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domingo, 14 de fevereiro de 2010

(ainda) Disse-me um passarinho...

Que a DECCA está em força: um (quase) integral de Verdi, em 74 cd's, por cerca de €140, e um Orphée et Eurydice, encabeçado por Flórez.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Simon Domingo?


(Plácido Domingo, como protagonista de Simon Boccanegra - Met Opera House)

«On Monday, three days before turning 69, Mr. Domingo returned to his vocal roots. For the first time at the Metropolitan Opera he sang a baritone role, the title character in Verdi’s “Simon Boccanegra.” Some of his tougher critics would say that Mr. Domingo has been a quasi baritone for years, since he has increasingly asked conductors to transpose parts of the tenor roles he sings down a step or two.

But he sounded liberated as Boccanegra, a tormented doge in 14th-century Genoa. At times his voice had a worn cast. And when he dipped into the lower baritone register, he had to fortify his sound with chesty, sometimes leathery power. Still, this was some of his freshest singing in years.

Maybe taking on Boccanegra is a self-indulgent exercise for Mr. Domingo at this stage of his career. I almost hesitate to praise him, since I do not want him to get ideas. Right now the two companies he is running — the Los Angeles Opera and the Washington National Opera — are struggling financially. So he has big responsibilities.

That said, he earned an enormous ovation on Monday night. Over the last decade, when a role took him to the upper register of his tenor voice, he often sounded cautious and calculating. But as Boccanegra, he could not wait, it seemed, for the line to soar into the baritone’s high register, now his comfort zone.

Yet that auditioning committee of 1959 was right: Mr. Domingo was a tenor. Whether a singer is a tenor or a baritone is not just a matter of range. The coloring and character of a voice also identifies its type. There have long been dusky, baritonal qualities to Mr. Domingo’s singing, but the overall colorings and ping in his sound were those of a tenor.

Inevitably, he made Boccanegra seem like a tenor role. The long scene in which Boccanegra discovers that Maria, who goes by the name Amelia Grimaldi (don’t ask), is his long-lost illegitimate daughter, did not have the contrast of baritone and soprano colorings that Verdi intended. Still, Mr. Domingo brought vocal charisma, dramatic dignity and a lifetime of experience to his portrayal. Purists will complain, but Mr. Domingo’s performance was an intriguing experiment.»

Muito se tem escrito sobre a derradeira interpretação operática de Plácido Domingo. O mor das vezes, a crítica aclama o seu Simon, plenamente baritonal. É a primeira crítica - a que acima reproduzo - a questionar, sem embandeirar em arco, a incarnação de Domingo.

Prudência, prudência e reservas...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Banalidade



No panorama lírico – particularmente no tocante ao tenor lato senso (ligeiro, lírico e lirico-spinto), a América Latina tem sido uma referência incontornável. Para além dos extraordinários Alva e Lima, Flórez, Villazón, Vargas e Álvarez têm vindo a conquistar terreno, neutralizando toda a concorrência. De entre os mencionados, Álvarez sobressai como o maior tenor spinto da actualidade: Verdi assenta-lhe que nem uma luva!


Há uns bons dez anos, na Bastilha, Marcelo Álvarez deslumbrou-me com o seu Duque (Rigoletto). Adivinhei-lhe um futuro verdiano, mais na linha do spinto – Radames, Otello, Manrico, Rodolfo, etc.


O presente artigo constitui uma colectânea de árias verdianas, cujo denominador comum assenta, justamente, no spinto. Dir-se-ia que a dita colectânea foi construída à imagem dos dotes do tenor argentino…


Álvarez possui um timbre encorpado e heróico, pujante e amplo, contudo as fragilidades técnicas são indisfarçáveis: tendência para o fortissimo e pianissimi inseguros. As suas interpretações não ultrapassam a fasquia do banal, enfermando de falta de subtileza e lirismo, elegância e linhagem. A brutalidade e dilaceração, demandadas pelo epílogo de Otello, tendem a estender-se às demais incarnações, tornando-as algo desinteressantes e excessivamente afins, sem matizes de natureza alguma.


No panorama verdiano discográfico, onde Del Monaco, Bergonzi, Vickers e Domingo se destacam, Álvarez dilui-se, sendo incapaz de sair do anonimato.


