note-se que, estas edições nunca foram comercializadas... Piratas ? Who cares ???
Atenção aos gastos...

quarta-feira, 2 de março de 2005

O Navio Fantasma - produção de 1955 (Wolfgang WAGNER)


O Navio Fantasma
Originally uploaded by ildissolutopunito.

Tristao e Isolda - produção de 1952 (Wieland WAGNER)


Tristão e Isolda
Originally uploaded by ildissolutopunito.

Bayreuth do pos-guerra...


Bilder zum Jubiläum 50 Jahre Neues Bayreuth

A proósito dos 50 anos do Festival de Bayreuth...
Fotos espantosas das míticas encenações de Wieland & Wolfgang WAGNER...
Wagner sempre actual !

Lobo Antunes em Salzburgo - 2005


António Lobo Antunes em Salzburg (2005)

No site oficial do Festival de Salzburg, no ano de 2005, no capítulo do Drama, destaco a presença de A. Lobo Antunes: "Dichter zu Gast

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Schauspielhaus Salzburg

Program
Poet in Residence: António Lobo Antunes

Antunes reads Antunes

António Lobo Antunes reads from his new book which will be published in fall 2005. The German translation will be read by Klaus Bachler.
»Das Handbuch der gebrochenen Worte« ? A Poetic Approach to the work of Lobo Antunes' by Albert Ostermaier

Thursday, August 11, 8.00 p.m.


Os cus de Judas

with Werner Wölbern
Director: Tina Lanik

Friday, August 12, 8.00 p.m.
Saturday, August 13, 8.00 p.m.


Tratado das Paixoes da Alma

Members of the ensemble of König Ottokars Glück und Ende read from the novel
Leitung: Martin Kusej

Monday, August 15, 8.00 p.m.


Hommage à António Lobo Antunes

Performance with Albert Ostermaier (texts) and Bert Wrede (guitar and sampling / composition)

Tuesday, August 16, 8.00 p.m.
Wednesday, August 17, 8.00 p.m."

ROHCV Un_ballo_in_maschera


Mattila, Hampson & Alvarez, juntos em Un Ballo in Maschera (ROHCV)

Esta magnífica triade estará em cena no Covent Garden, no próximo mês de Abril, numa nova produção ! A não perder !!!

Se a memória não me falha, trata-se da quarta grande encarnação verdiana de La Mattila: Elisabeth de Valois (da versão francesa do Don Carlo), Desdemona, Maria / Amelia... e Amelia.

terça-feira, 1 de março de 2005

Live from Met !

Se estiverem interessados em acompanhar as transmissões Live from Met, disponibilizadas pela Antena 2...

March 5 Camille Saint-Saëns Samson et Dalila 1:30

March 12 Gioachino Rossini Il Barbiere di Siviglia 1:30

March 19 Giuseppe Verdi Don Carlo 1:00

March 26 Pietro Mascagni/Ruggiero Leoncavallo Cavalleria Rusticana/Pagliacci 1:30

April 2 Richard Strauss Der Rosenkavalier 12:30

April 9 Giacomo Puccini Tosca 1:30

April 16 Wolfgang Amadeus Mozart Die Zauberflöte 1:30

April 23 Richard Wagner Die Walküre 12:30

April 30 Charles Gounod Faust 1:30

May 7 Wolfgang Amadeus Mozart La Clemenza di Tito 1:30

Bartok - Concertos para piano - Boulez 2005


Bartók / Boulez 2005

Depois de alguns dias de ausência, eis-me de regresso !

Apesar da controvérsia gerada por alguma crítica musical - Diapason, nomeadamente - em torno das leituras recentemente realizadas, por Boulez, de Mahler e de Bartók, recomendo-vos a nova interpretação do Mago do IRCAM dos concertos para piano de Béla Bartók !
Apesar do fascínio que nutro pelo compositor húngaro, não tenho a autoridade, nem de Teresa Cascudo, nem de Sérgio Azevedo - cujos blog´s respectivos recomendo, vivamente - para me pronunciar tecnicamente sobre esta recente interpretação

Teresa, Sérgio... Que tal vos parece ?


Em todo o caso, a famosa interpretação da dupla Anda / Fricsay (DG, 1960) parece incontornável !