É bem verdade que este tenor não encontra rival à sua altura, neste repertório – Licitra parece ter perecido, liricamente falando… Contudo, quando comparado com os seus antecessores, Álvarez constitui uma mera curiosidade.

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(3/5)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Simon Domingo


(Domingo e Harteros, em Simon Boccanegra)





O tenor Domingo - outrora barítono - regressa ao seu registo original, como prometera. Aos 70 anos, glorioso, interpreta o protagonista baritonal Simon Boccanegra, da ópera homónima de Verdi.

A vida não cessa de (re)começar, no caso de Domingo...

ps assisti, há uns bons dez anos, a um magistral Parsifal interpretado pelo grande, grande Plácido. Há experiências duplamente místicas...

sábado, 19 de setembro de 2009

Don Carlo - Royal Opera House Covent Garden


(Don Carlo - Royal Opera House, Setembro de 2009)

«That great scene was wonderfully played by Simon Keenlyside (Rodrigo) and Ferruccio Furlanetto (Philip II). Furlanetto is that special breed of singing actor for whom gravitas is inbred. We see a broken man disintegrate before our eyes in his great act four aria; we feel his anger and defiance in the encounter with John Tomlinson's craggy Grand Inquisitor who manages to turn the word "Sire" into a condescending growl. These are credible portrayals. Less so Marianne Cornetti's indomitable Eboli; hers is a voice of considerable fire power, but she's hopelessly woolly in the lacy coloratura of her folksy Veil aria.

One of the most effective devices in Hytner's staging – and I still find the garish pop-up aspects of Bob Crowley's design alienating – is Carlo's isolation, the descending front cloth of ancestral tombs a constant reminder of his grandfather's weighty legacy. Jonas Kaufmann carried this romantic idealism magnificently, thrilling in his full-throated anguish, tender in his love for Elizabeth de Valois with mezza voce phrases literally melting in the singing of them.

Marina Poplavskaya (Elizabeth), beautiful and intense on stage, is not a natural Verdian, the voice too white and unyielding, the lack of through-phrasing conspicuously unidiomatic. But in the perfect symmetry of their first and last encounters there was a real frisson between she and Kaufmann. The numbing pianissimo of their final moments together carried such regret and resignation as to unlock the very heart of a great piece.»


«New to the cast are Jonas Kaufmann's Carlo, Marianne Cornetti's Eboli and John Tomlinson's Inquisitor. Cornetti, hogging the high notes and doing nothing with the character, is the evening's main vocal drawback. Tomlinson, on the other hand, scares you half to death with every utterance. And Kaufmann is outstanding, whether braving the rages of Ferruccio Furlanetto's tragic Philip, swooning over Marina Poplavskaya's Elisabetta, or getting political with Simon Keenlyside's finely acted, if undersung Posa.»

Ainda por terras londrinas, no caso deste Don Carlo - contrariamente a Le Grand Macabre -, o elenco é a vedeta. Quando Carlo é Jonas Kaufmann, Rodrigo é interpretado por Keenlyside e Furlanetto veste a pele de Filippo II, tudo o resto é (quase) irrelevante...

Ecos verdianos de Álvarez



«The Argentinian tenor Marcelo Álvarez has been tipped as the successor to Pavarotti as the pre-eminent Verdi interpreter of his era, and as these Verdi arias demonstrate, he lacks none of the technical prowess that requires.,/p>

Indeed, there are distinct echoes of Pavarotti in Álvarez's "Oh! fede negar potessi", though he delivers with passion rather than power, before offering an empathic "Quando le sere al placido". Elsewhere, he negotiates the emotion of Manrico's deathly promise "Ah! si, ben mio" from Il Trovatore in measured manner, before wringing every last ounce of emotion out of the hero's death scene from Otello.»

Álvarez sucessor de Pavarotti??? Pavarotti: intérprete verdiano de referência???
Bom... há coisas que não se discutem, dada a patetice de que enfermam.

Álvarez é um grande, grande tenor - cujo Duque (Rigoletto) me impressionou muitíssimo, há uns bons dez anos, na Bastilha. Consta que brilha ainda como bel cantista - Edgardo, entre outros. Isto são factos.

Na ausência do objecto, tive de me contentar com a opinião - tão sucinta, quanto polémica - do The Independent.

Logo que o registo me chegue à mão, outro galo cantará!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Aida, ossia a Imperatriz

Há anos que procuro a Aïda da minha vida.

É certo que, no tocante a intérpretes da mesma ópera, encontro-me sobejamente satisfeito: L. Price e Caballé são a protagonista, Vickers, Bergonzi e Domingo incarnam o Radamés ideal e Cossoto (seguida, com assinalável distância, de Gorr e Simionato) materializa a Amnéris absoluta.

Continua a faltar-me a leitura definitiva, que alie vozes e interpretações de sonho a uma orquestra e coro divinamente dirigidos. É que a perfeição – caro e fiel leitor -, em ópera (de estúdio) pode muito bem existir (vide Don Giovanni, Tristan, Tosca, Parsifal e Le Nozze di Fígaro, apenas para citar as mais visíveis)!


A presente interpretação roça a perfeição, maioritariamente graças a Von Karajan & Filarmónica de Viena.

O maestro austríaco e a divina filarmónica desenham a melhor Aïda orquestral que alguma vez conheci: majestosa, dramática, de uma grandiosidade heróica, alternando com notável plasticidade os momentos de lirismo recatado – as árias da protagonista, nomeadamente, o dueto do último acto – com as cenas grandiosas – a marcha triunfal, por exemplo. A todo o instante, sente-se o controlo inabalável de Von Karajan, que dirige com mão de ferro, envolta em veludo.
Definitivamente, em matéria de direcção orquestral, a democracia é sinónimo de blasfémia!

Em relação aos solistas, Simionato é a que mais se evidencia, compondo uma Amnéris impressionante. Corroída pelo ciúme, move-se entre a sede de vingança e o desespero derradeiro, apoiando-se numa voz imponente. Bergonzi – que é um dos melhores Radamés de sempre – peca pela melancolia, que o invade, e Tebaldi, apesar da excelsa qualidade do spinto, banha a sua composição num oceano angelical, parco em libido. Aïda é uma fêmea, e quanto a isso não pode haver hesitações!


Bordejando a perfeição – por Von Karajan, acima de todos -, esta é uma das mais grandiosas Aïda.


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(4.5/5)

sábado, 8 de agosto de 2009

Rigoletto solitário


Pode uma interpretação operática conter uma das mais belas incarnações da discografia e, em simultâneo, das mais aberrantes prestações?


Este Rigoletto é a prova disso mesmo!


A resposta a este post é simples: Sherrill Milnes.

Milnes foi um dos mais extraordinários barítonos de sempre. A opinião é minha, não gerando consenso. Em terreno verdiano, teve como rival Cappuccilli – seu contemporâneo -, nenhum outro cantor da sua geração lhe chegando aos calcanhares.


O Rigoletto que interpreta nesta leitura é um colosso de drama e elegância vocal. O timbre é puro malte! A dicção aberta e firme confere à personagem uma linhagem pouco habitual. Por regra, Rigoletto é uma figura sofrida, agrilhoada a uma inexorável maldição. Pois Milnes vai muito além disso, conferindo à sua leitura um toque aristocrata, nos antípodas da proposta de Gobbi – outro dos mais assombrosos protagonistas desta mesma peça lírica. Não será para todos os gostos… Mas, por que será Rigoletto uma criatura bossal e grosseira?

E, na sua composição, há dor, uma imensa ferida narcísica, e dilaceração a rodos, sem cair na trivialidade do exacerbamento. Modelar, enfim!

Depois, há os demais intérpretes…

Pavarotti – no auge do seu reinado – transpira uma sanidade vocal sem paralelo, com um registo agudo de invulgar firmeza, cristalino e brilhante como poucos. Mas, como alguém disse, teatralmente, é uma imensa massa, colossal nas suas dimensões, que se limita a cantar muito bem. A sua interpretação é frustrante, sem ponta de subtileza, nem requinte algum.

Para o final, reservo o pior: a Gilda mais desabitada que conheço – pior ainda que a de Peters! A articulação de Sutherland sempre foi trôpega – as consoantes inaudíveis! A sua interpretação fica aquém do banal, enfermando de uma superficialidade aterradora.

Apesar da sua "pirotecnia" vocal – das mais sólidas e brilhantes coloraturas que se conhecem -, em termos interpretativos, Sutherland é de um amadorismo que roça a ignorância.

Bonynge salva a honra do convento, servindo este Rigoletto com inegável sentido teatral, equilibrado e disciplinado.

Por Milnes, indubitavelmentre! E muito pouco mais.

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(3,5/5)

Quiz

Quem foi o maior protagonista de Rigoletto, nado e criado nos EUA???

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Carlo & Carlo e Elisabetta



Iniciei-me no Don Carlo pela mão de Solti, há mais de dez anos.

À época, residia em França, onde reinava uma ditadura tremenda no tocante à suma referência desta ópera verdiana. Submeti-me e segui o trilho do maestro húngaro.

A voz declinante da Tebaldi desagradou-me profundamente, o resto tendo-me convencido. Quanto à coisa-em-si – o Don Carlo -, agradou-me, estando uns pontos abaixo do meu Verdi de eleição (à época): trilogia, Aïda, Otello, Falstaff, Simon Boccanegra.

Anos depois, retomei o Don Carlos – ossia, a versão francesa, diferente da italiana. Desta feita, segui a batuta de Pappano & Bondy. A produção é absolutamente histórica, com Mattila, Alagna e Hampson deslumbrantes. À segunda, a coisa bateu com maior intensidade, tendo a ópera subido uns bons pontos no meu best of verdiano.

À terceira, a coisa foi avassaladora…

Neste Don Carlo, há os que cumprem – Foiani -, os que se destacam – Estes, Raimondi, Verrett e Milnes – e os deuses, que se transcendem – Domingo & Caballé e Giulini.

Giulini dirige sinfonicamente este Don Carlo, com gestos amplos e grandiosos, sublinhando o lirismo e majestade da partitura. Exaltante!

Domingo compõe um herói arrebatado, valente e audacioso, absolutamente envolvido na trama edipiana que o une eroticamente a Elisabetta e, com marcada ódio, a Filippo. A voz é modelar, de timbre heróico e robusto, cheia, com uma segurança e limpidez espantosa.

Caballé é, para mim, uma das maiores cartadas desta interpretação. A sua Elisabetta é uma aristocrata, abnegada e sofrida, de gestos grandiosos e heróicos. A voz transpira erotismo e sensualidade, aérienne e esvoaçante: paira em permanência, nunca pousando, excitando com uma graciosidade enlouquecedora…

Em estúdio, Caballé é A Elisabetta. Em cena, como imaginará o leitor avisado, Mattila leva a melhor, em mais não diz um homem casado…

Termino com breves referências aos demais intérpretes: Verrett compõe uma Eboli dilacerada, Milnes um magnífico Rodrigo – humano e corajoso, com uma voz bela e de craveira verdiana – e Raimondi desenha um Fillipo teatralmente irrepreensível, cujo calcanhar-de-aquiles é a relativa superficialidade dos graves.


Evidentemente, o Don Carlo – mais ainda que o Don Carlos – é uma das mais belas peças líricas de sempre, majestosa como poucas (Tristan, Parsifal, Guglielmo Tell), de uma fluidez, equilíbrio e coesão impressionante, com uma escrita épica e de uma grandiosidade melódica, teatral e expressiva inusitada.

E ainda há quem vacile diante das obras indispensáveis numa ilha deserta…

Este artigo vai direitinho para a coluna ds best of '09!

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(6/5)

ps nos confins da minha arca – entre milhares de outras obras… - três são os Don Carlo que aguardam uma cuidadosa e aturada apreciação: Santini (EMI), Santini (DG) e Muti (EMI – dvd).

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Verdi - libretos

No site oficial de G. Verdi, encontram-se os libretos de todas as óperas do compositor italiano. Pena é que não sejam disponibilizadas traduções...

quarta-feira, 9 de março de 2005

terça-feira, 8 de março de 2005

...Hvorostovsky... Rendam-se !

Dmitri Hvorostovsky sempre me escapou...

A primeira vez que o vi / ouvi - leia-se, via dvd... - foi na histórica aparição que fez em Cardiff, corria o ano de 1989. Sem grande surpresa, ganhou o (agora famoso) Singer of the World, na categoria de Ópera.
A concorrência era verdadeiramente assombrosa ! Recordo que, na categoria de lied, o galardão foi arrebatado pelo colossal Terfel.

Devo confessar a minha absoluta parcialidade, quando de Terfel se trata... A versatilidade do Galês é prodigiosa ! Canta Mozart em Viena, encanta o Met com Strauss (Jochanaan, da Salomé) e Wagner (Wolfram, do Tannhäuser), deslumbra Londres com Verdi (Falstaff, sobretudo !) e Gounod (Mefistófoles, do Fausto), etc...
Dele tenciono falar, mais em detalhe, numa outra ocasião pois, como poucos, na actualidade, merece um exclusivo !!!

Confesso que a vitória do siberiano, na altura, me irritou... O estilo-vedeta contrastava com a humildade de Terfel. A arrogância exibida, o ar triunfal... Antevia-se (mais) um duplo de Narciso...

Em minha opinião, algumas personalidades narcísicas - em doses homeopáticas, advirto - têm o condão de nos fascinar pelos seus feitos ousados, pelas suas qualidades exacerbadas, pelas suas inigualáveis proezas...

A audácia com que se desenham, o (aparente) fascínio que por si nutrem, muitas vezes, têm (alguma) razão de ser ! Quem ousa discutir o talento de Callas, vítima ímpar da ferida narcísica ? Alguem duvida da mestria de Christoff ? Et pourtant, quão mal-amados se sentiam...

Hvorostovsky, grosso modo, enquadra-se nesta categoria de personalidades. A vaidade que nutre pela sua figura é quase caricatural !
Invariavelmente, os seus discos exibem variantes de Adónis ! Pelo que consta, até há relativamente pouco tempo, consagrava parte substancial do seu tempo... não na preparação dos papeis que interpreta, mas no ginásio ! Voz sã em corpo atlético ? Uma peculiar interpretação da máxima grega, diríamos !

A verdade é que o barítono siberiano é senhor de uma bela figura.
Quando imagino figuras como Onégin, Rodrigo (do Don Carlos) e o Conde de Luna - personagens do repertório de Hvorostovsky -, vislumbro criaturas atléticas, viris e esbeltas !

Nos últimos anos, pelo que se nos é dado ver, Dmitri tem descurado a forma física... Os quarenta começam a sentir-se na pele... Espantosamente, este desinvestimento na figura tem coincidido com um aprofundamento artístico, particularmente observável no domínio dramático. As encarnações de Hvorostovsky são, agora, mais densas e profundas ! Longe vão os tempos em que tudo interpretava com um ar altaneiro. Está mais maduro, sensível... O talento brota naturalmente, sem limites !

Na presente temporada, no Met, compôs um Giorgio Germont notável ! A maturidade vocal e dramática que o papel exige não levantaram qualquer obstáculo ao cantor. O seu Germont, em todos os sentido, gozou de uma infinita plenitude... Convincente, comovedor, triunfou !

As encarnações mozartianas de há bem poucas temporadas começam a rarear. Algumas delas - diga-se em abono da verdade - desencadearam pateadas monumentais, como a do Don Giovanni, em Salzburgo, aquando da aria do champagne, em 2000, se a memória não me falha.

Hvorostovky é, hoje, um barítono lírico, concentrando as suas interpretações mais assinaláveis em torno de dois compositores: Verdi e Tchaikovsky. Parece ter regressado às origens, pois foram estes, justamente, os dois compositores que abordou no citado concurso de Cardiff ! Abandonou a versatilidade, em favor de um repertório mais criterioso, mais conforme às suas possibilidades.


A razão de ser deste post tem uma explicação bem prosaica: adquiri um cd de Hvorostovsky, integralmente dedicado a Verdi - DELOS DE 3292.

Quando ouvi a primeira aria, o milagre sucedeu ! O terror do Credo (do Otello), a dor do Cortigiani (do Rigoletto), a elegância do Il balen del suo sorriso (do Il Trovatore), a par de outras interpretações, são uma lição de interpretação verdiana !
Não creio que, no presente, haja barítono habilitado a disputar a Hvorostovsky o território verdiano. Como Gobbi, Sereni, Milnes, seguramente, vai fazer escola !

Há muitos anos que não escutava Verdi, nesta categoria vocal, com tamanha mestria !

quarta-feira, 2 de março de 2005

ROHCV Un_ballo_in_maschera


Mattila, Hampson & Alvarez, juntos em Un Ballo in Maschera (ROHCV)

Esta magnífica triade estará em cena no Covent Garden, no próximo mês de Abril, numa nova produção ! A não perder !!!

Se a memória não me falha, trata-se da quarta grande encarnação verdiana de La Mattila: Elisabeth de Valois (da versão francesa do Don Carlo), Desdemona, Maria / Amelia... e Amelia.